quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fiado só amanhã

Les Jours Tristes*
Neil Hannon / Yann Tiersen

It's hard, hard not to sit on your hands
And bury your head in the sand
Hard not to make other plans
And claim that you've done all you can all along
And life must go on

It's hard, hard to stand up for what's right
And bring home the bacon each night
Hard not to break down and cry
When every idea that you've tried has been wrong
But you must carry on

It's hard but you know it's worth the fight
'Cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
Don't be afraid of what they'll say
Who cares what cowards think, anyway?
They will understand one day, one day

It's hard, hard when you're here all alone
And everyone else's gone home
Harder to know right from wrong
When all objectivity's gone
And it's gone
But you still carry on

'Cause you, you are the only one left
And you've got to clean up this mess
You know you'll end up like the rest
Bitter and twisted, unless
You stay strong and you ca
rry on

It's hard but you know it's worth the fight
'Cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
And don't be afraid of what they'll say
Who cares what cowards think, anyway?
They will understand one day, one day

It's hard but you know it's worth the fight
'Cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
And don't be afraid of what they'll say
Who cares what cowards think, anyway?
They will understand one day, one day

*ou hier, aujourd'hui et demain

domingo, 16 de novembro de 2008

De fato(s)

Encontrado por acaso ao passar em revista, página por página devido à desconfiança de um certo Dom cheio dos defeitos, o nosso Herói Sem Nenhum Caráter:
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"Macunaíma não é símbolo nem se tome os casos dele por enigmas ou fábulas. É um livro de férias escrito no meio de mangas abacaxis e cigarras de Araraquara, um brinquedo. Entre alusões sem malvadeza ou seqüência desfatiguei o espírito nesse capoeirão da fantasia onde a gente não escuta as proibições os temores, os sustos da ciência ou da realidade - apitos dos polícias, breques por engraxar. Porém imagino que como todos os outros o meu brinquedo foi útil. Me diverti mostrando talvez tesouros em que ninguém não pensa mais."
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E a prova (no) final:
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"Araraquara 19 de dezembro de 1926
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... pra que não viessem cadenciar minhas lutas, umas noites dormidas bem (umas noites dormidas com calma)."
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1926, abacaxis, mangas, cigarras e, creio eu, umas noites dormidas bem: só podia ser Araraquara mesmo - capoeirão da fantasia, pois sim.
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Quanto ao outro "fato", o de que (cito) "o brasileiro não tem caráter", bem, deixo pra (verificar) depois (que já são 02h30 passadas e preciso voltar à limpeza e à catalogação dos meus livros, sim).
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(créditos: o Mario - trecho final originalmente incompleto e trecho total originalmente "impontuado", digamos - invençõezinhas moderni[sti]nhas, pois não)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ashes and fools

Lido há minutos:
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'(...) The books are to remind us what asses and fools we are. They're Caesar's praetorian guard, whispering as the parade roars down the avenue, "Remember, Caesar, thou art mortal." Most of us can't rush around, talking to everyone, know all the cities of the world, we haven't time, money, or that many friends. The things you're looking for, Montag, are in the world, but the only way the average chap will ever see ninety-nine percent of them is in a book. Don't ask for guarantees. And don't look to be saved in any one thing, person, machine, or library. Do your own bit of saving, and if you drown, at least die knowing you were headed for shore.'
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E o efeito (a frase de efeito, mais precisamente) dessas duas ou três páginas:
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The old man nodded. 'Those who don't build must burn. It's as old as history and juvenile delinquents.'
'So that's what I am.'
'There's some of it in all of us.'
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Pensando se Montag (sim, segunda-feira em alemão, que eu saiba) teria alguma remota ligação literária com o Sexta-Feira do Crusoé, rs.
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(créditos:
Ray Bradbury,
herdado de um professor
e recomendado a um aluno
- livros: passe adiante, sim, rs)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

sem título II

sobre o autor de

Cinco poemas para Cris,

Otros cinco poemas para Cris e,

finalmente,

Cinco últimos poemas para Cris


(o que eu gostaria de que fosse Un poema para Cris, sim)


Mariposas


El domingo de 1984 en que Julio Cortázar murió en París, la ciudad de Buenos Aires fue escenario de un hecho inédito en su historia: una invasión de mariposas. Al día siguiente, los científicos explicaron que una oleada de calor en una zona rural vecina originó una migración inicial de mariposas en busca de fresco, y que miles de ejemplares fueron acoplándose durante el trayecto, hasta que desembocaron en el centro porteño.

(balãozinho de gibi) - Lo que está ocurriendo es normal... Si se conoce la lógica cortazariana...

El fenómeno no se ha repetido, hasta hoy, pese a que ha habido veranos mucho más calurosos que aquel. Las crónicas, las notas y los comentarios publicados por entonces no relacionaron aquella alteración momentánea de la ecología de la ciudad con el deceso del escritor. Para casi todo el mundo se trató de una curiosidad científica o, en todo caso, una “nota de color” a la hora de conformar la agenda informativa de los medios, tan aburrida, en general, durante los meses de calor.


(créditos: Carlos Polimeni e Miguel Rep)


Como não lembrar de você, minha amiga?


(A propósito, obrigada pelo e-mail - parece que temos muito o que conversar...)

domingo, 7 de setembro de 2008

Isabela, ou Ensaio para a, ou Ensaio sobre a (surdez?)

The less you talk, the more you’re listened to.”

Eis o que encontro assim que abro meu e-mail, aqueles links aleatórios com que se ganha, sabe-se lá como, dinheiro na internet, de frase do dia a receita vegetariana.

Este veio bem a calhar – ou não, who knows?

A idéia parece boa, conselho sábio e tal, mas – se não se diz (quase) nada, o que há para ser ouvido? O silêncio, diriam, as entrelinhas, talvez. Quanto menos você fala, menos os outros têm para ouvir, diria eu. Ou: quanto menos você fala, mais você escuta, e com este eu concordo plenamente. É bom ouvir – quando há o que se ouvir, claro. A arte do saber escutar. Sabedoria, sim, aprender com os outros – ou dar corda pros outros se enforcarem no seu lugar, o que também é válido, e sábio, aliás.

Só que hoje acordei com vontade de falar – não muita, que esse meu caso de amor com as palavras também parece estar se esgotando, me esgotando, já, não sei. Olho pra elas, elas olham pra mim, e não sai disso – “Enfim, juntas. Aqui estou – chamou?”, “Ãhn-han.”, “E então?”, “Então o quê?”, “Como assim o quê? Chamou por quê?”, “Não sei, só chamei.”, “Ah, tá.” Então a gente se olha, se olha, se olha e logo alguém se cansa e desiste de tentar – o quê, nem nós sabemos. Brochante. Frustrante, sim. Triste, eu diria.

Mas temos, as palavras e eu, quero dizer, essa vontade de estar-junto, por mais que não saibamos bem pra quê, essa vontade de olhar, olhar, olhar, o que já deve ser alguma coisa. Já você e eu... Não sei.

Porque eu, eu jamais deixaria de acolher uma palavra sua – não foi assim, aliás, que te acolhi? Te peguei pelas pontas dos dedos, a boca dos textos, palavra, só depois o beijo – você se lembra, não lembra? Então. Eu jamais, e eis uma palavra que me dá medo, e ela sabe, “jamais”, mas que insiste em me rondar em alguns casos, neste, em especial, sabida ela – eu dizia que jamais, e há tantos: o telefone que não toca; o frio que, quando o telefone toca; o vento que, quando o telefone toca; o pé no chão que, quando o telefone toca; o estômago vazio que, quando o telefone toca; o sono que, quando o telefone toca; o horário que, quando o telefone toca; o trabalho que, quando o telefone toca; os outros que, quando o telefone toca; etc. – que, quando o telefone toca, ou não toca. Quanto a mim, que se danem o frio, o vento, o pé, a fome, o sono, a hora: o seu telefone tocaria, ou o meu eu não desligaria, com frio, vento, pé descalço, barriga vazia, olhos pesados, horário marcado e tudo, isso eu te garanto, eu, que, de resto, garanto tão pouco – quanto ao trabalho e aos outros, bem... Bem mais difícil de mandar se danar, mas ainda assim, ainda assim, eu, pra quem eles significam tanto, você sabe, não sabe? Não? E desde quando você se importa? Com o frio, o vento, o pé, a fome, o cansaço, a hora e etc., sim, quero dizer? Pois eu não sabia. Com o que você se importa, aliás? Sabe que eu não sei?

E cá estão as palavras, sim, blá-blá-blá, blá-blá-blá, blá-blá-blá – tão carinhoso, ou não, que seja. Quase uma carta de amor – ou será que não? Já posso dizer que sou ridícula, então – já poeta, ou poetisa... Palavra que me agrada, sim, isso do isa, pitonisa, profetisa, sacerdotisa, papisa, as mulheres todas, belas – e inúteis, como as palavras, aliás.

Sabe de uma coisa? Acho que você me hipnopoetiza – and that’s it, que já falei too much.

(créditos: Quote of the day, Gmail, sabe-se lá quem – como se importasse... E não importa?)

sábado, 16 de agosto de 2008

Não quero dinheiro, eu só quero... Trabalhar?!

Aí faltam uns cinco minutos pra gente entrar em aula, tempo o suficiente pra análises psicológicas de quase-corredor:

"O telefone tá tocando, tem gente batendo na porta, uma torneira pingando, um bebê chorando, roupa no varal e começou a chover - o que você faz?"

Pela lógica, atendo o telefone e peço pra pessoa esperar (porque não tenho bina pra ligar depois e poderia ser algo importante, oras), dou um berro pra pessoa na porta também esperar, corro pra recolher a roupa e fecho a tal torneira - o bebê, de que me esqueci, rs, acho que atenderia quando fosse largar a roupa no quarto, antes de ir dar um jeito na torneira, é...

"O telefone é negócios [ah, não gostei disso, não... Trabalho em primeiro lugar? Hum... Verdade, mas... rs], a porta é vida social [ah, é, é? Então tá, rs], a roupa é vida sexual - tá bom, né? Tem gente que põe lá no fim, rs [sim, acho que tá, rs] -, a torneira é dinheiro [é, esse deu certo mesmo, faz sentido] e o bebê é família [Nossa, sentimento de culpa agora... rs] - família pra quê, né? rs"

Divertidinho, rs.

P.S.: Negócios sem dinheiro é f*da, mas... rsrsrs Trabalhar pelo prazer da coisa, então, rs (mas quem é que paga pelas dores, eu, né? Tudo bem... rs).

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vers de circonstance

- ao gato que aprendia francês -

Um fio de cabelo (não, não no meu paletó – ufa, essa foi por pouco! rsrsrs) e um saquinho plástico encontrados ao acaso entre as páginas do meu Petit Robert e eu toda piegas... rs É f*da (ou, pelo contrário – deixa pra lá, piadinha infame, sorry, rs, porque quem desdenha, não é? Who knows?), com o perdão da palavra, claro (que palavra sempre tem perdão, ou quase – quase).

[Sim, título inspirado na coincidência de uma das páginas, “poèmes inspirés par l’actualité, les menus faits de la vie de l’auteur” – bonitinho, rs.]

domingo, 18 de maio de 2008

(shouldn't, but)

So maybe I’m done here (you were looking for something; you found me round the way; you thought maybe I could help; you asked me; I answered you; I offered what I had; you had it; you thanked me; you gave me lots in return; I thank you; you’re now further in your quest – and I’m literally afraid there’s nothing else you can take with you from me, my friend. So soon you’ll say goodbye, you’ll sail away, I’ll miss you, I’ll smile, I’ll move on, I’ll stay.), you say (I mean, if that’s so, please say).

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ao vencedor, bota batata nisso... rs

A quem interessar possa... rs

Subject: PRÊMIO LITERÁRIO PARA OBRAS INÉDITAS DÁ 100 MIL EUROS AO VENCEDOR

Date: Fri, 25 Apr 2008 18:42:46 -0300


Prezada Professora M...,

O Grupo editorial português Leya lança prêmio literário que dará €100.000 ao melhor romance inédito escrito em português.

Além do ganhador, o júri poderá atribuir um ou mais "Prêmios Leya Finalistas" no valor de €25 mil para cada obra.

Pedimos que o senhor divulgue entre seus pares pois a intenção do Grupo é receber o maior número possível de originais de autores brasileiros, africanos e portugueses.

Os romances agraciados com a premiação serão publicados por uma das editoras do grupo e vão ser distribuídos simultaneamente em todos os países que adotam oficialmente a língua portuguesa. Podem concorrer ao prêmio autores de qualquer nacionalidade. O prazo máximo para o envio dos originais é 15 de junho de 2008.

O vencedor do prêmio será anunciado na Feira do Livro de Frankfurt, em outubro deste ano.

O regulamento do Prêmio Leya pode ser acessado em www.leya.com

Sobre a Leya

Leya, maior empresa editorial portuguesa, nasceu em janeiro de 2008 como uma holding de 12 editoras. Com sede em Lisboa, o grupo compreende as Edições ASA, a Editorial Caminho, as Publicações Dom Quixote, a Gailivro e as Edições Nova Gaia, a Texto Editores, as Edições Ndjira (Moçambique), as Edições Nzila (Angola) e também as editoras Caderno, Lua de Papel, Oceanos e Livros d'Hoje.

Com sede em Lisboa, a Leya é hoje a maior empresa editorial portuguesa, líder no mercado de edições gerais.

Ocupa também lugar de destaque no mercado do livro didático e paradidático. Entre os autores no catálogo das editoras do grupo estão José Saramago, Antonio Tabucchi, António Lobo Antunes, José Cardoso Pires, Sophia de Mello Breyner Andersen, Pepetela, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, João Ubaldo Ribeiro, Graciliano Ramos, Moacyr Scliar, Mário de Carvalho, Mia Couto, Gonçalo Tavares, entre outros grandes nomes do mundo lusófono.

Estamos a disposição para maiores esclarecimentos.

Atenciosamente,

...


Aí eu paro e penso, "Pô, eu deveria ter passado dois anos tentando escrever o melhor romance inédito em língua portuguesa dos últimos tempos e ganhar cem mil euros ao invés de ter passado dois anos tentando escrever uma inócua dissertação de mestrado em estudos literários e ganhar oitocentos e tantos reais ao mês durante dois anos, que coisa." - é rir pra não chorar, rs...

Mas, sério, se alguém (Cris? Alex? rs) tiver um calhamaço na gaveta e quiser arriscar... Ajudo com revisão, crítica e trabalhos "técnicos" afins - e aceito uns míseros... mil euros pelo serviço, em caso de vitória, claro, rs. ;)

(agradecimentos - sinceros, sim, piadas à parte, rs; a intenção valeu, mas me assustou, rs - à professora M...)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

(but) I like it

O trabalho tem me mantido bastante ocupada - e, acreditem, estou gostando. Mesmo.* Mais sobre o assunto em outro post, talvez - uma espécie de confissão de amor? rs

Domingo passado sem lembranças, exceto pela madrugada adentro trabalhando e assistindo a seriados inúteis de TV ao lado da minha irmã - ato raro, mas não falho, digamos. Gostei.

Segunda acordando com um telefonema técnico - "Gostaria de saber se você ainda tem interesse nas quitinetes..." -, seguido de um copo de leite com Toddy e aveia. Manteiga de amendoim demais na noite anterior, rs.

Segunda marcando datas, corrigindo provas, anotando números, folheando livros e pensando em aulas - "You should know better than to judge a book by its cover, Bruna." -, a ótima surpresa de um 18,3/20,0 após uma noitada de festa, rs.

Segunda cozinhando metade do almoço, o quarto de metirinha ( = soja) e o quarto de verdade ( = frango), rs - "Mas é bom isso mesmo, né?" -, o risco de acabar desbancando minha especialidade ( = gororoba, claro, rs).

Segunda recolhendo roupa do varal - "Hum, mas eu deveria estar vestida pra isso..." -, em seguida tomando banho e usando uma do casal de toalhas lavadas no dia anterior.

(Sim! As lembranças do dia anterior... Café-da-manhã tomado, trabalho abordado, louça lavada, almoço preparado, toalha da mesa lavada, roupa limpa-semilimpa-suja separada, roupa lavada, unha da mão cortada, roupa útil-semiútil-inútil separada, quarto semiajeitado, banho não-tomado, corpo semiatirado-na-cama - é, acho que foi isso.)

Segunda separando coisas que sei que, como de costume, serão levadas mas não usadas e, horas antes já, um telefonema técnico urgente - "Preciso desligar, que a minha irmã quer usar o telefone pro serviço, mas já ligo de volta, tá?"

Segunda com a bolsa e o passo leves no meu, como havia lembrado e agora relembro, caminho da roça, excepcionalmente difícil não flutuar na leitura, âncora excepcional à parte - "But these things now belonged to the past, and he was flying towards the future."

Segunda co-working and having a co-conversation, let's terribly say, com uma colega de trabalho - "Ele tem uns sete mil livros.", "Nossa, que sonho!..." -, boa sorte nas nossas respectivas tarefas do dia.

Segunda cumprindo satisfatoriamente as tarefas excepcionalmente designadas - "It was a pleasure meeting/seeing you too." -, como de costume desejando sinceramente um boa-noite-sydney.

Segunda tendo a leitura interrompida por um ô-bruna - "'Goodbye, Dimitri,' he said. 'It was nice seeing you.' It was not true, this time, but he felt he had to say it." -, vontade de lhe dar o braço numa curta caminhada lado-a-lado, pasta-a-pasta, tal-pai-tal-filha, rs.

Segunda contando notas, escrevendo nota - "Vê se se cuida, hein?" -, um satisfatoriamente enovelar-se em laços de família, interrompidos por um telefonema pretensamente semitécnico interrompido.

Segunda encerrada com a rendição a um copo de leite com Neston e açúcar, interrompido pela seqüência do tal telefonema pretensamente semitécnico anteriormente interrompido -

(P.S.: Segunda tendo que acordar cedo amanhã - "Trabalho das duas às dez." -, e tanta teimosia, e tanta tentação.)

* Vontade original de "Work has kept me quite busy - and, believe me, I like it. Really."

(créditos a Arthur C. Clarke segundo David Maule)

sábado, 26 de abril de 2008

TULIBU DIBU DOUCHOO!...

[autocitação]

Oi, pessoal (feliz ano velho já a alguns! rs)!


:)

Permitam-me invadir suas caixas de entrada - não resisti!...

A quem, como eu, acha que uma boa (na boa mesmo, pobre da moça, rs, mas é inevitável - além de, sério, "lingüisticamente interessante", rs...) risada (ainda que nem tão "inocente" assim, eu sei, e como) às vezes cai bem...

Da Bulgária para o mundo, o hit "Ken Lee" (não, não é o amante oriental da Barbie, como, acreditem, pensei que fosse, rsrsrs!), rs!

Mais informações em entrevista exclusiva (ver anexo antes):

http://www.youtube.com/watch?v=0wwyeuaP_mI

(D..., a você, que já me disse que, às vezes, em matéria de inglês, mais vale impressionar, rs...)

(F..., a você, meu mentor no [sub?]mundo da música e da internet, como não? rs)

(F..., a você, pela nossa época de Bon Jovi, rs!...)

(G..., a você, com quem eu teria muito sobre o que conversar, vídeo à parte, rs, carinho e gratidão, sempre)

(I..., a você, que, aliás, já deve conhecer pela M..., rs, motivo para reflexão lingüística, sério! rs)

(J..., a você, mais uma história pra você contar tão bem, rs - retribuição pela carona de hoje?)

(J..., a você, minha priminha querida, orgulho inclusive, imagino, quando o assunto é inglês, rs...)

(K..., pra você compartilhar com quem achar que vale a pena - encher o saco, rs...)

(G..., rs, a você, mais uma amostra das tosquices com que me divirto, sorry, rs...)

(C...!, a você, para incentivá-la nos seus estudos desse belo - e famigerado, rs - idioma, rs...)

(M..., a você, também para motivá-la a tentar um dia! rs)

(B..., a você, que admiro, entre outras coisas, pela genuína dedicação às línguas, em especial às assim-chamadas "exóticas" - divirta-se!... rs)

(R..., a você, RSRSRS, jurada-mor de todas as tosquices neste mundo!...)

(S..., a você, eterna colega de orientação vocacional e bixete, rs...)

(S..., a você, CLARO, rsrsrs, pelas nossas sessões de brincar-de-cantar, das quais só o inglês se salvava mesmo, rs!...)

(T..., a você, para provar que você fala, sim, inglês, minha amiga!... rs)

(N..., a você, em memória das risadas de antigamente, muito antigamente, infelizmente... rs)

Abraços-amigos a todos!

B... (ainda cantarolando "tilibu* dibu douchoo", rsrsrs!).

P.S.: Lembrei de uma aluna, "Pelo menos agora a gente canta inventando a letra com palavras que existem!", rs - como professora, me senti realizada, rsrsrs!... ;)

[fim de autocitação]

* errata: "tulibu" ao invés de "tilibu"


(agradecimentos a todos aqueles cujas identidades - óbvias? rs - foram preservadas - mesmo? rs)

(agradecimento especial à tão-corajosa moça - sim, sério, como não?)


P.P.S.: O título do post acaba de me lembrar o grito do Fred Flintstone!!!... RSRSRS Sim, eu me divirto - sozinha mesmo (sozinha mesmo, é?), "feliz" que sou, rs...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

crafts

"The most merciful thing in the world, I think, is the inability of the human mind to correlate all its contents."

- Lovecraft, "The call of Cthulhu" -

Obrigada, Alex - que encontrei verdade em conto, sábado de ontem, que presente mesmo.
À vontade, Alex - que encontre verso em canção, sábado de amanhã, mesmo que empréstimo, rs.

P.S.: E o Hawthorne!... :)



quinta-feira, 24 de abril de 2008

(no) quarto

quis nunca te perder
tanto que demais
via em tudo o céu
fiz de tudo o cais
dei-te pra ancorar
doces deletérios
e
quis ter os pés no chão
tanto eu abri mão
que hoje eu entendi
sonho não se dá
é botão de flor
o sabor de fel é de cortar.


eu sei, é um doce te amar

o amargo é querer-te pra mim.
do que eu preciso é lembrar, me ver
antes de te ter e de ser teu
muito bem...

quis nunca te ganhar

tanto que forjei asas nos teus pés
ondas pra levar
deixo desvendar
todos os mistérios.

sei, tanto te soltei

que você me quis em todo lugar
lia em cada olhar quanta intenção
eu vivia preso!

eu sei, é um doce te amar

o amargo é querer-te pra mim.
do que eu preciso é lembrar, me ver
antes de te ter e de ser teu
o que eu queria, o que eu fazia, o que mais,
que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?
não sei mais!
os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais
e mesmo assim eu sei tão bem: existe alguém pra me libertar!

Los Hermanos, "Condicional", 4. Ouvindo pra poder emprestar. Opinião geral, bem melhor do que o um, é sim. Opinião pessoal, mais poesia do que música, será não?

P.S.: Vontade de poesia, na lembrança (esta, outra), no quarto (este, outro), em mim (esta outra).

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Meu (Oz)

Hana Gonen, trinta anos, nascida em Jerusalém, é casada com um geólogo - o "meu Michel" - calmo, trabalhador, sensível, um bom cidadão que, ao contrário da mulher, se recusa a estender seus sonhos para além da linha do despertar. Para Michel, o tempo presente é a matéria dócil com a qual se deve moldar o futuro. Já Hana se apega à memória e às palavras como quem se agarra a um parapeito num lugar muito alto.

Com o passar do tempo, como uma ravina no deserto - tema da tese de doutorado de Michel -, a fenda entre os dois se alarga. Abandonada aos próprios pensamentos, girando em volta de si mesma, o mundo exterior aos poucos deixa de ser uma referência para ela. Os contornos se borram. Schízo - em grego, "cisão", "separação" - é o termo para esse desgarrar-se da realidade, para o delírio que aos poucos cresce dentro de Hana como uma planta exuberante quando atos, desejos, memória e palavra não mais coincidem.

Presente de aniversário, o vigésimo quinto. Colegas do trabalho, o agora único. Dois autores israelenses, coincidência. Vale quase não trocado, viagem, atraso. Este terminado hoje, começado há bocado. O outro, começar, terminar, sabe-se lá quando. Ambos pela propaganda, livro pela quarta capa. Da primeira, esperava demais. Da segunda, seja o que eu quiser, espero.
.
mas certas passagens

[Quando Michel já estava lasso e saciado, disse a ele as palavras mais ternas que pude encontrar no coração: diga-me uma coisa, Michel, por que você disse uma vez que gosta da palavra tornozelo? Eu gosto de você por gostar da palavra tornozelo. Talvez não seja tarde para dizer que você é um homem gentil e sensível. Você é raro, Michel. Você vai escrever sua pesquisa e eu vou passá-la a limpo com uma linda caligrafia. Você vai fazer uma bela pesquisa, Michel, e Yair e eu ficaremos muito orgulhosos de você. Você também fará seu pai feliz. Novos dias virão. Nós vamos estar mais abertos um para o outro. Eu te amo. Na cantina do Terra Sancta eu já te amava. Talvez não seja tarde também para dizer o quanto adoro seus dedos. Não sei quais as palavras certas para dizer que eu quero muito ser sua mulher. Muito. // Michel estava dormindo. (...)]

["Matilda, essa é a senhora Gonen, minha esposa." // Matilda saiu. Michel pediu desculpas e dedicou uns cinco minutos à papelada. Provei o café e fiquei observando seu trabalho porque senti que Michel gostaria que o observasse naquele momento. Sentiu o meu olhar. Uma serena satisfação irradiava de seu rosto. Como é pouco o que devemos fazer para alegrar uma pessoa.]

me valem a pena

P.S.: E eu, que dele conheço outro quase o mesmo, gosto do modo como "ele" escreve como "ela", hum.
.
(em ordem, Milton Lando? e Amós Oz)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Impossível...

"(...) Não contei sobre eles porque o esquecimento tem logrado abrir suas brechas. Não há esforço humano que consiga resistir a ele. Meu plano era escrever tudo. Escrever tudo é impossível. Grande parte das coisas escapa para morrer em silêncio."

(Amós Oz, Meu Michel, capítulo 39)


segunda-feira, 21 de abril de 2008

trim-trim, hehe

Losing my religion (A ponto de desistir) - R.E.M. - Oh, life is bigger (Oh, a vida é maior) / It’s bigger than you (Ela é maior do que você) / And you are not me (E você não sou eu) / The lengths that I will go to (Os espaços* a que irei [até]) / The distance in your eyes (A distância nos seus olhos) / Oh, no, I’ve said too much (Oh, não, falei demais) / I set it up (Eu arranjei isso) / That’s me in the corner (Sou eu na esquina) / That’s me in the spotlight (Sou eu no holofote) / I’m losing my religion (A ponto de desistir) / Trying to keep up with you (Tentando acompanhar você) / And I don’t know if I can do it (E não sei se consigo) / Oh, no, I’ve said too much (Oh, não, falei demais) / I haven’t said enough (Não falei o suficiente) / I thought that I heard you laughing (Achei que tivesse ouvido você rindo) / I thought that I heard you sing (Achei que tivesse ouvido você cantar) / I think I thought I saw you try (Acho que achei que tivesse visto você tentar) / Every whisper (Cada sussurro) / Of every waking hour (De cada hora de despertar) / I’m choosing my confessions (Estou escolhendo minhas confissões) / Trying to keep an eye on you (Tentando ficar de olho em você) / Like a hurt lost and blinded fool, fool (Como um tolo, tolo ferido, perdido e cego) / Oh, no, I’ve said too much (Oh, não, falei demais) / I set it up (Eu arranjei isso) / Consider this (Considere isto) / Consider this (Considere isto) / The hint of the century (A dica do século) / Consider this (Considere isto) / The slip that brought me (O escorregão que me deixou) / To my knees failed (De joelhos falhou [fracassado?]) / What if all these fantasies (E se todas essas fantasias) / Come flailing around (Vierem se agitando por aí) / Now I’ve said too much (Agora falei demais) / I thought that I heard you laughing (Achei que tivesse ouvido você rindo) / I thought that I heard you sing (Achei que tivesse ouvido você cantar) / I think I thought I saw you try (Acho que achei que tivesse visto você tentar) / But that was just a dream (Mas era só um sonho) / That was just a dream (Era só um sonho) / That’s me in the corner (Sou eu na esquina) / That’s me in the spotlight (Sou eu no holofote) / I’m losing my religion (A ponto de desistir) / Trying to keep up with you (Tentando acompanhar você) / And I don’t know if I can do it (E não sei se consigo) / Oh, no, I’ve said too much (Oh, não, falei demais) / I haven’t said enough (Não falei o suficiente) / I thought that I heard you laughing (Achei que tivesse ouvido você rindo) / I thought that I heard you sing (Achei que tivesse ouvido você cantar) / I think I thought I saw you try (Acho que achei que tivesse visto você tentar) / But that was just a dream (Mas era só um sonho) / Try, cry, why try? (Tentar, chorar, pra que* tentar?) / That was just a dream (Era só um sonho) / Just a dream, just a dream (Só um sonho, só um sonho) / Dream (Sonho)


Ressuscitada graças ao Pânico na TV (sim, aquela tosquice, rs), que ontem "traduziu" a letra muito melhor do que eu, por sinal, rsrsrs ("Justin, trim / Justin, trim / Trimmm!"). Asteriscos (na minha versão, claro) para indicar "erros" propositais (coisas de pseudoliteratos, sim). Passagens (the distance in your eyes, até foto tem, rs) interessantes (oh, no, I've said too much), hum. E tem também o romance ("Escrevo porque quando era menina havia em mim muita força para amar e agora esta força está morrendo.", foto também) que estou lendo e que pretendo terminar ainda esta semana (vários posts, imagino). Dois projetos (joão e maria, ele e eu), talvez quatro (romance, relato). Abandonados ("'Que surpresa a senhora está preparando em segredo para nós? Um livro de poemas?'")? Mas a vontade de escrever ("Neguei."), a vontade ("Eu não quero morrer.")...

(R.E.M. e Amós Oz)

:) Parabéns, tia Tê! :)

Falando em sonhos (bizarros, rs), dois (mas a falta de paciência...): primeiro, três filhos, moleques, eu recebendo via celular um convite ("acordo às quatro amanhã mas gostaria de passar a noite de mãos dadas com você" - ãhn?! rsrsrs) de um maluco a fim de mim mesmo assim, rs, segundo, uma filha, mulata, eu refletindo acerca das implicações ("agora ela tem alguns dias mas não vai dar pra guardar segredo por muito tempo" - complicações? hum). Só eu (passo mal, rs), mesmo... P.S.: Welcome back to this crazy little world of mine (my pleasure, BTW)! ;)

domingo, 7 de outubro de 2007

Exegesis

- para Cris (et allii) -

Her green plastic watering can

(O regador de plástico verde dela)

[that’s my job]

(esse é o meu trabalho)

For her fake Chinese rubber plant

(Para a planta chinesa falsa de borracha dela)

[those are my clients]

(esses são os meus clientes)

In the fake plastic earth

(Na terra falsa de plástico)

[that’s our milieu]

(esse é o nosso meio)

That she bought from a rubber man

(Que ela comprou de um homem de borracha)

[those are those who’ve taught me and those who pay me for what I’ve learnt]

(esses são os que me ensinaram e os que me pagam pelo que aprendi)

In a town full of rubber plans

(Em um povoado* cheio de planos de borracha)

[those are our expectations]

(essas são as nossas expectativas)

To get rid of itself

(Para se livrar de si mesmo)

[that’s our secret]

(esse é o nosso segredo)

It wears her out, it wears her out

(Isso acaba com ela, isso acaba com ela)

[those are my feelings]

(esses são os meus sentimentos)

It wears her out, it wears her out

(Isso acaba com ela, isso acaba com ela)

[those are definitely my feelings]

(esses são sem dúvida os meus sentimentos)

She lives with a broken man

(Ela mora com um homem quebrado)

[that’s my dad]

(esse é o meu pai)

A cracked polystyrene man

(Um homem rachado de isopor)

[that’s definitely my dad]

(esse é sem dúvida o meu pai)

Who just crumbles and burns

(Que só desmancha e queima)

[that’s my dad, indeed]

(esse é o meu pai mesmo)

He used to do surgery

(Ele fazia cirurgia)

[that’s his job]

(esse é o trabalho dele)

For girls in the eighties

(Para garotas nos anos oitenta)

[that’s his job years ago]

(esse é o trabalho dele anos atrás)

But gravity always wins

(Mas a gravidade sempre ganha)

[that’s the result of his job]

(esse é o resultado do trabalho dele)

And it wears him out, it wears him out

(E isso acaba com ele, isso acaba com ele)

[those are his feelings]

(esses são os sentimentos dele)

It wears him out, it wears...

(Isso acaba com ele, isso acaba...)

[those are probably his feelings]

(esses são provavelmente os sentimentos dele)

She looks like the real thing

(Ela tem a aparência da coisa real)

[that’s either me or a lover]

(essa sou eu ou um amante)

She tastes like the real thing

(Ela tem o gosto da coisa real)

[that’s definitely any of us]

(essa é sem dúvida qualquer um de nós)

My fake plastic love

(Meu amor falso de plástico)

[that’s our attempt]

(essa é a nossa tentativa)

But I can't help the feeling

(Mas não consigo evitar essa sensação)

[those are my thoughts]

(esses são os meus pensamentos)

I could blow through the ceiling

(Eu poderia explodir pelo teto)

[that’s the thing in my throat]

(essa é a coisa na minha garganta)

If I just turn and run

(Se eu apenas me virasse e corresse)

[that’s my secret]

(esse é o meu segredo)

And it wears me out, it wears me out

(E isso acaba comigo, isso acaba comigo)

[those are my feelings]

(esses são os meus sentimentos)

It wears me out, it wears me out

(Isso acaba comigo, isso acaba comigo)

[those are definitely my feelings]

(esses são sem dúvida os meus sentimentos)

And if I could be who you wanted

(E se eu pudesse ser quem você queria)

[those are my tears]

(essas são as minhas lágrimas)

If I could be who you wanted

(Se eu pudesse ser quem você queria)

[those are my timeless tears]

(essas são as minhas lágrimas atemporais)

All the time, all the time

(O tempo todo, o tempo todo)

[those are my dream and my nightmare]

(esses são o meu sonho e o meu pesadelo)

Oh-oh, oh

[that’s my non-translatable silence]

(esse é o meu silêncio intraduzível)

* “erros” de tradução (eternamente em andamento, por sinal), em sua maioria, propositais

(créditos, entre outros, a Radiohead)

sábado, 14 de julho de 2007

Retomada, ou Liberté

Oui, retomo minha bastilha, mesdames et messieurs.

E escancaro-lhes duas outras portas, muitas:

http://ameba-symondevil.blogspot.com/

e

http://metafora.blogspot.com/

“The wrong words in the right places.”

A quem quer caminhos convergentes, liberté.

Fraternité, amigos. Amigos, égalité.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

sob(re) os sentidos

audição: Coldplay, Parachutes, o primeiro oficial – deles e meu deles

olfato: Hershey novo de brigadeiro, maçã desidratada Jasmine e pastilha Trident de canela – impregnados na caixinha do CD

paladar: Talento com recheio cremoso de avelã e Fandangos sabor presunto – vegetariana, sim, radical, não

visão: Freddie Mercury e Montserrat Caballé, Barcelona, 1992 – visão de outro mundo, o dos mortos, o da minha infância

tato: as pernas sob o efeito de gotas do tal Corpo a Corpo de extrato de chá verde e a mão direita ainda sob o efeito de horas do tal Satinelle Massage – sinestesia ou anestesia, outra questão

“entre o sim e o não, quantos talvez?” – uma tradução que, como tantas outras coisas, dentre elas frases acidentalmente novas para canções prematuramente velhas, não sei ao certo se existe só na minha cabeça

[créditos discretos ao tradutor da versão do Círculo do Livro para Rayuela – ou à minha imaginação ocasionalmente fértil – e ao Sr. Greimas]

sábado, 18 de novembro de 2006

Derretendo

Fazia tempo que eu não passava mal por causa do calor. Perfeito pra sair de casa, roupa leve, bebida gelada. Ontem estavam tocando blues, um p*ta blues, por sinal. Só não atravessei a rua e fui lá porque estava um bagaço. Agora estou melhor, depois de um pouco de sono e muita água, mas também não vou. Acordo cedo amanhã, um saco. Também, boa como ontem a música provavelmente não vai estar, mesmo... Sim, quem desdenha, rs. Letra para o dia de hoje:

Calor

- Adriana Calcanhotto -

Tarde turquesa

Quarenta graus

Talvez porque você não esteja

Tudo lateja

Tarde sem nuvem

Cincoenta graus

Talvez por sua ausência

Tudo derreta

Noite sem ninguém

Nada se mexe

Eu sonho nosso amor a sério

E você em outro hemisfério

Enquanto tudo derrete

Enquanto tudo derrete

Enquanto tudo parece

Derreter...

E, dica da Tan, que, por sua vez, recebeu a dica da Claudia, fiquei tentada a comprar um All Star numa loja virtual de Curitiba, rs. Mas não gosto de tênis. E tenho receio de comprar essas coisas com tamanho certo e tal online. Deixo a dica aos mais corajosos e interessados, tem muita coisa legal lá pra quem curte All Star. Coisa da minha infância, All Star, rs.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Cavalos que ladram

Até que morar com a minha mãe não é tão ruim assim. Até que dar aula pra crianças não é tão ruim assim. Até que acelerar o ritmo das aulas não é tão ruim assim. Tudo isso pelo pouco que pude experimentar disso tudo hoje. Deixando os apesares de lado, é bem capaz que eu acabe encontrando um lado filha, um lado mãe, um lado professora em mim. Que coisa – estranha? maravilhosa? fantástica? Brincar com as categorias do Todorov vá lá, querer ser boa filha e boa professora também, já se deixar levar pelo comprovadamente falso instinto maternal não, né? Era só o que me faltava. O pior é que essa minha inesperada atração por/em crianças – não, seus pervertidos!... rs – já está começando a me incomodar. Deve ser a idade, rs. Mas é criança que me procura pra brincar, é mulher grávida que me procura pra conversar... Confesso que fico meio lisonjeada – meio tentada?! Não, preciso me lembrar de que criança é uma gracinha no colo e no ventre dos outros. É, isso. Ah, e também preciso me lembrar de separar essas três coisas, filha, mãe, professora, claro. Diz a regra que não se deve misturá-las, ao menos no que diz respeito à coisa-professora, e eu obedeço.

E este final me lembrou Cortázar – “los caballos no ladran,” dice el doctor, y dice bien (“Inmiscusión terrupta”?) – e salvou a parte “arte” deste post. Não li nada, não ouvi nada nem remotamente relacionado a qualquer coisa mencionada aqui hoje e estava desesperada por uma idéia qualquer, rs. Bendito Julio, inquilino bem-vindo e perpétuo do meu subconsciente, que é tão pouco digno dele.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

O beijo

Não, seus pervertidos, é a minha mãe!... rs

Engraçado notar que, apesar de todas as (muitas) diferenças, sua mãe e você são (muito) mais parecidas do que pensavam. Mulheres, enfim.

Obrigada, mãe. Foi um dia adorável, como diriam, em inglês, claro, os falantes de inglês. Adorável pelas risadas, pelos conselhos e apesar das fotos, rs.

E me lembrei do Klimt e seu famoso beijo. Preciso colocá-lo aqui um dia também.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

De anjos e, ou De anjos a

Compensou chegar na aula às onze e ouvir que tenho uma boa impostação de voz. Imagine, fazer televisão. Teatro me atrai, sim, e me seria “útil”, inclusive, no sentido mais prático do termo mesmo. Mas me esqueci de dizer a ele que, quando criança, queria ser dubladora (dubladora? Whatever, dubladora, não dublê – desastrada que sou... Meu negócio parece mesmo ser voz, não corpo, embora o corpo, que hoje tanto me – anyway). Pena que precisa de licença de ator pra isso, pelo que eu saiba, ao menos se você não tem “Q.I.”. Fazer teatro, então, um dia, quem sabe. Vai que eu me descubro, vai que eu me encontro, ainda que num desses grupos da terceira idade, rs.

TV puxa teatro, teatro puxa cinema – então, falando nisso, pena que só havia eu pra ver Dois anjos, filme que me atraiu pelo cartaz mesmo, não me perguntem do que se trata, algo assim meio “cult”, pelo pouco que pude perceber. Véspera de feriado e quase ninguém no cinema, quase todo mundo pra ver as tais torres (que, sim, quero ver também, tendo visto já Vôo 93, mas hoje não cabia nos meus horários – hum, quem vê pensa!... rs) ou o tal grito, que coisa. Mas compensou descer de volta, parar na farmácia pelos frasquinhos coloridos, fingir um interesse que é meio verdadeiro por perfumes e acabar comprando três bombons diet deliciosos, uma supresa, rs.

Sim, e se um dia eu tiver uma banda (“se eu tiver uma banda”, rsrsrs!... Deveria escrever “se eu tivesse uma banda”, isso sim, mas...), na verdade, não eu, minha amiga Tania e eu, ela se chamará Caracóis do Mau. Se for gótica, boa sugestão da minha band partner, Grinaldas da Morte, que, aliás, parece coisa de viúva negra e tal, rsrsrs!... E se eu tiver outra banda, agora com a minha amiga Simone, ela se chamará Hamanaki, porque Minabata parece coisa de gente sádica, e a gente até que é boazinha, apesar de – deixa pra lá, rs. Os possíveis nomes pra minha impossível banda com a Si vêm dos nossos sobrenomes, claro. Já os possíveis nomes pra minha também impossível banda com a Tan deixo pra vocês adivinharem de onde vêm. Não, como eu disse que sou até que boazinha, um deles explico abaixo – o outro, dica: vem de um livro infantil de um escritor gaúcho que é um dos meus favoritos, nacional e internacionalmente falando. Pois é, não digo o nome do livro porque não me lembro, só isso, na verdade, rs...

Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o: era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal-apertados... Era uma defunta!... (...)

E continua com uma cena de necrofilia, logo desfeita por catalepsia, seguida por delírio e morte, enfim. Sim, Álvares de Azevedo em seu “lado negro”, como vocês bem conhecem, o meu preferido, aliás, a história de Solfieri, uma das minhas preferidas, talvez, junto, se bem lembro, com a de Johann, em Noite na taverna, um dos meus livros preferidos, que há tempos gostaria de adaptar para o teatro, grandíssima pretensão a minha – ah, sim, por que não?, e encenar também, talvez num dos papéis masculinos, por que não?, pretensões maiores ainda, rs.

E a ponte me lembrou, e os girassóis (não, não há girassóis no Alvinho, como carinhosamente o chamávamos, não que eu lembre, pelo menos, e sim no Caio – estão vendo só? Entreguei o autor já, agora só falta eu me lembrar do livro, rs) me lembraram... Fantasmas. Damned little morbid side of mine, rs.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Horas muy buenas, ou Conspiração

O cartaz aí em cima serve mais pra enganar, mesmo. Não que eu tenha ido ao cinema só pra enganar, muitíssimo pelo contrário, se tem coisa que não faço é isto, e, por sinal, detesto quem o faz, mas é que não me considero apta a tecer comentário algum sobre o filme tendo-o visto assim, pensando no livro há pouco mal começado e tal. Poderia dizer que o som, poderia dizer que a chuva, poderia dizer que os animais, poderia dizer que os atores, em sua imensíssima maioria, mas prefiro me calar, ao menos até uma próxima vez, se é que haverá uma próxima vez, e até o final do romance. Romance sobre o qual o próprio autor escreveu, aliás:

(...) Quando eu terminei O Veneno da Madrugada, meu primeiro romance, dei os originais a vários amigos, desses que costumam ser muito críticos, e eles me disseram: “Parabéns, é boa, mas, claro, não é um grande livro.” Devem ter notado alguma coisa no meu rosto, porque se apressaram a acrescentar: “Nenhum primeiro romance é um grande romance.” Sofri uma desilusão tremenda. Pensava: “Agora sim, me danei. Sou incapaz de escrever alguma coisa melhor do que esse livro.” Senti que o meu mundo caía, e não conseguia parar de repetir: “Eu me danei, me danei....

O romance, no entanto, está me agradando (tanto que até já copiei um trecho dele por aqui, trecho encenado, aliás, com modificações que, sei lá, viu?) – o filme, por outro lado... Mas eu disse “sem comentários por enquanto”, e vou tentar cumprir o que disse, apesar de saber muito bem que já descumpri, que nas entrelinhas, como sempre, me entrego, coisa que até um cego pode ver, e que não vem ao caso aqui. E falando nisso, e citando o Gabo, me lembrei, pela segunda vez nesta atualização de hoje deste blog tosco, neste que é o segundo post do dia, porque o de amanhã é, na verdade, o de hoje, já de ontem, pelo horário, sendo bem precisa, e o de hoje é, na verdade, o de ontem, ou o de anteontem, precisão e tal, então, me lembrei de algo, alguém, sendo bem precisa, que – que absolutamente não deveria vir ao caso aqui, mas que vem, e como vem, e como sempre, e com muitíssima mais freqüência do que eu gostaria de que viesse, já que não vem de fato e tal, e talvez pra minha própria sorte, ainda que pro meu próprio azar...

De volta ao assunto, porque é o mesmo assunto, embora não pareça, foi legal encontrar o Caio no SESC ontem (que, como vocês sabem, não é ontem, mas tudo bem, façamos de conta que é), foi legal ir à Zoom com ele hoje (que, sim, como vocês sabem, etc.), foi legal reclamar, saudade tanta, do nosso casal de amigos que morreram pro mundo pra viver só um pro outro, a coisa mais estupidamente romântica que já vi, rs, foi legal falar sobre (in)definições sexuais e outros (pre)conceitos, foi legal parar num bar em que eu nunca tinha tido coragem de parar antes, rs, foi legal conversar com a “tiazinha” do carrinho de lanche, porque pra conversar só não importa se a gente é ovolactovegetariana ou não, e foi legal dividir uma cerveja depois de tanto tempo bebendo sozinha. Preciso fazer isto mais vezes, beber acompanhada, não sozinha, é claro, que sozinha eu já bebo quase sempre.

Ah, já ia me esquecendo de duas coisas não menos (talvez até mais, na verdade, mas quem sou eu pra julgar qualquer coisa?) importantes: a história que o João nos contou sobre o médico jovem lá de Ribeirão, esperança de um futuro melhor, e a conversa que minha mãe e eu tivemos neste fim-de-tarde, esperança de um futuro melhor?...

Mas isso de primeiros romances... Primeiros álbuns conheço vários que são grandes, sim, no sentido de grandiosos mesmo. Vou prestar mais atenção às estréias dos romancistas, então, depois lhes conto o que deduzi deste assunto. Só sei que, em geral, tudo que é primeiro, é primeiro, vocês sabem.

(créditos que estavam nas entrelinhas: Ruy Guerra e Gabriel García Márquez)

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Que Malwee o quê!...

Rock de excelente qualidade à tarde e, à noitinha:

Alguém total

Composição: Luiz Tatit e Dante Ozzetti

Vem me abraçar, vem

Vem reparar bem

Quem é que abraçou quem

Pois vou lhe abraçar também

Quem dá um abraço

Não sabe se deu

Ou se devolveu

Ou se perdeu

Quando o abraço sai de alguém e não volta

Não envolveu

Anunciou

Renunciou

Dissolveu

Vem me abraçar, vem

Vem reparar bem

Quem é que abraçou quem

Pois vou lhe abraçar também

Quem quer um pedaço

Um pouco de alguém

Abraçando tem

E ainda mais

Se o abraço for além de um minuto

Aí é fatal

Envolveu

Você tem

Um alguém total

E eu ADORO abraços!... :)

domingo, 12 de novembro de 2006

Da madrugada

“A sexta-feira amanheceu morna e seca. O Juiz Arcadio, que se vangloriava de fazer amor três vezes por noite desde que o fizera pela primeira vez, rebentou naquela manhã os cordões do mosquiteiro e caiu no chão com sua mulher no momento supremo, enredados os dois na cortina de renda.

- Deixe assim. - murmurou ela. - Depois eu ajeito.

Surgiram completamente nus por entre as confusas nebulosas do mosquiteiro. O Juiz Arcadio foi ao baú apanhar umas cuecas limpas. Quando voltou, sua mulher já estava vestida, pondo o mosquiteiro em ordem. Passou sem olhá-la, e sentou-se do outro lado da cama para calçar os sapatos, a respiração ainda alterada pelo esforço do amor. Ela o perseguiu. Encostou em seu braço o ventre redondo e tenso e lhe mordeu a orelha. Ele a afastou com suavidade.

- Deixe-me quieto. - disse.

Ela soltou uma gargalhada cheia de boa saúde. Acompanhou o marido até o outro extremo do quarto, tocando-lhe os rins com os indicadores. “Anda, burrinho”, dizia. Ele deu um salto e lhe afastou as mãos. Ela o deixou em paz e voltou a rir, mas de repente ficou séria e gritou:

- Jesus Cristo!

- Que foi? - perguntou ele.

- A porta ficou aberta de par em par. - gritou. - Já é muita falta de vergonha.

Entrou no banheiro às gargalhadas.”

Trecho de O veneno da madrugada, cujo título original é La mala hora – preciso terminar de ler pra ver se entendo o porquê dessa tradução... Pena que não vou conseguir antes de ver o filme, amanhã, ou segunda, não sei.

(créditos: Gabriel García Márquez, em tradução de Joel Silveira)

P.S.: Happy birthday to you, Rê!... :)

sábado, 11 de novembro de 2006

Programação de 10/11/2006, ou Fácil?

Manhã:

- On peut faire passer le hoquet en buvant un peu d’eau avec la tête baissée.

[- Pode-se fazer passar o soluço bebendo-se um pouco d’água com a cabeça abaixada.]

O negócio é conseguir beber água com a cabeça abaixada!...

Tarde:

“Narrar es fácil (...) si uno ha vivido lo suficiente para captar el orden de la experiencia.

Como diria a Madonna, “hope I live to tell”, rs.

Noite:

- Não tô perseguindo você, não. É que é mais fácil pra mim aqui.

- Claro!...

De um telefonema a um ônibus, preciso escrever (mais) um e-mail!

(créditos (a)creditáveis: Ricardo Piglia, apud Profª. Drª. Neide T. Maia González)

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

E(u)quador, ou "... a lo maravilloso"













Não encontrei a imagem que gostaria de ter encontrado, mas encontrei essa do Dalí e me lembrei imediatamente dessa do Julio (intertextos?). Pena que não os posso fazer encarar – cada um com a sua respectiva lupa, cada um com a sua respectiva mirada –, um ao outro aqui. Mas quem sabe um dia, em paredes opostas de uma suposta casa minha futura, labirinto de referências?...

Adorando ouvir “espanhol de verdade” assim, por dias seguidos, e me indignando contra “espanhóis de mentira” desnecessários. Lembranças de dois amigos – cada um com a sua respectiva distância, cada um com a sua respectiva importância –, cidades, universidades, o norte e o sul. Eu, equador. Euquador. Eu-coador. Eu co’a dor. Trocadilhozinhos interessantes, rs. Sim, mas quem sabe um dia?...

(créditos de parte de parte do título: Profª. Drª. Teresa Cabañas)

P.S.: E adorei meu cabelo novo, ainda mais curto!... :)

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Minha lista de compras, ou R$57,90

kiwi

maçã verde

pêra portuguesa

leite desnatado

toddy

farinha láctea

farinha de aveia

aveia em flocos finos

café solúvel

chá tipo Índia

chá tipo abacaxi e hortelã

pão light tipo aveia

pão light tipo iogurte

escova de dente

fio dental

enxaguador bucal

desodorante tipo roll-on

curativo tipo band-aid

Pele de urso, ovo de galinha - ou Quase um feitiço

Frase do dia, a qual nada tem a ver com o dia, mas...:

“Ne vends pas la peau de l’ours avant de l’avoir tué.”*

Ou, em bom português:

“Não conte com o ovo antes de a galinha botar.”

Explicação interessante:

“Lá eles têm urso, aqui a gente tem galinha, oras, rs.”

*literalmente, “Não venda a pele do urso antes de o ter matado.”

(créditos: sabedoria do povo francês, sabedoria do povo brasileiro e sabedoria da Livia)

P.S.: Autocitação: "Feliz aniversário, senhor fotógrafo cortazariano!... :)"

terça-feira, 7 de novembro de 2006

No mistakes, ou Just tango on


Citando meio que de memória:

“There are no mistakes in tango. Not like life. Simple... That’s what makes tango so great. It’s simple... If you make a mistake, if you get all tangled up, you just tango on.”

[“Não existem erros no tango. Diferentemente da vida. Simples... Isso é o que faz o tango tão grandioso. É simples... Se você comete um erro, se você fica todo enrolado, você simplesmente continua dançando.”]

Vontade de voltar a fazer aula!... Mas... E o parceiro?! Saco, rs.

(créditos ao diretor e ao roteirista de Perfume de mulher pela imagem e pela frase)

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Barcelona Babilônia


[Wendy, anglófona, tentando explicar, por telefone, à mãe de Xavier, francófona, que ele está na faculdade:]

Wendy: Xavier’s gone to school. Okay? (O Xavier foi pra escola. Certo?)

Xavier’s Mother: Ah, oui! Il est à la fac. (Ah, sim! Ele está na faculdade.)

Wendy: What? (Quê?)

Xavier’s Mother: La fac! (A faculdade!)

Wendy: La fuck? (A foda?)

Xavier’s Mother: Yes. After fac he can telephone maman. (Sim. Depois da faculdade ele pode telefonar pra mamãe.)

[Wendy, gastando o seu “francês”, após essa breve conversa telefônica com a mãe de Xavier:]

Wendy: I’m going to fuck. (Vou à foda. / Vou foder.)

Trocadilho engraçadíssimo, rs. Uma tradução melhorzinha para o português seria, talvez, “facul” para “fac” e, adaptando para justificar a confusão pela sonoridade, “cu” para “fuck” (hum, melhor nem arriscar uma outra versão pra última frase da Wendy, então, rsrsrs), mas acho que dá pra entender a idéia. Mais citações, especialmente sobre a vida em uma nova cidade (ah, tem também a cena, hilária, em que a amiga lésbica de Xavier lhe dá uma aulinha sobre como, digamos, “abordar” uma mulher, rs), assim que eu conseguir assistir ao DVD novamente, com legendas em francês, porque não vou copiar a tradução para o inglês das citações lá do IMDb se o filme não é em inglês, claro. Chata, eu sei, rs. Mas o filme é muito bacana, estilão comédia inteligente. Sem contar que podemos ouvir um bocado de línguas diferentes, francês, espanhol, catalão, inglês, acho que até holandês, se não me engano... Verdadeira torre de babel, uma delícia. Vi no cinema quando saiu e comprei recentemente, pra mim e pra uma amiga que o adorou e o “encomendou” comigo. Agora vou sempre me lembrar dela quando pensar nesse filme, legal. Legal também seria fazer o que o protagonista faz (sim, passar um ano em outro país também, mas não só isso – sem contar que, sim, já dividi, ainda que por pouco tempo, uma “moradia estudantil”, saudade!..., e posso dizer que o filme retratou muito bem as pessoas legais e as coisas legais, mas convenientemente “atenuou” as pessoas chatas e as coisas chatas, rs), jogar tudo pro alto e se dedicar a um antigo sonho, escrever. Quem me dera. Ah, e quem me dera fazer flamenco também!!! rsrsrs

(créditos a Cédric Klapisch)

domingo, 5 de novembro de 2006

Dimensões paralelas

Aquarius / Let the sunshine in

- The Fifth Dimension -

When the moon is in the seventh house / And Jupiter aligns with Mars / Then peace will guide the planets / And love will steer the stars / This is the dawning of the age of Aquarius / Age of Aquarius / Aquarius! / Aquarius!

[Quando a lua estiver na sétima casa / E Júpiter se alinhar com Marte / Então a paz guiará os planetas / E o amor conduzirá as estrelas / Este é o despertar da era de Aquário / Era de Aquário / Aquário! / Aquário!]

Harmony and understanding / Sympathy and trust abounding / No more falsehoods or derisions / Golden living dreams of visions / Mystic crystal revelation / And the mind’s true liberation / Aquarius! / Aquarius!...

[Harmonia e entendimento / Simpatia e confiança em abundância / Nada mais de falsidade ou desprezo / Vivos sonhos dourados de visões / Revelação mística de cristal / E a verdadeira liberação da mente / Aquário! / Aquário!...]

Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in / Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in / Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in...

[Deixe o brilho do sol, deixe o brilho do sol entrar, o brilho do sol entrar / Deixe o brilho do sol, deixe o brilho do sol entrar, o brilho do sol entrar / Deixe o brilho do sol, deixe o brilho do sol entrar, o brilho do sol entrar...]

Oh, let it shine, c’mon / Now, everybody, just sing along / Let the sun shine in / Open up your heart and let it shine on in / When you are lonely, let it shine on / Got to open up your heart and let it shine on in / And when you feel like you’ve been mistreated / And your friends turn their back on you / Just open your heart, and shine it on in* / You got to feel it, you got to feel it...

[Ah, deixe-o brilhar, vamos / Agora, todo mundo, cantem junto / Deixe o sol entrar e brilhar / Abra o seu coração e deixe-o entrar e brilhar sem parar / Quando você estiver só, deixe-o entrar e brilhar sem parar / Tem que abrir o seu coração e deixá-lo entrar e brilhar sem parar / E quando você se sentir como se tivesse sido maltratado / E seus amigos derem as costas pra você / Apenas abra o seu coração, e entre e brilhe(-o?) sem parar* / Você tem que sentir, você tem que sentir...]

*trecho estranho, no original e na tradução, acho

Divertidíssimo, rs. Tosquice pouca é bobagem – por isso traduzo, pra ficar mais tosco ainda, rs. É nada, traduzo por consideração à Rafa, ainda que ela não apareça mais por aqui, rs. E, de acordo com um certo site, meu signo me torna toda emoção, enquanto meu ascendente me torna toda razão. Pronto, tá explicado, rs. Ah, e está faltando um pedaço – da letra, claro. Claro?

sábado, 4 de novembro de 2006

Vitae mesmo?

Eu, que não sou eu, e sim Ela

possui graduação em Letras, tendo obtido os diplomas de bacharel (2004) e licenciada (2005) em Língua Portuguesa e Língua Francesa pela Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCL/CAr), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em pesquisa e ensino, trabalhando principalmente com os seguintes temas: estudos literários, semiótica, literatura comparada, intertextualidade, narrativa, conto, línguas estrangeiras modernas. Atualmente, é mestranda em Estudos Literários, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan e com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), e graduanda reingressante em língua alemã, pela mesma faculdade. Atua também como professora voluntária em um projeto social na cidade de Araraquara - SP.

Não, não se parece muito comigo, ainda mais escrito assim, em terceira pessoa, “possui”, “tem”, “é”, “atua”. Normas do CNPq. No Lattes, não há espaço para outros verbos e outras pessoas, uma pena.

E já me disseram que eu abuso da primeira pessoa do singular, "eu", "eu", "eu", egoísmo, egotismo, egocentrismo, será?

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Reconhecimento

poderia colocar a letra de “roda viva” aqui, já que estou ouvindo o programa agora e ouvi a canção várias vezes esta tarde, mas deixo, mais uma coisa, pra depois

Porque hoje escolho outra, outra que me surpreendeu:

Take it back - Her love rains down on me as easy as the breeze / I listen to her breathing, it sounds like the waves on the sea / I was thinking all about her, burning with rage and desire / We were spinning into darkness; the earth was on fire / She could take it back, she might take it back some day / So I spy on her, I lie to her, I make promises I cannot keep / Then I hear her laughter rising, rising from the deep / And I make her prove her love for me, I take all that I can take / And I push her to the limit to see if she will break / She might take it back, she could take it back some day / Now I have seen the warnings, screaming from all sides / It’s easy to ignore them (and) G-d* knows I’ve tried / All of this temptation, it (now? all?) turned my faith to lies / Until I couldn’t see the danger or hear the rising tide / She can take it back, she will take it back some day / She can take it back, she will take it back some day / She will take it back, she will take it back some day

(a tradução sai assim que eu estiver com saco e tempo pra fazer isso – sorry, Rafa, se você estiver aí...)

* respeito a opção dos autores por não grafar a palavra “God” (“Deus”, claro) por inteiro(a? Preciso mesmo estudar português), sabe-se lá por que motivos, que não cabe a mim questionar, já aprendi, e foi uma lição e tanto, a não sair por aí questionando questões de (des)crença a torto e a direito, embora às vezes o faça, e, que fique bem entendido, você lê, por sua conta, não minha, apenas se quiser, aqui neste espaço de livre-circulação de idéias e outros tipos de (não-)mercadoria mais ou menos barata

(entre parênteses estão as coisas que acho que escutei ou não escutei, vai saber...)

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Não a reconheci ao ler a letra, só ao ouvir o refrão, e acho que sei por quê: de tudo o que ouvi deles até agora, e não é muito, mas também não é tão pouco assim, graças às minhas mais recentes aquisições, The division bell incluso, álbum no qual esta canção está inclusa, aliás, como eu dizia, de tudo o que ouvi deles até agora, esta é, sem sombra de dúvidas, a coisa mais POP (sim, contando tanto com a “Another brick in the wall”, que quase ninguém, inclusive eu, sabe dizer ao certo qual das another-brick-in-the-walls é, tamanho o sucesso desta de que tratamos, quanto com a “Wish you were here”, que a imensa maioria das pessoas, inclusive eu, ouve pela primeira vez e pensa tratar-se de uma baladinha-para-corações-partidos – embora não deixe de ser, de uma certa forma –, e tudo) que eu jamais poderia imaginar!!!... rs Tanto que nem soa como Pink Floyd. Sim, Pink Floyd, ó, você, leigo como eu, você que, certamente, concordaria comigo, acho (me divirto com os meus “certamente, acho”, claro, rs). Claro que não escrevi o nome deles lá em cima pra não estragar o efeito-surpresa, rs. Nada contra o POP, muitíssimo pelo contrário, como bem o sabem os amigos e/ou os conhecidos que esquadrinham a mim e/ou à minha cedeteca, ambas (ela mais do que eu, que vivo fazendo combinações, de olhares, de gestos, de palavras, sobretudo, ficção, pra ver se consigo disfarçar essa minha incurável timidez) desavergonhadamente expostas a olhares curiosos. Ecletismo é palavra de ordem por aqui (como, aliás de novo, você já deve ter notado por aqui mesmo, agora falando deste blog tosco, como carinhosa e depreciativamente o chamo), ao menos no que se refere a música, cinema, literatura e afins. Mas que este foi, no mínimo, um reconhecimento extremamente engraçado, ah, foi!... Coisa da minha pré-adolescência, coisa que eu ouvia em rádio, caramba!... rs Coisa romantiquinha (a estudiosa-de-teorias-literárias em mim faria uma breve análise da letra aqui, se tivesse tempo e paciência pra isso e achasse que você aí também tem tempo e paciência pra isso, uma análise indicando, entre outras coisas, esse joguinho de poder entre Ele e Ela, com uma aparente vantagem, muito frágil, d’Ele sobre Ela, vantagem que mal e mal se sustenta ao longo de toda a letra e se desfaz justamente no refrão), quem diria – quem diria que o Floyd gravaria uma coisa dessas, não quem diria que eu ouviria uma coisa dessas, fãzaça de Bryan Adams (sim, isto mesmo que você leu, rsrsrs) que era e, hum, detesto confessar, mas há pecados dos quais não consigo me livrar (este deve ser por causa da minha primeira e longuééérrima história de amor platônico, que um dia ainda conto por aqui, se encontrar um motivo, e até já encontrei, uma placa na fachada de um escritório de advocacia, mais detalhes numa próxima ocasião, não quero perder o fio da meada), sou, mas só um pouquinho, fã só, não mais fãzaça, rs. Mas ainda curto “Have you ever really loved a woman?”, assim como curto, mais ainda, o filme, claaaro, rs. Quem me conhece, e nem precisa ser direito, sabe, todo mundo, Johnny Depp e tal. Post mais adolescente este, não? Coitado do Floyd. Mas a culpa foi deles, ora! Ninguém mandou gravar algo assim, tão “adolescente” mesmo, no bom e no mau sentido do termo, acho. E quem disse que eles não eram “adolescentes” (não, não na época dessa canção, não mais, eu sei, ao menos não mais cronologicamente falando e tal), adolescentes segundo os padrões de sua época, obviamente, mas adolescentes também, também no bom e no mau sentido do termo? E, como disseram que sou uma “adolescente tardia”, tenho todo o direito de, como o fiz, colocar a faixa pra repetir durante vinte e tantos minutos e ir tomar banho, pensando em como é estranho pensar que eu conhecia Pink Floyd muito antes do que eu pensava, que pra mim eles eram she-can-take-it-back-she-will-take-it-back-some-day, de um álbum relativa(e também ironica)mente menos pop, e não we-don’t-need-no-education ou how-i-wish-how-i-wish-you-were-here, de álbuns imensa(e também relativa)mente mais pop. Pensando e curtindo, que nem só de pensar vive o homem, quem dirá as adolescentes tardias como eu.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Su(r)ja a alma

Era o que eu dizia ontem a uma amiga, que pior do que associar uma música, um filme, um livro ou o que seja a uma determinada pessoa (sim, leia-se, especial mas não exclusivamente, “uma determinada pessoa do sexo oposto, quando se é heterossexual, claro” nas entrelinhas) é associar uma música de que você já gostava, um filme de que você já gostava, um livro de que você já gostava ou o que mais de que você já gostava a uma determinada pessoa, entendem? Já tive que me acostumar à idéia de continuar ouvindo, vendo, lendo coisas de que passei a gostar por causa de determinadas pessoas (de ambos os sexos, se é que interessa – e, não, até onde sei, não sou bi, e digo “até onde sei” porque sei que nunca se sabe demais quando é este o assunto) das quais deixei de gostar depois, por um tempo ou pra sempre, e posso dizer que não é coisa das mais agradáveis. Não gosto nem de imaginar (embora não precise exatamente imaginar, acho; ao menos uma coisa ou duas de que já gostava já associo a alguém de quem deixei de gostar por um tempo, e não foi nada fácil) ter que me acostumar à idéia de continuar, claro, porque sempre gostei delas, ouvindo, vendo, lendo coisas de que já gostava e que passei a associar a determinadas pessoas. Coisa das mais agridoces, posso imaginar. Vou pesquisar, na contramão de uma certa (e sábia, mas, neste caso, um tanto quanto “contraproducente”, palavra chique, não? rs) sugestão, uma fórmula que separe o doce e o amargo, e depois publico aqui, neste serviço de tanta inutilidade, pública e privada. Sobretudo privada, mas deixemos o trocadilho idiota pra lá, e encerremos isto aqui com uma breve nota, breve, sim, mas digna de nota, sobre a minha ida a um culto presbiteriano pelo dia dos professores. Não preciso dizer que, durante as leituras e as orações (exceto as feitas em voz alta, das quais participei com vontade, com vontade de testar a minha capacidade de entonar textos religiosos adequadamente), eu estava longe dali, ocupada com coisas as mais disparatadas. Mas, sim, preciso dizer que, durante o sermão (ironia, ironia!...) e a tal mensagem aos professores, eu estava bem ali, tocada por coisas não menos disparatadas. Acho que gosto de coisas disparatadas, como ser chamada de “mocinha” e de “professora” na mesma noite, como reconhecer em um feliz coral de igreja alguém que conheço de uma burocrática repartição pública, como... Como... Hum, como, como já disseram, beber o doce e o amargo indistintamente, como beber o possível e sugar o seio da impossibilidade até que

há, no papelzinho que me deram lá na igreja, um versículo que achei bem interessante, principalmente se lido fora de contexto, só não acho que ele cai bem aqui, neste contexto, por isso deixo-o pra depois, como já ficou pra depois o poema do baudelaire e tantas outras coisas mais
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(créditos óbvios: Secos & Molhados)

sábado, 14 de outubro de 2006

Syn-

O acontecimento do dia, além de um breve “passeio” com uma de minhas tias no Centro (ótica, loja de móveis e etc., lojas de calçados, farmácia, 1,99s, loja de cosméticos e etc., supermercado, biblioteca fechada), foi receber, como sempre dentro do prazo, apesar do feriado, meu mais recente pedido do Submarino (o Ummagumma e o The Wall ao vivo, isto porque o de estúdio vacilei e deixei esgotar por um dia). Poderia descrever a armação para possíveis e urgentemente necessários óculos novos da qual mais gostei, ou dizer que não tenho a mínima idéia de o que a minha tia foi pagar na tal loja de móveis e etc., ou contar quanto tempo levei pra me decidir entre o 37 e o 38 de um par de sandálias pretas total e elegantemente clássicas/clean/básicas que levei meses pra encontrar, ou dar a minha opinião sobre o pacote de salgadinho e a barra de cereais que eu ainda não havia provado e que devorei logo após a saída da farmácia, ou rir em silêncio ao me lembrar das extintas balas alucinógenas descobertas pelas duas outras amebas em uma das lojas de 1,99 que visitei hoje, ou sorrir ao pensar na teimosa vaidade da minha avó ao exigir que lhe pintem as unhas com esmalte vermelho, ou enumerar todas as frutas que comprei como que a fim de compensar essa minha já longa fase de gulodice crônica que já me rendeu o tal quilo que eu precisava ganhar pra poder doar sangue novamente, ou – hum, este último “ou” acho que vou realizar, mesmo. Ele, no lugar do que não era “ou” e eu ia realizar de qualquer forma. A explicação para a troca assim súbita é que se pode, apenas pela leitura de um trecho de um livro, compreender razoavelmente (porque, afinal, essas coisas são todas razoavelmente relativas, mesmo) bem o prazer que sinto ao lê-lo, mas não se pode, apenas pela leitura da letra (sim, ou da tradução da letra, Rafa, se é que você ainda está aí) de uma canção, compreender razoavelmente bem o prazer que sinto ao escutá-la, assim como tampouco se pode, apenas pela leitura de um inventário (aprendi recentemente em uma aula sobre literatura pós-moderna a dar esse nome às velhas, e inúteis, diga-se bem, assim, de passagem, listas que eu sempre faço) de frutas, compreender razoavelmente bem o prazer que sinto ao comê-las. Por isso, o texto, “o prazer do texto”, como já escreveram, acho, se não me falha a memória, prazer bem sinestésico, no fim das contas, prazer bem prazer mesmo. E eu sorri tanto hoje!... Sorriso-visão, sorriso-audição, sorriso-paladar... Tão bom sorrir, com e sem sentido.

Amor 77

E depois de fazer tudo o que fazem, levantam-se, tomam banho, cobrem-se de talco, perfumam-se, penteiam-se, vestem-se, e assim progressivamente vão voltando a ser o que não são
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(todos os créditos ao meu querido Julio, ele que é)

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Que coisa, que coisa, que coisa

E quem diria que o meu francês capenga serviria pra esse tipo de coisa, minha mãe é pior que eu, sempre disse isso pra ela, desde que mal me conheço por gente, que eu devia ser mais velha que ela em espírito, essas coisas todas de vidas passadas e tal, em que, sim, hoje em dia, não acredito, ninguém me perguntou, mas não me custa muito dizer, me custa, e muito, é acreditar, em qualquer coisa, por sinal, que coisa mais triste, ou não, talvez, depende do ponto-de-vista, mudando de assunto, o moço lá do açaí deve estar feliz da vida por ter ganhado, ganho?, oh, céus, que vergonha, preciso estudar português urgente, e não se diz “estudar urgente”, e sim “estudar urgentemente”, isso eu sei, preguiça de escrever, digitar cansa os únicos quatro, quatro ou três?, dedos com que digito, pobrezinhos, então, ele deve estar todo contente com as mais novas clientes fiéis dele, açaí duas vezes em menos de uma semana não é pra qualquer um, depois olho pros tais pneuzinhos como se eu não soubesse de onde eles vêm, hipocrisia?, mas o lugar é mesmo muito bacana, ambiente agradável, comida ótima, preço justo, vale a pena, e ainda por cima a gente vai pagar a conta e escuta um “vocês são simpáticas”, quem é que não volta?, nem precisa dizer o tal “volte sempre”, frasezinha batida, isso do “simpáticas” foi bastante original, relativamente falando, até provocou um “o moço gostou de você”, “por que de mim, e não de você?” como resposta, hum, pensando bem, não me importaria se fosse comigo o negócio mesmo, acho, bonitinho o moço, e com “bonitinho” não quero dizer “feio arrumadinho”, assim como espero que com “simpáticas” ele não queira ter dito algo do gênero, provavelmente não, coitado, ossos do ofício, tratar bem a clientela pra que ela volte sempre ainda que não se peça assim explicitamente, e é claro que a gente volta, ainda mais com um atendimento desses que rende comentários idiotas como este depois, hum, mas sabe que eu reparei nas tais frases do dia?, família religiosa, bem religiosa, pelo visto, e eu aqui escrevendo besteiras, heresia, que coisa mais feia.

e não vou incluir trecho algum da letra aqui hoje, por falta de tempo, espaço, paciência e propósito, mas cabe ressaltar que estou, assim, com-ple-ta-men-te apaixonada por “echoes”, que desenterrei depois de um bom tempo, graças ao live at pompeii, benditas sejam a carol e a lidi quando quiseram vê-lo e me fizeram vê-lo pela primeira vez, ainda que aos pedaços, mais um entre as literalmente muitas dezenas de dvds que compro mas nunca vejo, falta de tempo, desculpa descaradamente esfarrapada, o negócio é que, desde então, o que não faz muito mais de mês, devo ter visto, com falta de tempo real e tudo, mais umas duas ou três vezes, verdadeiro recorde, pela minha média, ainda escrevo alguma heresia aqui sobre ele, que coisa mais irresistível
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e me lembrei de um poema do baudelaire, era um albatroz mesmo?, ótima conexão essa do francês-floyd-baudelaire, pena que este post já está longo demais, fica pra uma próxima, quando e se eu me lembrar, claro, tantas próximas de que já me esqueci

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Convergências

“También hay ríos metafísicos”, é o que diria (e disse) la Maga. Pois hoje eu digo que há rios bastante físicos também. Que o diga a Glaucia (que, não, não tem nada de suicida, ao menos até onde sei – vai que de suicida todo mundo também tem um pouco...), graças a quem agora sei que D. similis e D. magna são espécies de microcrustáceos, que em testes de toxicidade imobilidade significa morte, que Piracicaba faz muito mal ao rio Corumbataí, etc.. Coisas que eu só poderia aprender revisando a tradução de um artigo como esse, mesmo. Falando nisso, meu pai (e quem me dera fosse só ele) precisa aprender que, sim, sou mesmo consumidora virtual compulsiva (e assumida) de “objetos de cultura”, na falta de uma designação melhor, mas há coisas que eu só poderia aprender lendo um livro, ouvindo um CD, assistindo a um DVD. Espero que o exemplo do Zaga tenha colado, rs. E espero também que até amanhã não tenham se esgotado os quinze itens que problemas com este meu velho (mas querido, pobrezinho, companheiro de tantos dias, de tantas noites, de tantas madrugadas, muitas vezes emendados, às vezes minha vítima, às vezes minha testemunha, às vezes meu cúmplice – nossa, bem que o tal carinha falou da tal “desterritorialização”, rs! Vejam só, eu fazendo declarações de amor ao meu computador, que coisa – deprimente, rs. E só agora, relendo isto aqui, percebi a ambigüidade absolutamente não-proposital, mas maravilhosa – sim, termo bem proposital, rs – deste “velho”, que até poderia ser meu pai, vai, mas é, como já disse e como se vê logo a seguir, meu) PC me impediram de comprar, talvez para o bem (sobretudo da minha literalmente pobrezinha conta bancária), acaso objetivo, será? Mera coincidência. Ou não. Whatever. Só sei que certas coisas são irresistíveis, sejam elas físicas ou não. Ouvir Pink Floyd, por exemplo. Ver o Syd Barrett, por exemplo. Rever Mary Poppins, por exemplo. Coisas no meio do caminho entre a física e a Meta, com maiúscula, caso ainda se acredite em coisas escritas com letra maiúscula (o que não é o meu caso, ao menos até onde consigo me lembrar agora). O Julio talvez as chamaria simplesmente de maravilloso, como no tal “La tos de una señora alemana” (preciso ouvir – sim, ouvir, só tenho em CD [pirata, eu e meus detalhes insignificantes], não em livro – de novo, mas sempre penso nessa passagem que me faz pensar em tudo o que teve que convergir para que eu pudesse ter o prazer, físico, metafísico, como queiram, de ouvir Pink Floyd, ver o Syd Barrett, rever Mary Poppins, ouvir o próprio Julio, enfim), um maravilhoso bem simples mesmo, porque concreto, porque físico, porque maravilhoso. E agora é hora de parar de “viajar”, metafórica porque abstratamente falando, e ceder à realidade bem física de um sono maravilhosamente pesado, se tudo convergir para isto, e, como diriam, deusqueiraquesim (hum, imaginem um deus chamado Queiraquesim, Keyrakessyn, “Dunyazadíada”, Drummond – não resisti, perdoem).

sábado, 16 de setembro de 2006

Minha cara II

(I)

Dos dedos pras palmas, das palmas pros pulsos, dos pulsos pra onde?
[coincidência ou whatever: capítulo 80]

(II)

- Está tudo bem?
- Está. (sorriso largo para dar credibilidade ao bem)
- Qualquer coisa, é só falar comigo.
- Obrigada.

- A moça gostaria de mudar de mesa?
- (pára de se abanar por causa da fumaça de cigarro) Ãhn...
- (inaudível) ... aquela mesa ali. (apontando para as proximidades do “palco”)
- Pode ser. (já sentada, sinal de “valeu” ao garçom)

- Quer ouvir alguma coisa?
- (sorriso e sinal afirmativo com a cabeça, típico de quem não entendeu)
- O quê?
- (cara de quem só então entendeu e sinal de “qualquer coisa”)
[coincidências ou whatever: “Wish you were here” e “João e Maria” em seqüência, logo na seqüência]

[coincidência ou whatever: “Stairway to heaven”]
- Você toca?
- Ãhn?
- Você toca?
- Não, infelizmente!... (sorriso largo para reforçar a infelicidade)

- Qual o seu nome?
- (diz o nome e sorri)
- (estende a mão) Achei você legal. Com personalidade.
- Obrigada. (sorriso se-você-soubesse)
- (estende o cartão) Aqui tem meu site, tem várias coisas...
- Legal.
- Dia 29 eu toco lá no SESC, se você puder ir...
- Ah, aqui... (aponta na direção do lugar mencionado, gesto obviamente desnecessário) Vou, sim. (sorrindo e pensando em em que dia da semana cai o dia mencionado)

[no coincidences: a mesma ausência e a mesma presença no final]
- (esperando) Oi.
- (passando) Oi.
- Posso saber seu nome?
- (diz o nome)
- Como?
- (repete o nome, agora de forma mais clara) E o seu? (tentando não parecer antipática)
- (diz o nome e sorri) Você mora por aqui?
- Sou vizinha aqui do bar.
- É que eu sempre te vejo aqui sozinha, com o seu vinho...
- (sorriso pois-é)
- Desculpa o galanteio a esta hora da noite, mas você é muito bonita.
- Obrigada. (sorriso se-você-soubesse) Agora eu tenho que ir, trabalho amanhã cedo. Tchau.
- Tchau.

La pobre se vuelve a casa, etc., pero esto no es lo que yo En fin.
[A infeliz volta para casa, etc., mas isto não é o que eu Enfim.]
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(créditos: Julio Cortázar – a frase; Fernando de Castro Ferro – a tradução; eu – o respeito à pontuação original)

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

sem título

[a man and an old man:]

- My name is Robertson. I’ve been waiting for someone who hasn’t arrived.
- (laughs) These... (points towards children) I’ve seen so many of them grow up. Other people look at the children and they all imagine a new world. But me, when I watch them, I just see the same old tragedy begin all over again. They can’t get away from us. Is boring.
- Where did you learn to speak English?
- You want me to tell you my life?

- Yes.
- All right. One day, very far from here... (sound and scene fade)

[um homem e um homem velho:]

- Meu nome é Robertson. Estou esperando por alguém que não veio.
- (ri) Esses... (aponta para crianças) Vi tantos deles crescer. Os outros olham para as crianças e todos eles imaginam um novo mundo. Mas eu, quando as observo, vejo apenas a mesma velha tragédia começar tudo de novo. Elas não conseguem nos evitar. É chato.
- Onde você aprendeu a falar inglês?
- Quer que eu lhe conte a minha vida?

- Sim.
- Está bem. Um dia, muito longe daqui... (som e cena somem)

[a man and a recently widowed relatively young woman:]

- So, why don’t you try and forget all about it?
- Yeah. I know it’s stupid. I didn’t care at all before. Now that he’s dead, in some strange way I do. Perhaps I was wrong about him.
- If you try hard enough perhaps you can reinvent him.

(desired but anguished and soon broken kiss)

[um homem e uma mulher relativamente jovem recentemente viúva:]

- Então, por que você não tenta esquecer tudo isso?
- É. Eu sei que é burrice. Eu não me importava nem um pouco antes. Agora que ele está morto, me importo, de um jeito estranho. Talvez eu estivesse errada sobre ele.
- Se tentar bastante, talvez você consiga reinventá-lo.

(beijo desejado, mas angustiado e logo interrompido)

[a man – the one from the “a man and an old man” scene – and a woman:]

- Excuse me. I was trying to remember something.
- Is it important?
- No. (pause) What is it, do you know? I came in by accident.
- The man who built it was hit by a bus.
- Who was he?
- Gaudí. (pause) Come. (another room) He built this house for a corduroy manufacturer. They used this room for concerts. Wagner.
- Do you think he was crazy?
- How could you come in here by accident?
- I was escaping.
- Oh. From what?
- Well, I thought someone might be following me. Somebody who might recognise me.
- Why?
- I don’t know.
- Well, I can’t recognise you. Who are you?
- I used to be somebody else, but I traded him in. What about you?
- Well, I’m in Barcelona, I’m talking to someone who might be someone else, I was with those people but I think I’m going to see the other Gaudí buildings alone.
- All of them?
- They’re all good for hiding in. Depends on how much time you’ve got.
- I have to leave today. This afternoon.
- I hope you make it. People disappear every day.
- Every time they leave the room.

- Goodbye. (already leaving)

[um homem – aquele da cena “um homem e um homem velho” – e uma mulher:]

- Com licença. Estava tentando me lembrar de uma coisa.
- É importante?
- Não. (pausa) O que é isto, você sabe? Entrei por acaso.
- O homem que construiu isto foi atropelado por um ônibus.
- Quem ele era?
- Gaudí. (pausa) Venha. (outro aposento) Ele construiu esta casa para um fabricante de veludo [?]. Eles davam concertos nesta sala. Wagner.
- Você acha que ele era louco?
- Como foi que você entrou aqui por acaso?
- Eu estava fugindo.
- Oh. Do quê?
- Bem, pensei que alguém pudesse estar me seguindo. Alguém que talvez me reconheça.
- Por quê?
- Não sei.
- Bem, eu não reconheço você. Quem é você?
- Eu costumava ser outra pessoa, mas a troquei. E você?
- Bem, eu estou em Barcelona, falando com alguém que pode ser outra pessoa, estava com aquelas pessoas, mas acho que vou ver as outras construções de Gaudí sozinha.
- Todas?
- Todas são boas para se esconder nelas. Depende de quanto tempo você tem.
- Tenho que ir embora hoje. Esta tarde.
- Espero que consiga. Pessoas desaparecem todos os dias.
- Sempre que saem de um lugar.

- Adeus. (já saindo)

[the same man and the same woman:]

- How can I help you?
- How can you help me? It sounds crazy because I can’t explain it. (continues)

[o mesmo homem e a mesma mulher:]

- Como eu posso te ajudar?
- Como você pode me ajudar? Soa loucura porque não posso explicar. (continua)

[yet the same man and woman:]

- Can I ask you one question now?
- One you can, yes.
- Only one, always the same. What are you running away from?
- Turn your back to the front seat.

(she sees the path behind the car)

[ainda os mesmos homem e mulher:]

- Posso te fazer uma pergunta agora?
- Uma pode, sim.
- Só uma, sempre a mesma.
Do que você está fugindo?
- Vire de costas para o banco da frente.

(ela vê o caminho atrás do carro)

[always them:]

- I’ve run out of everything. My wife. The house. An adopted child. A successful job. Everything except a few bad habits I couldn’t get rid of.
- How did you get away with it?
- There was an accident. Everyone thought I was dead. I let them think so.
- There is no way to explain it, is there?
- Now I think I’m going to be a waiter in Gibraltar.
- Too obvious.
- Maybe a novelist in Cairo.
- Too romantic.
- How about a gunrunner?
- Too unlikely.
- As a matter of fact, I think I am one.
- Then it depends on which side you’re on.
- Yes. I just sold 5000 hand granades, 900 rifles and a great deal of ammunition to some people fighting a secret war in an obscure part of the world.
- I like it.
- You like that? You like. How about you?
- I’m a tourist become a bodyguard. I’m studying architecture.
- Studying architecture?
- Yeah.
- What kind of an impression do you think you make when you first come into a room?
- They look at me. Just think I’m all right. Nothing mysterious. You learn much more packing someone’s things.
- Yeah. It’s like listening in on a private phone conversation.


[sempre eles:]

- Acabei com tudo. Minha mulher. A casa. Uma criança adotada. Um trabalho de sucesso. Tudo menos uns péssimos hábitos dos quais não consegui me livrar.
- Como você conseguiu fazer tudo isso e escapar impune?
- Houve um acidente. Todos pensaram que eu estava morto. Deixei eles pensarem.
- Não tem como explicar, tem?
- Agora acho que vou ser um garçom em Gibraltar.
- Muito óbvio.
- Talvez um romancista no Cairo.
- Muito romântico.
- Que tal um traficante de armas?
- Muito pouco provável.
- Na verdade, acho que é isso que eu sou.
- Então depende de que lado você está.
- Sim. Acabo de vender 5000 granadas de mão, 900 rifles e uma quantidade considerável de munição para umas pessoas que estão lutando uma guerra secreta numa parte obscura do mundo.
- Gosto disso.
- Você gosta disso? Você gosta. E você?
- Sou uma turista transformada em guarda-costa. Estudo arquitetura.
- Estuda arquitetura?
- É.
- Que tipo de impressão você acha que causa quando entra pela primeira vez em um lugar?
- Eles olham pra mim. Pensam que eu sou normal. Nada de misterioso. Você aprende muito mais arrumando as malas de alguém.
- É. É como ouvir uma conversa telefônica particular.


Sangue, que não me deixou assistir a Profissão: repórter inteiro, apesar do Nicholson; que não me deixou ler o texto do Górki sobre o Tchékhov, apesar do Zaga; que não me deixou ir dormir, apesar de, por causa de. Sangue.
.
P.S.: E me lembrei do Rimbaud com essas referências a ser escritor no Cairo, traficante de armas... :)
(créditos a Antonioni, Peploe - assim mesmo, quase um "people", rs - e Wollen)

domingo, 10 de setembro de 2006

Yeah, it's OK.

[Forrest] You’re a momma, Jenny.
[Jenny] I’m a momma. His name is Forrest.
[Forrest] Like me.
[Jenny] I named him after his daddy.
[Forrest] He got a daddy named Forrest, too?
[Jenny] You’re his daddy, Forrest.
(Forrest frightened)
[Jenny] Hey, Forrest, look at me. Look at me, Forrest. There’s nothing you need to do, OK? You didn’t do anything wrong, OK? Isn’t he beautiful?
[Forrest] He’s the most beautiful thing I’ve ever seen. But... Is... Is he smart? Or is he...?
[Jenny] He’s very smart. He’s one of the smartest in his class. Yeah, it’s OK. Go talk to him.

[Forrest] Você é mãe, Jenny.
[Jenny] Eu sou mãe. O nome dele é Forrest.
[Forrest] Como eu.
[Jenny] Dei o nome do pai dele pra ele.
[Forrest] Ele tem um pai chamado Forrest também?
[Jenny] Você é o pai dele, Forrest.
(Forrest assustado)
[Jenny] Ei, Forrest, olhe pra mim. Olhe pra mim, Forrest. Você não precisa fazer nada, tá? Você não fez nada errado, tá? Ele não é bonito?
[Forrest] Ele é a coisa mais bonita que eu já vi. Mas... Ele... Ele é inteligente? Ou ele é...?
[Jenny] Ele é muito inteligente. É um dos mais inteligentes da turma dele. É, está tudo bem. Vá falar com ele.


Eu adoro cortar o cabelo. Bem curto. Me livrar de uns pedaços inúteis de mim, pelo menos dos que posso me livrar, já que não dá pra me livrar de todos sem me livrar também de mim, e ainda não cheguei a este ponto. Anyway, pra que ficar carregando peso à toa? Quase uma automutilação. E eu que nem desconfiava deste meu lado (físico – já o psicológico...) masoquista, eu que não sinto a menor atração por piercing, tatuagem e coisas afins. Mas já cogitei passar a zero um dia, rs. Pena que meu rosto não dá pra tanto.

E sempre me divirto com fantasias, as alheias, as minhas, as minhas, as alheias... Pena que já não dou pra tanto.
.
P.S.: Ainda quero muito falar sobre esse filme e a trilha sonora dele aqui. Ambos pertencem à minha lista de all-time favourites.
(créditos a Groom e Roth)

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Leviandadezinhas

duas locações na Studio 4: R$9,40 a pagar na devolução
três livrinhos na Machado de Assis: R$39,40 no Visa Electron
nove itens no Extra: R$18,91 no Visa Electron
salário caindo com um dia útil de antecedência: não tem preço
(pena que pra todo o resto tem)

Então, assisti a Eterno amor, motivada pelo idioma (sim, é verdade que essa é uma forma que encontrei para praticar as línguas estrangeiras que estudo), pelos atores (no mínimo uma meia dúzia de Amélie Poulain), pelo diretor (o Jeunet, claro) pelo enredo (romancezinho meio dramático ou dramazinho meio romanceado sobre amor e guerra ou sobre guerra e amor, que seja) e pelo título (Un long dimanche de fiançailles – “Um longo domingo de noivado”, ou algo assim, no original), mas não sofri o impacto que pensei que sofreria. Até vi de novo, com os comentários do diretor (aliás, preciso escrever um e-mail, sei lá pra que endereço, sobre a tal cena spielberguiana!...), mas, ainda assim, não me convenci. Algo na história (será que ler o livro ajuda?), algo na interpretação da Tautou (será que rever o filme ajuda?), não sei. Mas adorei o tal “peido de cão, alegria no coração” (me lembrei da Flayninha e da Popó, e da Lílis também!...) e os tais “se x acontecer, Manech está vivo” (me lembrei dos meus próprios “se x acontecer, y acontece”!...). Admiração pela Jodie Foster interpretando em francês e dó do Ticky (?) Holgado, o homem do retrato falante em Amélie. Comentários mais (im)pertinentes assim que eu conseguir rever o filme (pena que ainda não esteja num preço bom o suficiente pra eu comprar).

Minha cara*

e me pergunto se dá pra ver na minha cara, porque antes de eu chegar

eu quis cantar minha canção iluminada de sol soltei os panos sobre os mastros no ar soltei os tigres e os leões nos quintais mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer mandei fazer de puro aço luminoso um punhal para matar o meu amor e matei às cinco horas na avenida central mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer mandei plantar folhas de sonho no jardim do solar as folhas sabem procurar pelo sol e as raízes procurar, procurar mas as pessoas na sala de jantar essas pessoas da sala de jantar são as pessoas da sala de jantar mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer

e assim que me sentei

faça uma lista de grandes amigos quem você mais via há dez anos atrás quantos você ainda vê todo dia quantos você já não encontra mais faça uma lista dos sonhos que tinha quantos você desistiu de sonhar quantos amores jurados pra sempre quantos você conseguiu preservar onde você ainda se reconhece na foto passada ou no espelho de agora hoje é do jeito que achou que seria quantos amigos você jogou fora quantos mistérios que você sondava quantos você conseguiu entender quantos defeitos sanados com o tempo eram o melhor que havia em você quantas mentiras você condenava quantas você teve que cometer quantas canções que você não cantava hoje assobia pra sobreviver quantos segredos que você guardava hoje são bobos ninguém quer saber quantas pessoas que você amava hoje acredita que amam você

com a penúltima dele (horrível no todo)

every single day I think of the times when you were still mine and I’m blue got to get away get you out of my mind I’m caught up in time and I’m blue I don’t miss all the fun that we had you were always around me where are you now I need you now if you were around it would be alright living on my own I know I’m to blame I’m locked in my chains and you’re free fallen like a stone I’m down on the ground I’m tied up and bound and you’re free I don’t miss all the fun that we had you were always around me where are you now I need you now if you were around it would be alright...

[todo santo dia penso nos momentos em que você ainda me pertencia e estou mal tenho que me mandar mandar você pra longe da minha mente estou metido no tempo e estou mal não sinto falta de como nos divertíamos você estava sempre perto de mim onde você está agora preciso de você agora se você estivesse por perto estaria tudo certo vivendo só sei que a culpa é minha estou trancado em minhas correntes e você está livre caído como uma pedra estou derrubado no chão estou amarrado e preso e você está livre não sinto falta de como nos divertíamos você estava sempre perto de mim onde você está agora preciso de você agora se você estivesse por perto estaria tudo certo...]

e a penúltima dela (horrível na rima em “ão”)

se a gente não tivesse feito tanta coisa se não tivesse dito tanta coisa se não tivesse inventado tanto podia ter vivido um amor grand hotel se a gente não fizesse tudo tão depressa se a gente não dissesse tudo tão depressa se não tivesse exagerado a dose podia ter vivido um grande amor um dia um caminhão atropelou a paixão sem teus carinhos e tua atenção o nosso amor se transformou em bom-dia qual o segredo da felicidade será preciso ficar só pra se viver qual o sentido da realidade será preciso ficar só pra se viver se a gente não dissesse tudo tão depressa se não fizesse tudo tão depressa se não tivesse exagerado a dose podia ter vivido um grande amor um dia um caminhão atropelou a paixão sem teus carinhos e tua atenção o nosso amor se transformou em bom-dia qual o segredo da felicidade será preciso ficar só pra se viver qual o sentido da realidade será preciso ficar só pra se viver só pra se viver...

e me pergunto o que dá pra ver na minha cara, porque antes de eu terminar

- Pode pedir mais um vinho, viu?
- Não quero dar trabalho pra vocês.
- O quê?
- Não quero incomodar o pessoal.
- Imagine, aqui fecha sempre às três, quatro...
- Mas hoje... Obrigada.
- Você mora aqui perto?
- Moro.
- Faz tempo?
- Faz... um ano e meio, acho.
- Conheço seu pai.
- Um japonês?
- Ele está sempre por aqui, mas você eu nunca vejo.
- Eu venho de vez em quando. Na última vez, vim com ele.
- Na semana passada?
- Há... umas duas semanas, acho.
- Ah, é. Mas fique à vontade, peça mais um.
- Não, obrigada...

e assim que me levantei

- Tá tudo bem com você?
- Tá. Boa noite.

com um gesto dele (o que você quer?)

como explicar a ausência de um real do tal couvert artístico e a bala toffee no lugar dos trinta centavos enviados para facilitar o troco?

e um gesto dele (o que você quer?)

como explicar a ausência de um real e o abalo na voz?

*ou De como são vistas as jovens que vão a bares desacompanhadas, ou Curtindo um bom som e um vinho ruim, ou Antes mal acompanhada aqui nesta mesa de bar do que só lá na minha cama (hum, título de uma possível comédia futura, rs), ou Nem caça, nem caçadora – só se for de mim (trocadilho horrível), ou De novo, ou Não perturbe, ou Perturbe, ou Vai saber
.
(incertezas: Caetano e Gil, Montenegro, Nazareth, Kid Abelha)

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

De casa

[anotações de aula de hoje:]

Thomas Mann: o tempo do discurso pauta (referência à ligação entre Mann e a música) o tempo da história – FILME Morte em Veneza: mudanças com relação ao texto, como a profissão do protagonista (de escritor a músico: homenagem de Luchino a Mahler, amigo de Mann – morte Mahler 1912; livro 1914) e as analepses, em que o maestro e seu assistente comentam o passado daquele – balanço do tempo; Luchino elimina os delírios da narrativa, substituindo-os por essas conversas; Mahler: não fazia concessões ao público (assim como o novelista do texto) – Luchino usa a 5ª sinfonia de Mahler, o adágio (tempo): ênfase tema musical à angústia personagem (algo que só o filme pode fazer)

[ótimas tiradas após a aula:]

- Ah, é que isso do Cortázar vem da graduação... Você lembra. Aliás, vem de antes da graduação. Antes da graduação eu já...
- Você não precisa me explicar. É Cortázar.
(...)
- Preciso ler tantos livros e ouvir tanta música pra poder acompanhar o seu nível...
- Música!... Eu só ouvi a 5ª sinfonia do Mahler.
(...)
- Eu tenho o filme.
- Pirata?
- Não! Original mesmo.
- A edição tal?
- Não sei...
- De capa de tal cor?
- Hum, acho que sim.
- Onde você encontrou?
- No submarino ou na americanas, não lembro.
- Mas já procurei em todo lugar, está esgotado faz tempo.
- Comprei faz uns meses já.
- Você teve sorte.
- Vou procurar e, se eu encontrar, dou de presente pra você.
- Você não vai achar, mas aceito o presente.

[anotações de outra aula de hoje:]

cinismo: indício de decadência moral (como o chama o narrador de A mulher do tenente francês) – um dos temas prediletos da literatura pós-moderna

dever e conveniência (definindo a Era Vitoriana) – As convenções sociais exerciam um domínio tirânico sobre as personagens. (cf. epígrafe William Burns? – p. 11 ou cap. 11?) :)

(OBS.: Machado de Assis é um dos autores favoritos dos pós-modernos – nos EUA, por exemplo)

(modernismo: ironia – narrador critica o outro, excluindo-se daquilo que critica; pós-modernismo: cinismo – narrador desconstrói algo no qual ele também se inclui)

[pensamentos idiotas durante a aula:]

Devo ser cínica, então. E vitoriana.

[lembranças de outra aula de hoje:]

Tente se desligar do fato de que era você.
(...)
Interação existe em qualquer lugar.

[um bom papo após a aula:]

- É esse Fusca aí. Ainda quer uma carona?
- Por que não? Em casa também tem um.
- Ele tem vinte anos.
- O nosso tem a minha idade, 24.
- É por isso que não dou carona a desconhecidos.
- Entendo...
(...)
- Não tenho isso de “estou com um problema, vou às compras”, não.
- Também não.
- Prefiro pagar terapia.
- (knowing smile)
- Terapia um dia acaba – a minha já acabou –, comprar é pra sempre.
- (wondering smile)

* a tal epígrafe (“Duty” – “Dever”, 1841, de A. H. CLOUGH, não a de William BARNES):

With the form conforming duly, [À forma obedecendo conforme se deve,]
Senseless what it meaneth truly, [Sem a consciência de seu verdadeiro significado,]
Go to church – the world require you, [Vai à igreja – é o que o mundo te exige,]
To balls – the world require you too, [A bailes – é o que o mundo te exige também,]
And marry – papa and mama desire you, [E casa-te – é o que papai e mamãe te desejam,]
And your sisters and schoolfellows do. [E tuas irmãs e colegas de escola fazem.]
.
(Zaga, Maria Lúcia e Gisele - [a]creditar ou não [a]creditar, eis a questão)

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

13 ºC, ou So blue

Frase do dia:

Há coisas que você faz apenas para ter certeza de que não deve fazê-las.

P.S.: Eu lembrei, e você nem.




*Do título: Sim, referência ao quadro, mas também à gíria para “triste” em inglês – engraçado pensar que, em português, é justamente o contrário (né, Beto?). Life – it’s all a matter of perspective, after all.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

É fantástico

anotações de aula de três anos atrás:

Inglaterra – Byron (poesia, mas a figura do diabo é muito importante) – plena reabilitação de Satã – revolta, sedutor (não mais o monstro horroroso; o moço bonito – figura personagem muito semelhante aparência Byron, belíssimo – que vai salvar os homens, tirá-los de seus limites – para Byron, Deus é negativo)

o pouco que encontrei hoje:

So, we’ll go no more a-roving
So late into the night,
Though the heart be still as loving,
And the moon be still as bright
.

For the sword outwears its sheath,
And the soul wears out the breast,
And the heart must pause to breathe,
And Love itself have rest
.

Though the night was made for loving,
And the day returns too soon,
Yet we’ll go no more a-roving
By the light of the moon
.
.
(não tem Satã, mas é Byron)
.
tradução difícil pra mim, literal e aproximadamente seria: “Então, não nos aventuraremos mais / Tão tarde na noite, / Embora o coração seja ainda igualmente adorável / E a lua seja ainda igualmente brilhante. // Pois a espada desgasta sua bainha, / E a alma esgota o peito, / E o coração deve parar para respirar, / E o Amor mesmo descansar. // Embora a noite tenha sido feita para amar, / E o dia retorne muito cedo, / Ainda assim, não nos aventuraremos mais / À luz da lua.”

Pega, ladrão!

“Si pudiera robar, me robaría esta noche la luna... ¿para qué? No sé, creo que no me serviría de nada la luna en mi bolsa, pero tal vez así alguien vería que hace falta algo en el cielo (...).

Aos que estão perto, aos que estão longe, aos que estão perto e longe, aos que estão longe e perto (vontade de soltar um palavrão na sua cara, sim, na sua cara, Senhora Distância, se não o faço é por respeito ao raio de poesia que viajou tanto pra chegar até aqui) – dêem um pulinho no endereço acima, vale a pena. Eu “agarântio”, rs.

Valeu, Cris, pela permissão (que espero ser vitalícia, rs) da citação. Sabes bien que me encantan tus textos, aunque mi español... rs
.
P.S.: E me lembrei de uma dessas caminhadas noturnas de volta pra casa, a lua um sorriso perfeito no céu, o céu sorrindo pra mim.

domingo, 3 de setembro de 2006

Mais uma (mulher)

Do “A Note About the Author”, da versão simplificada de Jane Eyre pela Macmillan:

“(...) Her father was a clergyman. (...)”
[Seu pai era clérigo.]

“(...) Charlotte was not pretty and her eyes were weak. But Charlotte was clever and she had a strong character.”
[Charlotte não era bonita e seus olhos eram fracos. Mas Charlotte era inteligente e possuía uma personalidade forte.]

“(...) It was a bad school and many of the children became sick. (...)”
[Era uma escola ruim e muitas das crianças adoeciam.]

“(...) Later, she was a teacher at this school.”
[Mais tarde, ela foi professora nesta escola.]

“(...) But she was unhappy. She fell in love with a married man. (...)”
[Mas ela estava infeliz. Ela se apaixonara por um homem casado.]

“(...) But he became ill. He drank alcohol and he took drugs.”
[Mas ele adoeceu. Ele tomava bebidas alcóolicas e usava drogas.]

“(...) Then they were surprised. These good writers were women!”
[Então eles se surpreenderam. Estes bons escritores eram mulheres!]

“(...) Women did not often speak about their hopes and their thoughts. Women did not talk to men in this way!”
[Mulheres não falavam com freqüência sobre suas esperanças e seus pensamentos. Mulheres não falavam com homens deste jeito!]

“(...) She was now a famous author. People wanted to meet her. (...)”
[Agora ela era uma escritora famosa. As pessoas queriam conhecê-la.]

Sem comentários desta vez. Daqui a pouco, abro uma “seção biografias” nisto aqui, rs.

P.S.: As ambigüidades (a mesma escola? ele o tal homem casado?) são propositais, of course. Eliminá-las seria eliminar a metade da graça desta seleção não-tão-arbitrária-assim.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Com quem andas (por uma thriller night)

Cá estou eu, prontinha pra desligar esta coisa, escovar os dentes e ir pra cama, quando recebo gargalhadas instantâneas por e-mail. Não poderia deixar de compartilhar isto com você(s), quem quer que você(s) seja(m). Duas das minhas BEST FRIENDS FOREVER AND EVER (posando para uma nova versão do clipe de “Thriller”, rs – não fui escalada por conta dos meus não-tão-novos-assim cabelos curtos, rs):


Dá pra entender agora, né? rs Será que posso dizer que, se não bato muito bem, a culpa é das minhas companhias? rs Puxa vida, mas eu AMO essas duas (no “bom sentido”, claro, rs)!... Elas são divertidíssimas, como bem se nota. E bonitas também (pra quem se interessa pelo “amar no mau sentido”, rs), acredite(m). Ah, e comprometidas (sinto muito, você que ficou curioso pra saber o que há por trás dessas cabeleiras, rs).
.
P.S.: Elas vão me matar, rs.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Für Simone

Um “Vida e Obra de Edgar Allan Poe” de-li-ci-o-so (que é assim que a gente separa “delicioso” quando quer enfatizar isso do delicioso, “de-li-ci-o-so”, e não “de-li-cio-so”, como manda a gramática) que encontrei na famosa edição de suas Histórias Extraordinárias (que, pelo que entendi, são os tais Contos do Grotesco e do Arabesco, acrescidos ou não de alguma coisa, não sei – super explicação a minha, não?) lançada pelo (infelizmente) extinto Círculo do Livro:

“EDGAR ALLAN POE nasceu em Boston, EUA, em 1809, de um casal de atores fracassados. [Ótimo começo, rs. E não é o máximo essa construção “nascer de”? Quase como se ele tivesse brotado ou coisa que o valha, rs. E isso de ter “nascido de” um casal de atores fracassados, então? “Outsider” por uma questão genética, rs. E gênio pra compensar o destino dos pais, claro.] Órfão aos dois anos, adotado por rico comerciante, viajou pela Escócia e Inglaterra, recebendo esmerada educação clássica. [Desgraça pouca é bobagem, como dizem, os pais tinham que morrer, os dois, além de serem um fracasso... Mas, como também dizem, há males que vêm pra bem, então... Horrível, eu sei.] Em 1826, freqüenta a Universidade de Virgínia, estudando grego, latim, francês, espanhol e italiano, mas abandona o estudo por causa do jogo. [Ótimo motivo!!! rsrsrs] No ano seguinte, retorna a Boston, onde publica Tamerlão e Outros Poemas, e, em 1829, um novo volume de poesias: Al Aaraaf, Tamerlão e Poemas Menores. [Adorei os nomes, rs. Se alguém puder me explicar o que é “tamerlão”, por favor...] Ingressa na West Point, mas é expulso por falta às aulas. [Simpatizei com o cara, rs.] Dedica-se então à literatura, numa vida nômade e inconstante, partindo para Nova York, o maior centro literário americano da época. [A figura do (anti-)herói básico, rs.] Em 1831, publica Poemas; em 1833, com Manuscrito Encontrado numa Garrafa ganha um prêmio de 50 dólares e torna-se redator e editor do Literary Messenger; mas é demitido por abuso de bebida. [AH, será que foi essa a inspiração do meu querido Julio para o título do seu “Manuscrito encontrado num bolso”?! Que, aliás, não rendeu prêmio em dinheiro, imagino, mas sim um filme (brasileiro, ainda por cima!) que dizem ser muito legal. Voltando ao Poe, primeiro o jogo, e lá se vai a escola, depois a bebida, e lá se vai o emprego. And he couldn’t care less. Pois é.] Em 1838, em Filadélfia, trabalha como editor no Button’s Gentleman Magazine. [Muito “gentleman” ele, muito “gentleman”, indeed. Ah, e que frescura é essa de “em Filadélfia”, e não “na Filadélfia”?] Escreve A Queda da Casa de Usher e Contos do Grotesco e do Arabesco. [E como desassociar vida e obra neste caso, caramba?! rs] Em 1840, demite-se do Button’s e, em 1841, passa a editar o Graham’s Magazine; nele publica seu primeiro romance policial, Os Crimes da Rua Morgue, e, em 1841, o conto policial O Escaravelho de Ouro, que lhe dá 100 dólares de prêmio, além de prestígio e publicidade. [Podiam ter pelo menos escrito “também em 1841 publicou...”, pra não ficar tão repetitivo. Chatices minhas, I know it. Falando nisso, coisa chata escrever pruma revista de “gentlemen” – legal é escrever sobre o dark side, ganhar muitos dólares (pra época, claro, conforme imagino) e, ainda por cima, ficar famoso! rs] Em 1848, em Nova York, escreve A Balela do Balão e torna-se subeditor do Evening Mirror, onde publica o célebre poema O Corvo. [Gostei da... aliteração – sim, e da assonância também – do título, ba-le-la do ba-lão, mas não gostei do uso de “onde” no lugar de “em que” – poxa vida, qualquer vestibulando sabe que “ondeépralugar”, rs. Ainda não li “O corvo”. Vou ler pra próxima aula e depois volto a este espaço tosco pra relatar minhas impressões – ou não, como diria o Caetano e umas amigas minhas.]
Certo dia, após uma bebedeira, é encontrado inconsciente numa rua. [Tsc, tsc... rs] Levado para um hospital, vem a falecer em 1849. [Chique isso, “vem a falecer”. Tem gente que não morre, vem a falecer, rs.] A base de toda a prosa de Poe apóia-se no fantástico das exacerbações da natureza humana: alucinações, cuja lógica ultrapassa a da consciência habitual; mentes inquietas e febris; personagens neuróticas; o duplo de cada homem. [Gostei disso! Por que será? rs] A impressão de realismo é criada dentro do irreal. [Legal, danem-se as fronteiras do “possível” – hum, ou melhor, danem-se não (ele era bem “racional”, apesar de tudo, rs); expandam-se seria mais adequado, sim.] Os cenários são brumosos, repletos de elementos de morte e fatalidade. [Mais uma vez: por que será?!] O fatalismo e o mergulho no lado desconhecido da alma humana revelam uma vivência pessoal que fez de Poe um dos principais “escritores malditos” da Literatura Universal. [Falei do tal “dark side”, e de como é difícil separar as coisas (vida e obra) no caso do Poe, e também dos tais malditos – os “outsiders”, frescura isso, rs.] A influência de Poe estendeu-se à poesia simbolista, à ficção científica, ao romance policial moderno e psicológico. [Tudo muito legal – e ao Cortázar, mais legal ainda!!! rs] Em 1848, Contos do Grotesco e do Arabesco foi publicado na França como Histórias Extraordinárias, por Baudelaire. [Seu leitor, seu irmão – ah, sim!... Seu duplo, como queria o já duas vezes mencionado Cortázar, meu amorzinho-mor, rs.]

Não é uma delícia de texto? rs Whatever. Eu achei. Li no ponto de ônibus e me diverti. Delícia maior ainda é ler o Poe em si (well, not exactly that, não o Poe em si, claro, e sim seus contos – bom, deixa pra lá, viagens minhas). Pena que este post já ficou imenso, se não eu copiaria uns trechos também divertidíssimos (e geniais) do conto que estava relendo (deveria dizer “estou relendo”, já que ainda não terminei, detalhe) pra aula de hoje, “A carta roubada”. Anyway, fica a recomendação, a quem ainda não leu e a quem já leu também. E vamos ver se eu volto com “O corvo” (se eu volto com o corvo – hum, mais viagens, rs). Ah, teve também umas pesquisas rápidas sobre o uso do infinitivo pessoal no português hoje, coisa que nunca entendi (e continuo sem entender – o infinitivo pessoal? O hoje?). Se achar que vale a pena, talvez eu faça a boa ação de explicar aqui o pouco que encontrei no pouco que pesquisei sobre o assunto. Vai que isso salva uma alma ou duas. Hum, se alguém souber me explicar colocação pronominal no português, por favor, manifeste-se (está certo, né? “se alguém souber, manifeste-se”? rs)! Podemos até inaugurar um NLP (leia-se “Nossa Língua Portuguesa”) nisto aqui, why not? rs OK, I’m shutting up. But not forever, afinal, isto aqui não é um casamento, e – shut up
!

Hojeéoseudia,quediamaisfeliz!

Então, ontem (anteontem? Hoje? Anyway) eu estava me sentindo o que os English-speaking people chamam de miserável, ou melhor, miserable.* NO-fun-dO-dO-pO-çO, pra ser mais exata (bem redondo assim mesmo, e não porque é Skol, infelizmente, e sim porque é poço, é fundo, é buraco – mas como saber se o buraco é redondo? Ele pode ser oval, oval como o retrato oval de Poe, oval como pode ser a ferida do narrador, acho, no retrato oval de Poe, conforme pseudofilosofou e pseudofilosofaria um ex-colega meu que ainda vai ficar muito famoso e muito rico como o Paulo Coelho, deus-nos-ouça e o faça lembrar de seus ex-colegas quando isso acontecer –, voltando ao que eu dizia, é círculo vicioso, e é bem “sonoro” também, rs – hum, se alguém souber me dizer o porquê do O naquela introdução de O jogo da amarelinha, por favor!... A propósito, se alguém for ler a introdução de O jogo da amarelinha, faça-o em espanhol, porque a tradução daqui simplesmente fez de conta que todos os “erros” propositais do texto não existiam, coisa que só fui descobrir que existia agora muito recentemente, após finalmente ter conseguido comprar a versão original. And it’s changed my life, and will change yours, I know it. I’m sure of it, rs). E sem motivo aparente (vai saber o que há no fundo fundo-mesmo do meu poço... Eu, hein? Dá até medo, ou nojo, ou whatever, rs), o que é muito pior (todo mundo sabe, ou deveria saber, que, pra cada tipo de fogo, existe um extintor adequado, não dá pra sair por aí querendo apagar incêndios e salvar vidas assim de qualquer jeito). Já disse que não é TPM.** E nem era solidão desta vez. A tarde toda assistindo a outros comer(em?) coxinhas de Bueno de Andrada que ficaram famosas em nível estadual depois que o nosso Ignácio publicou uma crônica (genialmente, rs) intitulada “As coxinhas douradas de Bueno de Andrada” no Estadão e ouvindo os outros conversar(em?) sobre assuntos sobre os quais se conversa quando se está em Bueno de Andrada comendo coxinhas de Bueno de Andrada. O jeito como estruturei este último período certamente deu a impressão de tédio, o que é proposital (sou uma aspirante a escritora consciente, rsrsrs! Ou aspirante consciente a escritora – não necessariamente consciente? Hum, me pegou), mas não é justo, apesar do tamanho da cidade (cidade? Distrito? Whatever) e do fato de eu agora não poder mais comer coxinhas de Bueno de Andrada, nem de anywhere else, já que completei um ano de vegetarianismo experimental em doze de junho último (pois é, agora já podem escrever um artigo de jornal sobre isso também, com a data precisa e tudo, “doze de junho último”, rs – hum... Título de historinha de amor trágica... Hum!). A companhia era boa (e todo mundo sabe, ou deveria saber, que é a companhia que conta quando se vai a Bueno de Andrada comer – no meu caso, assistir a outros comer[em?] – coxinhas de Bueno de Andrada no feriado do aniversário de Araraquara, e em um determinado número de outras situações mais). E nem foi o fato de que eu provavelmente morrerei sem experimentar as tais coxinhas douradas (hum, pegou mal isso, rs – mente poluída a sua, não, caro leitor? Como diria o Machado, sem a parte do “mente poluída a sua”, claro – bom, pra quem encheu um capítulo de dedutíveis “cenas tórridas”, pra época, claro, com reticências... ... ... Pra bom entendedor...) o que me deprimiu, acho. Espero. Minha mãe, coitada, o dia todo fazendo limpeza em casa, tentando dar um jeito na minha vida por mim (já cansei de explicar pra ela que há certas coisas que ninguém pode fazer por ninguém, como ir ao banheiro, por exemplo, mas ela insiste em tentar – tudo bem ela ter passado os primeiros anos da minha vida limpando a minha bunda, mas aí a querer ir ao banheiro por mim...), e é justo em cima dela que desconto, que sempre desconto, tudo isso que deve ser como uma gosma verde e ter um nome bem feio e ficar entupindo o meu peito (catarro? rsrsrs). Eu sou uma menina má (and, as the saying goes, good girls go to heaven, bad girls go everywhere – hum, I like it, rs). E nem tenho vergonha de admitir, ainda por cima, má, muito má. Mas um dia quero escrever sobre uma história que me contaram entre duas mordidas (só duas é modo de dizer, claro, licença poética) numa coxinha de Bueno de Andrada: 01. fidalgo da cidade (cidade provinciana, mas cidade mesmo, não distrito, cidade segundo a nossa idéia de cidade, e não segundo a idéia mexicana de cidade, coisa muito maior e coisa e tal) se apaixona perdidamente por moça da vida e, para a sua (in-?)felicidade, é correspondido; 02. algo (ou seja, a família do fidalgo – fidalgo, sacaram? Filho-de-algo, como nos ensinam na escola. Algo. Filho de algo. Algo = família. Péssima piada, eu sei, perdoem-me) proíbe que os dois se casem e vivam felizes para sempre; 03. os dois fogem juntos até um lugar bem romântico (conforme eu deduzo da descrição que me fizeram e da qual já me esqueci, rs) e tomam veneno para se unir(em?) na eternidade e tal; 04. o “algo” compra a polícia da cidade e faz de conta que uma morte não tem absolutamente nada a ver com a outra. Pois é, se for mesmo “verdade” (verdade? E o que é “verdade”?), temos um Romeu e Julieta caipira do começo do século passado. Dá até pra identificar as tais fases da narrativa, do programa ou do esquema narrativo ou de sei-lá-como-a-teoria-semiótica-chama-isso, todas as manipulações, as perfórmances e as sanções, tudo aquilo de equilíbrio-desequilíbrio-equilíbrio, essas coisas lá de antes do primeiro Romeu e da primeira Julieta (primeiros literariamente falando, pelo menos), coisa antiga isso de morrer de amor, né? Um dia ainda escrevo sobre isso. Sobre isso tudo. Isso tudo e muito mais, espero (ou não, já que dizem que, no fundo, todo autor escreve sempre sobre a mesma coisa, a mesma coisa disfarçada de outra coisa, a mesma coisa disfarçada de coisa nova, mas isso é conversa pra duas outras mordidas numa coxinha de Bueno de Andrada).

* E agora me lembrei de ifyou’refeelingsinister,gooffandseeaminister,etc.. Lembrança boa. Lembrança má. Lembrança.
** E agora me lembrei de parececocaína,masésótristeza, tudo a ver, rsrsrs. Sem lembranças específicas. Ou melhor, com lembranças específicas, mas sem o peso da bondade ou da maldade.

Ah! A tradução do tal ditado: “Meninas boas vão para o céu; meninas más vão para qualquer lugar.” ;)
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(créditos: Belle & – and? – Sebastian – Sebastien? –, Legião Urbana e minha amiga C... M... J... – vai que ela quer preservar o anonimato, rs... –, que, por sua vez, ouviu a historinha trágica de um outro alguém de cujo nome não me lembro e que também não faz a mínima diferença neste momento – ah, tem a Xuxa também, no título, claro, como poderia me esquecer? rs)

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Da relatividade

1996: Shakira? De jeito nenhum! Ridículo.
2006: Shakira? Mas é claro! Divertidíssimo.
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Mais velha e menos intolerante, quem diria? Estava mesmo comentando com uma amiga que o bom de se tornar “adulto” é poder se dar o luxo de curtir numa boa coisas que nos dão vergonha quando estamos nos borrando de medo de despencar daquela ponte entre a infância e a adolescência. Ninguém pode mais me questionar por eu usar um caderno da Mônica na “escola”, colar adesivos do Ursinho (na minha época) Puf nas minhas cartas, namorar tranqueirinhas das Meninas Super-Poderosas nas lojas, comprar um DVD dos Ursinhos Carinhosos no Mercado Livre, cantarolar a musiquinha de Pedra dos Sonhos no chuveiro... Ouvir Shakira no meio da rua, oras. Liberdade, ainda que tardia! rs Sério, é bom pra animar a gente a caminhar quinze minutos no frio pré-burocracia e outros quinze minutos também no frio pós-burocracia. É ótimo pra dançar também, mas não no meio da rua, claro, que ainda não cheguei à liberdade total da terceira idade, a felizidade, como alguns a chamam, feliz pra quem pode, não pra quem quer, claro. Falando nisso, acho um barato essas canções em que a letra é “triste” e a música é “feliz”, The Smiths, por exemplo, nada contra canções 100% “depressivas” também, Radiohead, por exemplo, muito pelo contrário. Essa da Shakira que estava ouvindo na ida é quase grotesca nesse sentido do “paradoxal”:
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estoy aquí - shakira - ya sé que no vendrás todo lo que fue el tiempo lo dejó atrás sé que no regresarás lo que nos pasó no repetirá jamás mil años no me alcanzarán para borrarte y olvidar y ahora estoy aquí queriendo convertir los campos en ciudad mezclando el cielo con el mar sé que te dejé escapar sé que te perdí nada podrá ser igual mil años pueden alcanzar para que puedas perdonar estoy aquí queriéndote ahogándome entre fotos y cuadernos entre cosas y recuerdos que no puedo comprender estoy enloqueciéndome cambiándome un pie por la cara mía esta noche por el día y nada le puedo yo hacer las cartas que escribí nunca las envié no querrás saber de mí no puedo entender lo tonta que fui es cuestión de tiempo y fe mil años con otros mil más son suficientes para amar estoy aquí queriéndote ahogándome entre fotos y cuadernos entre cosas y recuerdos que no puedo comprender estoy enloqueciéndome cambiándome un pie por la cara mía esta noche por el día estoy aquí queriéndote ahogándome entre fotos y cuadernos entre cosas y recuerdos que estoy enloqueciéndome cambiándome un pie por la cara mía esta noche por el día si aún piensas algo en mí sabes que sigo esperándote estoy aquí queriéndote ahogándome entre fotos y cuadernos entre cosas y recuerdos que estoy enloqueciéndome cambiándome un pie por la cara mía esta noche por el día estoy aquí queriéndote ahogándome entre fotos y cuadernos entre cosas y recuerdos que estoy enloqueciéndome cambiándome un pie por la cara mía esta noche por el día estoy aquí...
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sem tradução porque, de obviedades, já chegam as que eu escrevo
correções são muito bem-vindas, espanhol bem pob/drinho o meu
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EU ME DIVIRTO! rs Agora só falta me matricular num curso pra poder dançar “Ojos Así”, rsrsrs. E o tango, abandonado, coitado!... Me falta “tempo”, tempo e um parceiro, nada que não se arranje. Sim, eu me divirto. Quem diria?

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Introsficção

Aí você passa o dia inteiro se depilando, cortando as unhas, lixando as garras, se lixando, metaforicamente, claro, pra coisa e tal, domadora de animais trancados por fora e por dentro de você, chocolate com baunilha na pele, e a pitanga do perfume, comestível feito uma trufa, só uma mordidinha pra provar o sabor novo, mistura exótica essa, em oferta, que beleza, desembrulhada, ainda por cima, que o calor está de derreter qualquer um, mas é preciso uma marca qualquer, então o preto nas pálpebras, o invisível nos cílios, escolher o papel adequado, aquele longo cor de vinho barato e já desbotado, quem disse que quanto-mais-velho-melhor, de que você tanto gosta e que reforça o aroma de mil e uma noites (made (making love (making up))) in Paraguay, o detalhe do arremate no dar de ombros, se necessário, é sempre bom se prevenir, maus tempos estes, em que tudo é tão de repente, um dia você, Paulo, um dia, numa dessas madrugadas que me restam e em que resto eu, as pessoas falam mesmo, porque todo mundo sabe, ou acha que sabe, ou tem a impressão de que, mas não pode ser, deve ser só, é, isso, tão só que você se pega se perguntando se, de repente.
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et mon tapis volant, lui
[e meu tapete voador, ele]
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(descréditos: um certo eu no começo, um certo paulo no meio e um certo desejo no fim)

domingo, 20 de agosto de 2006

Saying hello

Informação interessante a quem acaba (ontem, que não é nem dia 19/08/2006, nem hoje, claro – ou nem tão “claro” assim? Física. Whatever) de assistir ao começo de Charlie and the chocolate factory (sim, a versão Tim Burton + Johnny Depp de A fantástica fábrica de chocolate, a anterior me assustava, pelo que mal me lembro, e essa também me assustaria, talvez, se eu ainda fosse a criança que eu era, e não uma outra) pela quinta vez, com direito a lágrimas e tudo (e nem estou de TPM, que coisa – acho que preciso de mais chocolate no meu sangue, rs):

“Você sabia que, nos Estados Unidos, a fábrica de chocolates Hershey’s está localizada em uma cidade de mesmo nome? Milton Hershey fundou sua empresa no vilarejo de Derry Church na Pensilvânia. A fábrica e seus produtos tiveram tanta importância econômica e cultural para a cidade que, mais tarde, [ela, a cidade] teve seu nome mudado para Hershey. Não é à toa... São lâmpadas em forma de Kisses, a primeira fábrica de chocolates do mundo à Avenida do Chocolate e aquele cheirinho gostoso do verdadeiro chocolate espalhado por todos os cantos.

Melhor do que o cheiro de laranja que dizem ser o daqui, ou o cheiro de peixe do Rio próximo ao mar. Muito melhor, aliás. Quem me dera mudar pra lá, rs. Comemoração pelos cem anos da empresa, pelo que entendi. Gosto da Hershey’s. Preço ótimo, qualidade excelente, se pensarmos no que há disponível (facilmente – isto é, sim, por um preço “acessível”) no nosso mercado. Sem protecionismos idiotas, eu preferiria poder preferir um dos nossos, mas fazer o quê? Imaginem se as lâmpadas fossem em formato de beijos mesmo, rs. Horrível.

Falando em arquitetura, tive uma espécie de “insight” (meio bastante óbvio, mas pra mim foi “insight” mesmo, poor little me, rs) no meio da minha última aula de Teoria da Vanguarda: será que o Tim Burton se inspirou em filmes expressionistas alemães (mais especificamente no Nosferatu – e o que é o Mãos de Tesoura, se não uma criatura? Fofa, claro, rs) pra criar suas morbidamente simpáticas casinhas tortas (Edward..., Big Fish, Charlie..., outros que desconheço ou dos quais não me lembro)? Bem que podia ser academicamente possível escrever sobre isso, influências geniais em um gênio hollywoodiano, seria divertido. Divertidérrimo, pra ser mais exata. Pena que deve ser impossível, ou já feito, ou o que seja. E o Julio? Não, não desisti dele ainda. Ele é “indesistível”, acho, rs. O f*da é “oficializar nossa relação”, rsrsrs. Mas Burton em um artigo*? Quem sabe?

* Se eu ler um artigo sobre isso datado de depois (de depois? Preciso estudar português. Principalmente se quero escrever artigos, rs) deste post, vou acusar o autor de ladrão de idéias – cuidado! rs

E eu comi duas barras de Hershey’s (meio-amargo, que normalmente é meu favorito, e chocolate branco – que normalmente é o último da minha lista – com cookies e caramelo, meu favorito dos que já provei dessa marca, derrete na boca e é doce pra burro, perfeito pra uma formiga como eu) em dois dias (post escrito dois dias depois da data indicada, em que li as tais informações no verso da embalagem da barra de meio-amargo) e as lágrimas continuam penduradas nos cantos dos meus olhos, esperando que eu assista ao começo do filme pela sexta vez, talvez. Crueldade.

E eu nem sabia que esse apparently completely out-of-context “Good morning, starshine! The earth says hello!” com que o Wonka cumprimenta seus unwelcome visitors é o começo de uma canção do famoso-musical-que-ainda-desconheço Hair, que coisa.
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Delirando: Depois que eu vi a (im)possível ambigüidade dos astericos – hum, “ambigüidade dos asteriscos”, título de alguma coisa, não? rs “O fSe eu ler um artigo sobre isso datado de depois (de depois? Preciso estudar português. Principalmente se quero escrever artigos, rs) deste post, vou acusar o autor de ladrão de idéias – cuidado! rsda é ‘oficializar nossa relação’, rsrsrs.” Sim, eu sei.

sábado, 19 de agosto de 2006

Working hard, playing hard

01) communication technology: SCENE 01

[Deve ser, além de a casa super equipada dele, claro, aquilo de o cara ser tão ligado em tecnologias, mas tão desligado do mundo que nem percebe que está falando no celular com um colega que está no elevador junto com ele! Ou será que essa já é a cena 02, que indiquei mais adiante?]

quote?
[citação?]


02) communication technology - the Internet: SCENE 15

[Aquela em que ela diz que ele vai pra casa dele, fazer sei lá que coisas, se entediar, entrar na internet, se entediar e, então, vai pensar nela e vai voltar - e é o que acaba acontecendo, que lindo, rs. Dessa eu gostei bastante, porque dá pra discutir o “impacto” da internet nas nossas vidas e tal, a gente meio que se identifica com o cara...]

Nelson Moss: Try to be wrong once in a while. It'd do my ego good.
[Nelson Moss: Tente estar errada de vez em quando. Faria bem ao meu ego.]


03) cell phones: SCENES 02, 12, 16, 22, 25

[Essas são só trechos, claro, porque são muitas... Usar essas cenas - desde o começo do filme, em que o cara não vive sem o celular, até o final, em que ele joga o maldito lá na pia pra provar seu amor por ela, que fofo, rs - pra ilustrar também nossa relação com os celulares e pra meio que termos material de apoio pra reflexão e discussão. Só acho que fica bem “parcial”, já que a idéia final é contra essas tecnologias todas... De qualquer forma, o grupo a favor dos celulares pode se basear na questão do uso deles para o trabalho, essas coisas, não sei! rs]

Nelson Moss: (throws his cell phone in a sink full of water) Marry me! (throws his watch) Marry me, Sarah!
[Nelson Moss: (atira seu celular em uma pia cheia de água) Case-se comigo! (atira seu relógio) Case-se comigo, Sarah!]

(créditos: atividades minhas, roteiro de Kurt Voelker)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Pré-fabricado, ou Foi num corredor

Pena que o moço do xerox não me deixou tirar uma cópia do texto a tempo. Fica assim incompleto por uns dias, então. O que era pra ser um cruzamento meio (ou) muito nada-a-ver de referências. Eu me divirto. Repito: quem disse que aula precisa ser chata?

the dark of the Matinee - Franz Ferdinand - (you) take your white finger / slide the nail under / the top and bottom buttons of / my blazer / relax the fraying wool / slacken ties and I’m / not to look at you in the shoe / but the eyes / find the eyes / find me and follow me / through corridors, refectories / and files you must follow, leave / this academic factory / you’ll find me in the Matinee / the dark of the Matinee / it’s better in the Matinee, the / dark of the Matinee / is mine / yes, it’s mine / I time every journey / to bump into you / accidentally I / charm you and tell you / of the boys I hate / all the girls I hate / all the words I hate / all the clothes I hate / how I’ll never be / anything I hate / you smile, mention / something that you like / oh, how you’d have a happy life / if you did the things you like / find me and follow me / through corridors, refectories / files you must follow, leave / this academic factory / you’ll find me in the Matinee / dark of the Matinee / it’s better in the Matinee, the / dark of the Matinee / is mine / yes, it’s mine / so I’m on BBC2 now / telling Terry Wogan how / I made it, and / what I made is unclear now / but his deference is / and his laughter is / my words and smile / are so easy now / yes, it’s easy now / yes, it’s easy now / find me and follow me / through corridors, refectories / and files you must follow, leave / this academic factory / you’ll find me in the Matinee / dark of the Matinee / it’s better in the Matinee, the / dark of the Matinee / you’ll find me and follow me / through corridors, refectories / and files you must follow, leave / this academic factory / you’ll find me in the Matinee / the dark of the Matinee / it’s better in the Matinee, the / dark of the Matinee / is mine / yes, it’s mine

a escuridão da Matinê - Franz Ferdinand - (você) pega o seu dedo branco / desliza a unha por debaixo / do primeiro e do último botão do / meu blazer [OBS.: a Martins Fontes, no seu Password, traduz como “blusão” – cada um na sua] / relaxa a lã esgarçada / afrouxa gravatas e eu / não devo te olhar no sapato / mas nos olhos / encontre [encontrar? (os olhos) encontram?] os olhos / me encontre e me siga / através de corredores, refeitórios / e arquivos que você deve seguir, deixar / esta fábrica acadêmica / você vai me encontrar na Matinê / a escuridão da Matinê / é melhor na Matinê, a / escuridão da Matinê / é minha / sim, é minha / Cronometro cada deslocamento / pra topar com você / acidentalmente eu / te seduzo e te conto / sobre os caras que eu odeio / todas as garotas que eu odeio / todas as palavras que eu odeio / todas as roupas que eu odeio / como eu nunca serei / nada que eu odeio / você sorri, menciona / algo de que gosta / ah, como você teria uma vida feliz / se fizesse as coisas de que gosta / me encontre e me siga / através de corredores, refeitórios / arquivos que você deve seguir, deixar / esta fábrica acadêmica / você vai me encontrar na Matinê / escuridão da Matinê / é melhor na Matinê, a / escuridão da Matinê / é minha / sim, é minha / Então eu estou na BBC2 agora / contando ao Terry Wogan como / eu consegui, e / o que eu consegui está confuso agora / mas a deferência dele está / e a risada dele está / as minhas palavras e o meu sorriso / são tão fáceis agora / sim, é fácil agora / sim, é fácil agora / me encontre e me siga / através de corredores, refeitórios / e arquivos que você deve seguir, deixar / esta fábrica acadêmica / você vai me encontrar na Matinê / escuridão da Matinê / é melhor na Matinê, a / escuridão da Matinê / você vai me encontrar e me seguir / através de corredores, refeitórios / e arquivos que você deve seguir, deixar / esta fábrica acadêmica / você vai me encontrar na Matinê / a escuridão da Matinê / é melhor na Matinê, a / escuridão da Matinê / é minha / sim, é minha

Perdoem-me a ignorância, mas who the hell is Terry Wogan?!* Preguiça de procurar no Google agora. E adoro isso de “leave this academic factory”, pena que me é impossível no momento, rs. E consigo visualizar toda a letra na minha cabeça, legalzinho. Ah, e passei um tempão entendendo, mesmo sem justificativa sonora alguma pra isso, “your smile mention(s) something that you like”**, ao invés de “you smile, mention something that you like”***, o que seria bonitinho, até “poético”, também, pelo menos eu acho. Também encontrei num site uma versão da letra segundo a qual (chique, hein?) o cara diria “this psychedelic factory”**** (a de chocolates? rs), e não “this academic factory”*****, num certo momento, o que também seria “bonitinho, até ‘poético’”, se fosse verdade. Eu não consegui identificar isso nem com fone de ouvido, mas vai saber. Dúvida também no “you” inicial (por isso entre parênteses), que consta no encarte, mas que também não consegui identificar.

* ... quem diabos é Terry Wogan?! ** “o seu sorriso menciona algo de que você gosta” *** “você sorri, menciona algo de que gosta” **** “esta fábrica psicodélica” ***** “esta fábrica acadêmica”
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(créditos aos já mencionados Franz Ferdinands e ainda por mencionar ao Zé Pedro)

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Flexão verbal no português

Eu abuso (da minha sorte)
Tu abusas (da minha sorte)
Ele abusa (da minha sorte)
Ela abusa (da minha sorte)
Nós abusamos (da minha sorte)
Vós abusais (da minha sorte)
Eles abusam (da minha sorte)
Elas abusam (da minha sorte)

coitadinha (da minha sorte?)

rg; cpf; título de eleitor; carteira de trabalho e pis?; ensino fundamental; ensino médio; ensino superior; ensino pós-superior; inservice; II encontro de iniciação científica em estudos clássicos e XVII semana de estudos clássicos; visões do totalitarismo no cinema; 100 dC. Drummond de Andrade: homenagem ao poeta; análise do discurso: fundamentos e aplicações; rousseau: filosofia, literatura e educação; preservice; as faces do narrador; a literatura na literatura: o caso português; VII yilts; I jornada transdisciplinar sobre leitura; jornada comemorativa do segundo centenário de nascimento de George Sand; I colóquio rousseau “rousseau, verdades e mentiras”; I congresso internacional da associação brasileira de estudos semióticos; XIX semana de estudos clássicos e III encontro de iniciação científica em estudos clássicos; III seminário de pesquisa do programa de pós-graduação em lingüística e língua portuguesa “os fatos da linguagem, esse conjunto heteróclito”; perspectivas da literatura francesa: rimbaud e escritores malditos (150 anos de rimbaud); perspectivas da literatura francesa: 200 anos de victor hugo; II since; I semana de estudos teatrais “luiz antônio martinez corrêa”: teoria e prática; II ciclo de conferências “aquisição de linguagem”; “ensino de alemão com TANGRAM: diversão e resultados”; imortais da literatura ocidental; I colóquio brasileiro de estudos germânicos “história: contrafaces e interfaces”; “os estados da crítica”: 1º simpósio do grecc; 13º congresso de leitura do brasil; I since; II edip; literatura e a sétima arte – módulo II: “grandes obras da literatura francesa”; literatura e a sétima arte – módulo I: “cinema e literatura universal”; congresso internacional o surrealismo: atualidade e subversão; II seminário de pesquisa do programa de pós-graduação em lingüística e língua portuguesa; VI seminário de pesquisa do programa de pós-graduação em estudos literários; 12º simpósio internacional de iniciação científica da usp; X congresso internacional abralic; (VII seminário de pesquisa do programa de pós-graduação em estudos literários); “análise de material didático e reflexões a respeito dessa análise”; “procedimentos narrativos e discursivos do conto”; “literatura através de textos”; “leitura em francês”; “alemão básico I”; intermediário III, high advanced, london tests of english, cpe, programa de espanhol – básico, projeto cidadãos do mundo
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e o que fazer de tudo aquilo que não se pode xerocar?
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blame it on your black star (nope, blame it on myself)
[culpe a sua má estrela (nãã, culpe a mim mesma)]
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(créditos discretos ao Radiohead)

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Très théâtrale

Tanta coisa que não entendo bem. Tanta coisa que entendo tão bem. (Disfarça!)
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Non, je ne regrette rien - Édith Piaf - Non! Rien de rien... / Non! Je ne regrette rien... / Ni le bien qu’on m’a fait, / Ni le mal, tout ça m’est bien égal! / Non! Rien de rien... / Non! Je ne regrette rien... / C’est payé, balayé, oublié... / Je me fous du passé! / Avec mes souvenirs / J’ai allumé le feu... / Mes chagrins, mes plaisirs, / Je n’ai plus besoin d’eux! / Balayés les amours, / Avec leurs trémolos, / Balayés pour toujours... / Je repars à zéro! / Non! Rien de rien... / Non! Je ne regrette rien... / Ni le bien qu’on m’a fait, / Ni le mal, tout ça m’est bien égal! / Non! Rien de rien... / Non! Je ne regrette rien... / Car ma vie, car mes joies, / Aujourd’hui, ça commence avec toi!
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Não, não choro* por nada - Édith Piaf - Não! Nadica de nada... / Não! Não choro por nada... / Nem pelo bem que me fizeram, / Nem pelo mal, isso tudo me dá na mesma! / Não! Nadica de nada... / Não! Não choro por nada... / Está pago, varrido, esquecido... / Eu zombo do passado! / Com minhas lembranças / Acendi o fogo... / Minhas dores, meus prazeres, / Não preciso mais deles! / Varridos os amores, / Com suas vozes trêmulas e afetadas, / Varridos para sempre... / Recomeço do zero! / Não! Nadica de nada... / Não! Não choro por nada... / Nem pelo bem que me fizeram, / Nem pelo mal, isso tudo me dá na mesma! / Não! Nadica de nada... / Não! Não choro por nada... / Pois minha vida, pois minhas alegrias, / Hoje, começam com você!
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* Difícil pra caramba de traduzir, por isso a “tradução (bem) livre” – talvez a melhor seria “lamentar”, mesmo (mas como se lamentar o bem que nos fizeram?). O principal que encontrei no Petit Robert foi, mais ou menos: (1) experimentar o desejo doloroso de (um bem que não se possui mais, uma felicidade passada); estar desgostoso por não possuir mais (o que se possuiu); (2) lamentar a ausência, a morte de (alguém); (3) estar descontente (por ter feito ou não ter feito); (4) desaprovar; estar descontente por (algo que contraria uma espera, um desejo, uma vontade); (5) mostrar-se desgostoso diante de alguém (por uma ação, por uma situação pela qual se é responsável).
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(tenho uma atividade completa baseada nessa letra; caso interesse a alguém, já sabem, é só dar um grito)

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Le mystère

Pergunta:
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O que duas amigas, um casal de apaixonados e um cabeleireiro têm em comum?
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Ou:
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O que é capaz de unir Araraquara, Guadalajara e São Carlos em uma só paisagem?
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Resposta:

Pablo Picasso.

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(créditos: ao já mencionado Picasso e ao diretor do filme cujo título serviu de inspiração ao título deste post – preciso pegar meu caderno e dar uma olhada, péssima memória a minha)

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Ele, simply - and not so simply, of course.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Caring - ou Do nariz como limite do mundo

acordar, quase no fim da tarde, é verdade, mas acordar, acordar e pensar, puxa vida, parece que eu tô melhor, melhor ainda, parece que o tempo tá melhor, uma daquelas pequenas maravilhas geralmente tão injustiçadas, sabe como é, a gente só dá valor a certas coisas quando, ver o final da vitória do Barcelona sobre o Arsenal junto com o daddy, já que o corpo ainda não permite muita coisa além disso, e me lembrar do meu dear English teacher, although he said he does not support Arsenal, será que é séria a história do Ponte Preta?, entrar na net pra confirmar a tal suspensão, e pra perder tempo também, claro, o inconfessável, glad to know you know you interest me, my friend, that’s not even a confession, you already know that, já o disse tantas vezes, i-do-care-about-you, e assim, com todas as letras, embora em inglês, e o meu professor, que estudou lingüística e tal, disse que there are some things we don’t say in our mother tongue because they’d sound much stronger and closer to ourselves if we did, algo assim, que eu já sabia, consciente, subconsciente ou inconscientemente, aliás, disfarçar covardias com conhecimentos lingüísticos, que coisa, se o tamanho do meu medo é diretamente proporcional ao do meu interesse por idiomas, falando nisso, para que os franceses possam evitar seus medos em português, assinem, s’il vous plaît, e a coincidência, mais uma, de uma das minhas cores favoritas

Gregorovius suspirou. Todo mundo suspirava quando ela fazia alguma pergunta. Horacio, mas sobretudo Etienne, porque Etienne não somente suspirava como também bufava, berrava e a chamava de estúpida. “É tão violeta ser ignorante”, pensou a Maga, ressentida. Sempre que alguém se escandalizava com suas perguntas, uma sensação violeta, uma massa violeta a envolvia por um momento. Tinha de respirar profundamente e o violeta se desfazia, voando para longe, como os peixes, dividindo-se numa multidão de losangos violeta, uns pequenos barris nos subúrbios de Pocitos, o verão nas praias, manchas violeta contra o sol e o sol se chamava Ra e também era egípcio como Pascal. Já quase não se importava com os suspiros de Gregorovius; depois de Horacio, pouco se importava com os suspiros de alguém quando fazia alguma pergunta, mas isso não impedia, de qualquer modo, que continuasse a ficar com uma mancha violeta diante dos olhos, durante um momento, e também com vontade de chorar, algo que durava apenas o tempo de sacudir o cigarro com aquele gesto que estraga irresistivelmente os tapetes, supondo-se que existam.

(Quanto aos prejuízos acadêmicos, reitero a plena confiança de que nossos alunos e nossos servidores docentes e técnico-administrativos saberão compensar a suspensão de atividades com sua dedicação e competência.)
(traduções: 01. “care”, segundo o Longman, “achar que alguma coisa é importante, de modo que você se interessa por ela, se preocupa com ela, etc.”, “preocupar-se com o que acontece com alguém, porque você gosta desta pessoa ou a ama”; 02. “daddy” todo mundo sabe – curioso é eu não o chamar de “papai”, a teoria mencionada pelo meu professor deve estar certa, pelo visto; 03. querido professor de inglês, embora ele tenha dito que não torce para o Arsenal; 04. o trecho todo, inclusive com as passagens já em portguês, para não ficar tão truncado: fico feliz em saber que você sabe que você me interessa, meu amigo, isso não é nem mesmo uma confissão, você já sabe disso, já o disse tantas vezes, eu-me-importo-sim-com-você, e assim, com todas as letras, embora em inglês, e o meu professor, que estudou lingüística e tal, disse que há algumas coisas que não dizemos na nossa língua materna porque elas soariam muito mais fortes e mais próximas de nós mesmos se o fizéssemos; 05. o óbvio do “por favor” em francês)
(créditos: a Julio Cortázar e a Claudio Gomide)

quarta-feira, 17 de maio de 2006

o cúmulo

o ápice da doença, tomara que a cura venha logo em seguida, então, o dia no sofá intensificando tanto desconforto, maldição

(você já teve pneumonia, tem mais chance de morrer se pegar de novo do que quem nunca teve, besteira, crendice popular)

O marquês não se confiou a Deus, mas a tudo o que lhe desse alguma esperança. Na cidade havia outros três médicos formados, seis boticários, onze barbeiros sangradores e um sem-número de curandeiros e mestres em feitiçaria, embora nos últimos cinqüenta anos a Inquisição tivesse condenado mil e trezentos a diferentes penas e queimado sete na fogueira. Um jovem médico de Salamanca abriu a ferida fechada de Sierva María e pôs-lhe umas cataplasmas cáusticas para extrair os humores rançosos. Outro tentou a mesma coisa com sanguessugas nas costas. Um barbeiro sangrador lavou a ferida com a urina dela própria e outro a fez bebê-la. Ao fim de duas semanas ela havia suportado dois banhos de ervas e duas lavagens emolientes por dia, e levaram-na à beira da agonia com cozimentos de antimônio natural e outros filtros mortais.

A febre cedeu, mas ninguém ousou proclamar que a raiva estivesse conjurada. Sierva María sentia-se morrer. A princípio resistia com o orgulho intacto, mas após duas semanas sem nenhum resultado tinha uma úlcera de fogo no tornozelo, a pele escaldada por sinapismos e vesicatórios, e o estômago em carne viva. Passara por tudo: vertigens, convulsões, espasmos, delírios, solturas de ventre e de bexiga, e se retorcia no chão uivando de dor e de fúria. Até os curandeiros mais afoitos a abandonaram à própria sorte, convencidos de que estava louca ou possuída pelos demônios. O marquês já tinha perdido todas as esperanças, quando apareceu Sagunta com a receita de Santo Huberto.

Foi o final. Sagunta se desfez de seus lençóis e se besuntou com ungüentos de índios para esfregar seu corpo no da menina nua. Esta resistiu de pés e mãos apesar de sua fraqueza extrema, e Sagunta a submeteu à força. Bernarda ouviu de seu quarto a gritaria demente. Correu para ver o que acontecia e encontrou Sierva María esperneando no chão, e Sagunta em cima dela, envolvida na maré de cobre da cabeleira e ululando a oração de Santo Huberto. Chicoteou ambas com as cordas da rede. Primeiro no chão, as duas encolhidas pela surpresa, e depois perseguindo-as pelos cantos até que lhe faltou fôlego.
(créditos: Gabriel García Márquez, o Gabo)

terça-feira, 16 de maio de 2006

A noite em que a cidade parou

Senhores alunos e professores,

Por determinação da Direção da Faculdade de Ciências e Letras do Campus de ----------, informamos que as aulas estão suspensas no período de 16 a 19 de maio de 2006.
Informamos ainda que o expediente administrativo está suspenso no dia 16 de maio (terça-feira).

Atenciosamente,

Fernanda Outeiro
Supervisor de Seção-Substº
Seção de Pós-Graduação

C O M U N I C A D O n° 03/2006

Considerando os acontecimentos recentes envolvendo segurança pública e também as informações recebidas dos Órgãos de Segurança do Estado de São Paulo, o Conselho Diretor do Campus de ---------- delibera suspender as atividades das Unidades do Campus de ---------- até o dia 19.05.2006.
O Diretor de cada Unidade de ---------- estabelecerá as atividades essenciais que devem ser mantidas.

----------, 15 de maio de 2006.

Profª Drª MAYSA FURLAN
Presidente do Conselho Diretor/CAr.


- Fazendo o quê, andando por aí numa noite como esta?
- Pois é, uma garota perambulando sozinha por essas ruas... Fui à escola, faço espanhol lá, mas estava fechada.
- Está tudo fechado. Você não ficou sabendo dos últimos acontecimentos?
- Não...
- Queimaram um ônibus da CTA, metralharam o Teatro Municipal, invadiram a Unip e parece que deram uns tiros na Odonto também.
- Nossa, pensei que fosse boato!...
- Que nada!
- Por isso suspenderam as aulas no câmpus, então. Aqui no centro também?
- Também, as atividades estão todas suspensas até sexta.
- Que coisa...

(e eu que pensava que só em São Paulo)

nothingman - pearl jam - once divided... nothing left to subtract... some words when spoken... can’t be taken back... walks on his own... with thoughts he can’t help thinking... future’s above... but in the past he’s slow and sinking... caught a bolt of lightning... cursed the day he let it go... nothingman... nothingman... isn’t it something? nothingman... she once believed... in every story he had to tell... one day she stiffened... took the other side... empty stares... from each corner of a shared prison cell... one just escapes... one is left inside the well... and he who forgets... will be destined to remember... oh... oh... oh... nothingman... nothingman... isn’t it something? nothingman... oh, she don’t want him... oh, she won’t feed him... after he’s flown away... oh, into the sun... ah, into the sun... burn... burn... burn... nothingman... nothingman... isn’t it something? nothingman... nothingman... nothingman... could’ve been something... nothingman... oh...ohh... ohh... ohh...

homem-nada - pearl jam - uma vez dividido... nada resta para ser subtraído... algumas palavras quando ditas... não podem ser retiradas... caminha sozinho... com pensamentos que ele não consegue evitar de pensar... o futuro está acima... mas no passado ele é devagar e está afundando... agarrou um raio... amaldiçoou o dia em que o deixou ir... homem-nada... homem-nada... isso não é alguma coisa? homem-nada... ela uma vez acreditou... em toda história que ele tinha para contar... um dia ela endureceu... foi para o outro lado... olhares vazios... de cada canto de uma cela de prisão compartilhada... um só escapa... um é deixado dentro do poço... e ele que esquece... será destinado a lembrar... oh... oh... oh... homem-nada... homem-nada... isso não é alguma coisa? homem-nada... oh, ela não o quer... oh, ela não o alimentará... depois que ele tiver voado para longe... oh, (para) dentro do sol... ah, (para) dentro do sol... queimar... queimar... queimar... homem-nada... homem-nada... isso não é alguma coisa? homem-nada... homem-nada... homem-nada... poderia ter sido alguma coisa... homem-nada... oh...ohh... ohh... ohh...

better man - pearl jam - waiting watching the clock it's four o'clock it's got to stop tell him take no more she practices her speech as he opens the door she rolls over pretends to sleep as he looks her over she lies and says she's in love with him can't find a better man she dreams in color she dreams in red can't find a better man can't find a better man can't find a better man ohh talking to herself there's no one else who needs to know she tells herself oh memories back when she was bold and strong and waiting for the world to come along swears she knew it now she swears he's gone she lies and says she's in love with him can't find a better man she dreams in color she dreams in red can't find a better man she lies and says she still loves him can't find a better man she dreams in color she dreams in red can't find a better man can't find a better man can't find a better man yeah she loved him yeah she don't want to leave this way she feeds him yeah that's why she'll be back again can't find a better man can't find a better man can't find a better man can't find a better man

homem melhor - pearl jam - esperando olhando o relógio são quatro horas isso tem que parar diga para ele não demore mais ela pratica sua fala enquanto ele abre a porta ela rola para o lado finge estar dormindo enquanto ele a observa ela mente e diz que está apaixonada por ele não consegue encontrar um homem melhor ela sonha a cores ela sonha em vermelho não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor ohh falando sozinha não há ninguém mais que precise saber ela diz para si mesma oh memórias de volta quando ela ela corajosa e forte e estava esperando que o mundo viesse junto jura que ela sabia agora ela jura que ele se foi ela mente e diz que está apaixonada por ele não consegue encontrar um homem melhor ela sonha a cores ela sonha em vermelho não consegue encontrar um homem melhor ela mente e diz que ainda o ama não consegue encontrar um homem melhor ela sonha a cores ela sonha em vermelho não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor é ela o amava é ela não que sair desse jeito ela o alimenta é é por isso que ela estará de volta novamente não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor não consegue encontrar um homem melhor

(gosto de Pearl Jam porque)

(correções e comentários às traduções e às letras assim que eu tiver saco pra)

domingo, 14 de maio de 2006

Tão inhas

ninguém mandou ficar trabalhando até as três da madrugada tomando friagem agora agüenta essa rouquidão esse catarro essa coceira nos pulmões essa coriza esses calafrios essa febre essas mãos geladas mas foi por uma boa causa um ponto a menos no inferno um ponto a mais no céu supondo que os haja claro só limão com mel não adianta detesto me automedicar mas fazer o quê obrigada pelo melhoral espero que melhore mesmo cama a tarde toda e ainda ouço um você deveria ter vindo antes ah sim pegar um ônibus que leva meia hora ou mais pra passar com febre e frio mesmo que o sol esteja brilhando isso não significa que e o pior é ouvir superstições e reclamações que saco mas desde quando cinco horas já não é mais dia das mães não me venha com seus melindres não quer aceitar o cumprimento não aceita oras o que posso fazer somos um caso perdido mesmo pelo visto alguma espécie de maldição se eu acreditasse nelas uma historinha de condenação da linha que sangra da família

(só não jogue sua culpa nos meus ombros por favor você não percebe que por um lado comparando-me a você você acaba indiretamente se comparando a ela por outro lógica isso é é isso aí não se deve tentar deduzir o que se passa pela cabeça dos filhos então por que diabos você insiste em fazê-lo só pra me machucar deve ser provavelmente uma maneira de ajudar a secar as feridas que eu mesma provoco em você relacionamento doentio esse hein acho que vou desejar feliz dia das mães ao meu pai então coitado ele também merece tá vendo disse também o que significa que julgo que você merece primeiro lógica de novo mas você não entenderia tenho certeza e acabei desejando mesmo espero que ele tenha gostado ao menos um pouquinho não que nosso relacionamento seja fácil muito muitíssimo pelo contrário você sabe disso melhor do que ninguém ou seja o problema sou eu mesma que triste vou chorar sim ironia não estou pra lágrimas hoje ainda bem credo)

por isso não quero ter filhos principalmente filhas embora meninas seja o que mais me agrada em matéria de crianças talvez por eu gostar de ser mulher ao contrário de muitas mulheres que conheço e são bem mulheres mesmo mas se sentem injustiçadas pelo mundo como aliás o somos todas nós marias e madalenas mundo de homens cada vez menos homens a propósito mas não vou bancar a feminista hoje não estou com saco pra isso não estou com saco pra quase nada na verdade só concluir uma outra partezinha do meu trabalho quase que literalmente abençoado eles não sabem a herege que sou pobrezinhos e me pergunto freqüentemente o que fariam caso soubessem me repudiariam retirariam tudo o que disseram até agora ou agiriam feito bons cristãos de fato e me perdoariam magnanimamente como se houvesse o que perdoar bom até tem vai mas não do modo como eles pensam ou pensariam que seja responder um e-mail tão gentil show do ney claro com você será melhor ainda minha amiga

e tenho que estudar francês que vergonha
e tenho que estudar inglês com urgência
e tenho que estudar alemão oras

(e pra isso tenho que deixar de fazer coisas inúteis como esta na internet e também tenho que melhorar dessa gripe maldita que espero que seja só gripe mesmo e não dengue ou porcaria que o valha e tenho que bom tenho que fazer tanta coisa enfim)

“Um conto é significativo quando quebra seus próprios limites com essa explosão de energia espiritual que ilumina bruscamente algo que vai muito além da pequena e às vezes miserável história que conta (...).”

Julio Cortázar, que eu amo, citado por Augusto Cavalcanti, que, ao menos de nome, desconheço, em conto curioso que veio parar na minha caixa-de-entrada:

“(...)

silêncio

é só nele que sou.
e quando estiver quieto
se acaso disseres
‘eu sempre soube’
eu
meu amor
tenho um par


Chamar-se-á beatriz e nada mais.”

in and out - come

(“nós não vivemos mais sem você”)

- What’s your favourite kind of food?
- My favourite kind of food is Italian food.

- Who’s your favourite actor?
- My favourite actor is Johnny Depp.

- What’s your favourite kind of music?
- My favourite kind of music is rock.

(“eu estou muito contente com vocês”)

Thank you so much.


(“ah, mas é importante”)

Samstags haben wir Deutschunterricht.

DC geht sonntags oder montags ins Kino.

Montags und mittwochs hat sie Spanischunterrichte.

(“nós trabalhamos bastante hoje”)

Vielen Dank.

E me lembro da citação no encarte de Yield,

four days alone with nothing.
emerge empowered...
“the first human face you see will knock you back 50%.
- buk

que não se aplica bem ao caso, mas como é que alguém pode passar do canto ao choro em questão de minutos? Und morgen ist Muttertag. Gonna bury myself in work.

(traduções do inglês óbvias, então... não, tem o “quatro dias sozinho com nada. você emerge energizado... ‘a primeira face humana que você vir vai derrubá-lo de volta 50%.’”, mais ou menos isso, e o "vou me enterrar em trabalho". ah, e o título do post é um trocadilho com as palavras “income” e “outcome”, literal e simplificadamente, “rendimento” e “resultado”, e “in”, “out” e “come”, algo como “pra dentro”, “pra fora” e “vir”, que eu quis um presente do indicativo plural ou um imperativo, não sei)
(traduções do alemão: 01. Aos sábados temos aula de alemão.; 02. DC vai ao cinema aos domingos ou às segundas.; 03. Às segundas e às quartas ela tem aulas de espanhol.; 04. Muito obrigada. - sim, óbvio também; 05. E amanhã é Dia das Mães. - óbvio, de novo)

sábado, 13 de maio de 2006

Dirty minds

(Não gosto deles tirando sarro dos fãs portugueses, mas... Pior do que “Os Beatles” seria traduzirmos pra “Os Beatsouros” ou coisa que o valha, oras. Apresentador estúpido. Bom, no fim, quem passou por ignorante foram eles, que inventaram um português mais parecido com um alemão deturpado – e os portugueses é que eram “ridiculous”, tá.)

Honey, don't - The Beatles (?) - Well, how come you say you will, when you won’t? Say you do, baby, when you don't? Tell me, honey, how do you feel? Tell the truth, now, is love real? But, uh-uh, honey, don't. Well, honey, don't. Yeah, honey, don't. Well, honey, don't. Yeah, honey, don't. Say you will, when you won't, uh-uh, honey, don't. Well, I love you, baby, and I want you to know I like the way that you wear your clothes. Everything about you is so doggone sweet. You got that sand all over your feet. But, uh-uh, honey, don't. Well, honey, don't. Yeah, honey, don't. Well, honey, don't. Yeah, honey, don’t. Say you will, when you won't, uh-uh, honey, don't. Well, I love you on a Saturday night. Sunday morning, you don't look right. You’ve been out, painting the town. Uh-uh, honey, been stepping around. But, uh-uh, honey, don't. Well, honey, don’t. Oh, honey, don’t. Oh, honey, don’t. Honey, don't. Yeah, say you will, when you won't, uh-uh, honey, don't.


Docinho, não - The Beatles (?) - Bem, como você diz que vai, quando não vai? Diz que sim, querida, quando não? Diga, docinho, como você se sente? Agora, diga a verdade, o amor é verdadeiro? Mas, ahn-ahn, docinho, não. Bem, docinho, não. É, docinho, não. Bem, docinho, não. É, docinho, não. Dizer que vai, quando não vai, ahn-ahn, docinho, não. Bem, eu amo você, querida, e quero que saiba que gosto do jeito como você usa suas roupas. Tudo em você é tão irritantemente* doce. Você tem aquela areia nos seus pés todos.* (?!) Mas, ahn-ahn, docinho, não. Bem, docinho, não. É, docinho, não. Bem, docinho, não. É, docinho, não. Dizer que vai, quando não vai, ahn-ahn, docinho, não. Bem, eu amo você numa noite de sábado. Domingo de manhã, você não parece bem. Você esteve fora, esteve se divertindo pela cidade*. Ahn-ahn, docinho, esteve perambulando por aí*. Mas, ahn-ahn, docinho, não. Bem, docinho, não. Oh, docinho, não. Oh, docinho, não. Docinho, não. É, dizer que vai, quando não vai, ahn-ahn, docinho, não.

* 01) Segundo o Longman Dictionary of Contemporary English, “doggone” é inglês estadunidense falado e antiquado, “usado quando você está levemente irritado(a) com alguma coisa”. 02) Alguém pode me ajudar com essa? “You got that sand all over your feet.” – só pode ser uma expressão que desconheço e que não consta do Longman, infelizmente. 03) LDoCE: “paint the town (red)” = [informal] sair para ir a bares, clubes, etc. para se divertir. 04) Será que “step around” tem algum significado mais “sutil” além do literal?...


(OK, no “As for”) The idea that youngsters of today have nothing to be proud of or call uniquely their own (OK, no “it”) is far from (OK, no “being”) original: there is not a time when young people have not been regarded with suspiscion and disapproval by older people, for man has always been afraid of the new, of changes, of whatever may represent a threat to his old safe values. I call it simply conflict of generations.

(certo, nada de “Quanto a”) A idéia de que a juventude de hoje não possui nada de que se orgulhar ou nada para chamar de unicamente seu (certo, nada de “ela”) está longe de ser (certo, nada de “ser”, em inglês, pelo menos) original: não existe uma época em que os jovens não tenham sido vistos com suspeita e desaprovação pelos mais velhos, pois o homem sempre temeu o novo, as mudanças, o que quer que seja que possa representar uma ameaça a seus velhos e seguros valores. Eu chamo isso simplesmente de conflito de gerações.

(créditos da canção: não deve ser deles, mas conheço do – e segui a letra pelo – álbum The Beatles: Live at the BBC, que ganhei já há algum tempo do Jô, sempre tão gente-boa, que, por sua vez, havia ganhado de sabe-se-lá-quem)

(créditos do excerto: mistakes by me and corrections by my dear – really British – English teacher)
e, sim, “dirty minds” equivale a algo como “mentes poluídas” – e, sim, foi propositalmente escolhido para ser, fora de contexto, o título do post, meio que um exercício “dadá” e meio que um lembrete para mim mesma

sexta-feira, 12 de maio de 2006

melting - meanings and collocations

Quelle belle surprise celle de recevoir un mél de toi!... (correção: Quelle belle surprise que de recevoir un mail de toi!...)

Internet, again?

(música ambiente)
- Excuse me.
- Yes? (fazer o quê, né?)

Que ótima surpresa receber um e-mail seu!...

quase quinhentos reais que não tenho e quase aparento o que não sou mas passarei a ser se no fim todos formos mesmo o que possuirmos

o alívio e o risco do dizer-o-que-deve-ser-dito

- Entschuldigung. Buchstabieren Sie, bitte.
- Ich heiße: L-E-O-N-A-R-D-O, Leonardo.
- Und Ihr Familienname?
- * - # - “ - %, *#“%.
- OK. Wie alt sind Sie?
- Ich bin zw... (a... “ie”, é isso?...)
- (“Ei”? Zwei?)
- ... zwei... (ts... “i”?)
- (“U”? Und? Zweiund...? Lembra que a unidade vem sempre antes da dezena.)
- ... zweiz...
- (Não. Zweiundzwanzig? Vinte e dois?)
- (Não. Só vinte.)
- (Ah, vinte!... rs Então, tá certo. É “zwanzig” mesmo.)
- Ich bin... zwanzig... Jahre alt.
- (Certinho. Sempre me esqueço de que vocês são bem mais novos do que eu, em geral.)

se todos fossem na classe iguais a você

(and i’ll try to remember not to listen to coldplay on such a cold day)

E quem precisa de suit of armour quando se tem um édredon macio e quentinho? Experimenta se aventurar em cruzadas por essas terras profanas trajando apenas calcinha e édredon então.

(tecla sap nas linhas e entrelinhas do contexto - ah, só "melting", que pode significar "derretendo", entre muitas outras coisas, por isso o "meanings" e "collocations", "significados" e... ah, as palavras passíveis de serem combinadas com outra específica, no caso, "melting" mesmo, c'est compris? non? ah, forget it)

domingo, 7 de maio de 2006

Reações - ou entaota

domingo, 30 de abril de 2006

sunshine

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Encantada!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Passando, bem ou mal

And so it is, citando bem fora de contexto um desses hits recentes que já fizeram o desfavor de “traduzir”, e duas vezes, e eu nem sabia, para o português. Dois motivos simplezinhos pra eu retomar isto aqui, com o terceiro de sempre, escapismo, tanta coisa que devo mas não quero fazer, et c’est la vie, velho, velho clichê. Motivo número um, os oitenta e cinco anos da minha avozinha, o rosa forte do xale, cachecol, écharpe ou whatever refletindo nas maçãs do rosto salientes, herança da qual muito me orgulho, embora o nariz. O motivo número dois segue abaixo, uma dessas girlie songs que me arrancam suspiros literais e make me wanna fall in love someday, perhaps, who knows?, tenho uma coisa com violino no rock, então perdôo o que chamam de infâmia da tal “Astronauta de mármore”, ficou lá pra trás, na minha infância.

glycerine - bush - it must be your skin i’m sinking in must be for real ‘cause now i can feel and i didn’t mind it’s not my kind it’s not my time to wonder why everything gone white and everything’s grey now you’re here now you’re away i don’t want this remember that i’ll never forget where you’re at don’t let the days go by glycerine glycerine i’m never alone i’m alone all the time are you at one or do you lie? we live in a wheel where everyone steals but when we rise it’s like strawberry fields
if i treated you bad you bruise my face couldn’t love you more you got a beautiful taste don’t let the days go by could have been easier on you i couldn’t change though i wanted to should have been easier by three our old friend fear and you and me glycerine glycerine don’t let the days go by glycerine don’t let the days go by glycerine glycerine glycerine glycerine bad moon white again bad moon white again as she falls around me i needed you more when we wanted us less could not kiss just regress it might just be clear, simple and plain that’s just fine that’s just one of my names don’t let the days go by could have been easier on you, you, you glycerine glycerine glycerine glycerine

glicerina - bush - deve ser a sua pele em que estou afundando deve ser real porque agora consigo sentir e não me importei que não é o meu tipo não é a minha hora de me perguntar por que tudo ficou branco e tudo está cinza agora você está aqui agora você se foi não quero isso lembre-se nunca me esquecerei de onde você está não deixe os dias passarem glicerina glicerina nunca estou só estou só toda hora você concorda* ou está mentindo? vivemos em uma roda em que todo mundo rouba mas quando nos erguemos é como strawberry fields*
se te tratei mal você fere o meu rosto não poderia te amar mais do que já amo você tem um belo gosto* não deixe os dias passarem poderia ter sido mais fácil para você eu não poderia mudar embora quisesse deveria ter sido mais fácil a três nosso velho amigo medo e você e eu glicerina glicerina não deixe os dias passarem gilicerina não deixe os dias passarem glicerina glicerina glicerina glicerina lua malvada branca de novo lua malvada branca de novo enquanto ela cai perto de mim precisei mais de você quando nos queríamos menos eu não podia beijar só regredir pode ser só claro, simples e óbvio* assim está ótimo é só um dos meus nomes não deixe os dias passarem poderia ter sido mais fácil para você, você, você glicerina glicerina glicerina glicerina

*01. to be at one with sb/sth = duas possibilidades, “sentir-se muito calmo ou relaxado na situação ou no ambiente em que se está” ou o formal “concordar com alguém sobre algo”; 02. strawberry fields = referência a "strawberry fields forever", dos Beatles, por isso não traduzi; 03. taste = gosto, tanto no sentido de sabor, paladar, quanto de preferências, bom gosto, no caso fico com a idéia de gosto-sabor mesmo, interessante pensar em um gosto bonito, ou em um belo gosto, tradução forçada para rimar com rosto; 04. plain = claro, simples, óbvio, honesto, franco, sem graça, a escolher

(mais traduções: 01. and so it is = então é assim; 02. et c’est la vie = e é a vida; 03. whatever = o que seja; 04. girlie songs = canções para garotas; 05. make me wanna fall in love someday, perhaps, who knows? = me fazem querer me apaixonar um dia, talvez, quem sabe?)

“alien” fica pra amanhã, se eu me lembrar, e tomara que eu não me esqueça de uma imagem meio “surrealista” que me veio à mente agora

domingo, 19 de março de 2006

Homens

domingo, 12 de março de 2006

12 X 14, ou C'est bon

Lição de Baião

Jadir de Castro + Daniel Marechal

Adriana Partimpim (aka Calcanhotto, oui)

Un, deux

S’il vous plaît

Montrez, ma chérie,

Que vous savez danser

Jogue o corpo para lá

Jogue o corpo para cá

O corpo e...

Tudo legal pra começar

O Seu Renato, o professor

Já vai chegar pra lhe explicar

E os defeitos Seu Renato

Logo os corrigirá

Apprenez la leçon

Dansez le baion

Allons-y, dansons

Ah ! Que c’est bon !

Meio que combinando com o dia de hoje, o 14, não o 12, claro. Fofo.

sábado, 11 de março de 2006

11 X 14, ou Impressionante

Primeiro fake post após retomada do 14.

Se encontrar rastros do real um dia, faço os acertos de conta.

Por ora, ordem alfabética, ela:

Enguiço

- Adriana Calcanhoto -

Eu, hoje, ando atrás de algo impressionante

Que me mate de susto

Um impulso, um rompante

Que é pra me desviar desse mar de calmante

Rodei New York inteira e não te achei

Você mora em Belém

Eu sempre andei atrás de alguém pra andar na frente

Ah, eu quis me apaixonar assim perdidamente

Um engano redondo

O ciúme intuiu meio tarde demais

Ah, o meu orgulho já perdeu teu endereço

Mas o meu coração não

Eu não

Eu não esqueço

Eu, hoje, ando atrás de algo impressionante

Que me mate de susto

Um discurso, um romance

Que é pra me desviar desse mar de calmante

Rodei Belém inteira e não te achei

Você mora com alguém...

Bonitinha, não? And almost suitable, ainda por cima, que coisa.

sexta-feira, 10 de março de 2006

to tell - or not

Dia meio perdido, em tempo e dinheiro. Mas gramas e pessoas ganhas no final.

(e o que eu diria, afinal?, a verdade, sabe que você é bonita?, me faria cair numa mentira, a de ser homossexual ou quase, obviamente não era uma cantada, só aquela vontade louca, poder dizer a um garoto num ônibus, você é muito bonito, poder dizer a um cara numa farmácia, você é muito bonito, poder, enfim, dizer a um travesti numa praça, você é muito bonita, declarar a beleza sempre que me desse na telha, mas transformaram tudo em tabu, e a minha temeridade é mais teórica que prática, e que imagem a reta formada por nós duas caminhando a alguns passos uma da outra, ela indo e eu voltando, ela tão sexy e eu tão pouco, vulgaridades tantas)

Astolfa, amiga!... Hoje foi Madonna, então esta é pra você (aprender, tu compris?):

Live to tell - letra: Madonna + Pat Leonard - I have a tale to tell / Sometimes it gets so hard to hide it well / I was not ready for the fall / Too blind to see the writing on the wall / A man can tell a thousand lies / I've learned my lesson well / Hope I live to tell / The secret I have learned / 'Till then / It will burn inside of me / I know where beauty lives / I've seen it once / I know the warm she gives / The light that you could never see / It shines inside / You can't take that from me / A man can tell a thousand lies / I've learned my lesson well / Hope I live to tell / The secret I have learned / ‘Till then / It will burn inside of me / The truth is never far behind / You kept it hidden well / If I live to tell / The secret I knew then, / Will I ever have the chance again? / If I ran away / I'd never have the strength / To go very far / How would they hear the beating of my heart? / Will it grow cold, / The secret that I hide? / Will I grow old? / How will they hear? / When will they learn? / How will they know? / A man can tell a thousand lies / I've learned my lesson well / Hope I live to tell / The secret I have learned / 'Till then / It will burn inside of me / The truth is never far behind / You kept it hidden well / If I live to tell / The secret I knew then / Will I ever have the chance again?

[Viver para contar - Tenho uma história para contar / Às vezes, fica tão difícil escondê-la bem / Eu não estava pronta para a queda / Cega demais para ver que logo tudo desmoronaria* / Um homem pode contar mil mentiras / Aprendi bem a minha lição / Espero que eu viva para contar / O segredo que aprendi / Até então / Ele queimará dentro de mim / Sei onde a beleza mora / Eu a vi uma vez / Conheço o calor que ela dá / A luz que você nunca conseguiu ver / Ela brilha por dentro / Você não pode tirar isso de mim / Um homem pode contar mil mentiras / Aprendi bem a minha lição / Espero que eu viva para contar / O segredo que aprendi / Até então / Ele queimará dentro de mim / A verdade nunca está muito longe / Você a manteve bem escondida / Se eu viver para contar / O segredo que eu então sabia / Algum dia eu terei a chance de novo? / Se eu corresse / Eu nunca teria a força / Para ir muito longe / Como eles escutariam as batidas do meu coração? / Ele esfriará, / O segredo que escondo? / Eu envelhecerei? / Como eles escutarão? / Quando eles aprenderão? / Como eles saberão? / Um homem pode contar mil mentiras / Aprendi bem a minha lição / Espero que eu viva para contar / O segredo que aprendi / Até então / Ele queimará dentro de mim / A verdade nunca está muito longe / Você a manteve bem escondida / Se eu viver para contar / O segredo que eu então sabia / Algum dia terei a chance de novo?]

* “see the writing on the wall” é, de acordo com o Longman, uma expressão “usada para dizer que parece muito provável que algo não existirá por muito mais tempo ou que alguém fracassará” – escolhi “ver que logo tudo desmoronaria” por causa da idéia de fim, de fracasso e também pelo jogo com as palavras “fall (queda)” do verso anterior e “wall (muro, parede)” do verso original em questão
[e, sim, você aí que está em dúvida, “tu compris?” é algo como “entende?”]

quinta-feira, 9 de março de 2006

No congratulations

o errado bem ao lado, o resultado positivo da coincidência de dois atrasos, o beijo e a mordida do (a)trair-se de duas línguas, o querer-mas-não-poder por um sem fio, tanto carinho e cuidado nas facadas de uma aliteração, o disfarce do dever mesmo ao mesmo sangue, as surpresas do sentir-se surda e ouvir demais, o arrotar elogios ao engolido, a proteção presente apenas quando não procurada, a metade no todo mais um décimo e uns quebrados, o inédito do ser um dois desnecessário, a sinceridade tão (in)desejada das gentes, a indecisão e o (es)correr em meio a meio quarteirão, o esconder-se no conhecido do caminho da cama, a enrolação até o desenrolar-se em flores pontos-de-luz nas pontas das orelhas, o resultado outro de outra coincidência de dois atrasos, o enfim ser adivinhada e que fim em ser tão apresentada, o silêncio de ouro entre o bater de tanta lata, o digerir um pouco de joio junto com o trigo, o adoçar de um sonho em pedaço, a vontade de não vomitar

Porque tinha suas ausências. O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas. Uma tristeza mais antiga que o seu espírito. Os olhos paravam vazios; diria mesmo um pouco ásperos. A pessoa que estivesse a seu lado sofria e nada podia fazer. Só esperar.

Pois ela estava entregue a alguma coisa, a misteriosa infante. Ninguém ousaria tocá-la nesse momento. Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a. Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo passasse. Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro, ela acordava como um cabrito recém-nascido se ergue sobre as pernas. Voltara de seu repouso na tristeza.

Voltava, não se pode dizer mais rica, porém mais garantida depois de ter bebido em não se sabe que fonte. O que se sabe é que a fonte devia ser antiga e pura. Sim, havia profundeza nela. Mas ninguém encontraria nada se descesse nas suas profundezas – senão a própria profundeza, como na escuridão se acha a escuridão. É possível que, se alguém prosseguisse mais, encontrasse, depois de andar léguas nas trevas, um indício de caminho, guiado talvez por um bater de asas, por algum rastro de bicho. E – de repente – a floresta.

Ah, então devia ser esse o seu mistério: ela descobrira um atalho para a floresta. Decerto nas suas ausências era para lá que ia. Regressando com os olhos cheios de brandura e ignorância, olhos completos. Ignorância tão vasta que nela caberia e se perderia toda a sabedoria do mundo.


(e ser chamada, por extensão, de retaguarda e ornamento em um discurso que se queria elogioso e ganhar prendedores de plástico colorido, e divertido, é verdade, mas nem por isso menos prendedores de roupa, no tal dia internacional das mulheres até parece piada, houve também o vasinho de flores, mas acho que sei lidar melhor com espinhos, para rasgar os olhos fechados e marcar-se fundo a ferro e fogo com o esclarecimento, ainda que obscuro porque múltiplo, desse dia, clique aqui, mulher mesmo, não mulher mansa)

(créditos: Clarice, a de flor no nome e espinho no peito)

quarta-feira, 8 de março de 2006

(in)convenientes

acordar, então, ainda que mal se tenha dormido, um bom motivo desta vez, desfrutar de um bom papo com amiga das mais queridas e de bons biscoitos feitos para essas fomes de madrugadas, fomes que dóem menos e biscoitos que alimentam mais porque compartilhados, outros dois motivos, um bom, desfrutar da companhia desta que me alegra só com o poder chamá-la amiga, e outro nem tanto, enfrentar uma fila de banco no tentar agradar à prima a mais querida, alguns minutos neste caso, duas horas duas-horas-mesmo no outro, três passadas quando das panquecas de um vegetal que me faz pensar em espinafre mas que não é espinafre, e o tragicômico estar-no-lugar-errado-na-hora-errada-falando-a-coisa-errada, desnovelar o embaraço em riso, um riso tão riso e meio castigo que chega a doer na boca do estômago, só a gente mesmo, imagine se não fosse só a gente, a Rô também, teria sido muito pior, ou melhor, dependendo do ponto-de-vista, tragédia ou comédia, não vou dizer aquela do pedaço de mim, mas não deixa de ser melancólico ver um pedaço de você escapar pela janela do ônibus, depois de você, só o sono rotineiro e roteiros de sonho, um bom ponto final, dependendo do ponto-de-vista, claro, ou não tão claro assim

you think i got my eyes closed, but i’m looking at you the whole fucking time

[você pensa que meus olhos estão fechados, mas estou olhando pra você a porcaria do tempo todo]

(créditos: Pearl Jam)

terça-feira, 7 de março de 2006

So sweet

Aula com o doido do João, que já se apresentou de mentirinha como Rosana. Pagamento muito atrasado de uma dívida com a Márcia, que na verdade vai enviá-lo para Portugal. Encontro com o João e a Gislaine, que parecem estar bastante comprometidos com seus respectivos projetos para este ano. Conversa breve com o Zaga, que parece ter ficado feliz com o pão-de-mel com recheio de ameixa.

então, de repente, é Américo e seus peixinhos e suas frutas artificiais, o deitar-se no banco de trás e o engolir-se pela cama, trinta minutos e nada de brincar de espiã, três horas e muito com o que bancar a dona-de-casa, mas fico feliz, tanto por você, quanto por mim, é sempre uma alegria recebê-la, minha amiga, você viu como a Lílis gosta da Tia Si, é até maldade ficar assim sem aparecer, a gente se rói de saudade

(e se eu fizesse de conta bem direitinho que as paredes do meu quarto são azulejadas e que eu sou criança, você compraria uns metros daquela faixa das Meninas Super-Poderosas pra mim, mãe, compraria?!...)

... so sahen sie, daß das Häuslein aus Brot gebaut war und mit Kuchen gedeckt; aber die Fenster waren von hellem Zucker... [... assim, eles viram que a casinha era feita de pão e coberta com bolo; mas as janelas eram de açúcar – açúcar o quê, claro? Não, não deve ser. Perdoem. Preciso com urgência de um dicionário decente de alemão.]

(crédito aos irmãos Grimm, que chamam os nossos João e Maria de Hänsel e Gretel)

segunda-feira, 6 de março de 2006

Bença, Mestre!

Eu sabia que ele estaria lá. Nove anos atrás, meu melhor professor de matemática do colegial e um dos dois melhores da minha vida. Quase nove horas atrás, um dos melhores sambistas da cidade e, pelo visto, da região. Obrigada pela oportunidade da Fuvest e da Vunesp, Teroca. Obrigada pela oportunidade de sorrir muito e de dançar um pouquinho, Teroca.

Regra três - Vinicius de Moraes e Toquinho - Tantas você fez que ela cansou / Porque você, rapaz, / Abusou da regra três, / Onde menos vale mais / Da primeira vez ela chorou, / Mas resolveu ficar / É que os momentos felizes / Tinham deixado raízes no seu penar / Depois perdeu a esperança / Porque o perdão também cansa de perdoar / Tem sempre o dia em que a casa cai / Pois vai curtir seu deserto, vai, / Mas deixe a lâmpada acesa / Se algum dia a tristeza quiser entrar / E uma bebida por perto / Porque você pode estar certo que vai chorar...

Tempo de amor - Vinicius de Moraes e Baden Powell - Ah, bem melhor seria / Poder viver em paz / Sem ter que sofrer / Sem ter que chorar / Sem ter que querer / Sem ter que se dar / Mas tem que sofrer / Mas tem que chorar / Mas tem que querer / Pra poder amar / Ah, mundo enganador / Paz não quer mais dizer amor / Ah, não existe coisa mais triste que ter paz / E se arrepender, e se conformar / E se proteger de um amor a mais / O tempo de amor / É tempo de dor / O tempo de paz / Não faz nem desfaz / Ah, que não seja meu / O mundo onde o amor morreu...

Samba da bênção - Vinicius de Moraes e Baden Powell - ::cantado:: É melhor ser alegre que ser triste / Alegria é a melhor coisa que existe / É assim como a luz no coração / Mas pra fazer um samba com beleza / É preciso um bocado de tristeza / É preciso um bocado de tristeza / Senão, não se faz um samba, não / ::falado:: Senão, é como amar uma mulher só linda / E daí? Uma mulher tem que ter / Qualquer coisa além da beleza / Qualquer coisa de triste / Qualquer coisa que chora / Qualquer coisa que sente saudade / Um molejo de amor machucado / Uma beleza que vem da tristeza / De se saber mulher / Feita apenas para amar / Para sofrer pelo seu amor / E pra ser só perdão / ::cantado:: Fazer samba não é contar piada / Quem faz samba assim não é de nada / O bom samba é uma forma de oração / Porque o samba é a tristeza que balança / E a tristeza tem sempre uma esperança / A tristeza tem sempre uma esperança / De um dia não ser mais triste, não / Feito essa gente que anda por aí / Brincando com a vida / Cuidado, companheiro! / A vida é pra valer / E não se engane não, tem uma só / Duas mesmo que é bom / Ninguém vai me dizer que tem / Sem provar muito bem provado / Com certidão passada em cartório do céu / E assinado embaixo: Deus / E com firma reconhecida! / A vida não é de brincadeira, amigo / A vida é arte do encontro / Embora haja tanto desencontro pela vida / Há sempre uma mulher à sua espera / Com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão / Ponha um pouco de amor na sua vida / Como no seu samba / Ponha um pouco de amor numa cadência / E vai ver que ninguém no mundo vence / A beleza que tem um samba, não / Porque o samba nasceu lá na Bahia / E se hoje ele é branco na poesia / Se hoje ele é branco na poesia / Ele é negro demais no coração / ::falado:: Eu, por exemplo, o capitão do mato, / Vinicius de Moraes, / Poeta e diplomata, / O branco mais preto do Brasil, / Na linha direta de Xangô, saravá! / A bênção, Senhora / A maior ialorixá da Bahia / Terra de Caymmi e João Gilberto / A bênção, Pixinguinha / Tu que choraste na flauta / Todas as minhas mágoas de amor / A bênção, Sinhô, a bênção, Cartola / A bênção, Ismael Silva / Sua bênção, Heitor dos Prazeres / A bênção, Nelson Cavaquinho / A bênção, Geraldo Pereira / A bênção, meu bom Cyro Monteiro / Você, sobrinho de Nonô / A bênção, Noel, sua bênção, Ary / A bênção, todos os grandes / Sambistas do Brasil / Branco, preto, mulato / Lindo como a pele macia de Oxum / A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim / Parceiro e amigo querido / Que já viajaste tantas canções comigo / E ainda há tantas por viajar / A bênção, Carlinhos Lyra / Parceirinho cem por cento / Você que une a ação ao sentimento / E ao pensamento, a bênção / A bênção, Baden Powell / Amigo novo, parceiro novo / Que fizeste este samba comigo / A bênção, amigo / A bênção, maestro Moacir Santos / Que não és um só, és tantos / Tantos como o meu Brasil de todos os santos / Inclusive meu São Sebastião / Saravá! A bênção, que eu vou partir / Eu vou ter que dizer adeus / ::cantado:: Ponha um pouco de amor numa cadência / E vai ver que ninguém no mundo vence / A beleza que tem um samba, não / Porque o samba nasceu lá na Bahia / E se hoje ele é branco na poesia / Se hoje ele é branco na poesia / Ele é negro demais no coração / Porque o samba nasceu lá na Bahia / E se hoje ele é branco na poesia / Se hoje ele é branco na poesia / Ele é negro demais no coração / Ele é negro demais no coração / Ele é negro demais no coração


(e me pergunto se você, Alexandre, que não está lendo este post, ainda tem a “carta de despedida” dele...)

(Cris, Cris!... Se você estivesse aqui...)

domingo, 5 de março de 2006

(en)levando

tem coisas que, vou te contar, viu, tá, fechei a cara quando acenderam um cigarro num lugar fechado bem na minha frente, mas não me lembro de ter sorrido tanto assim num show antes, tirando showzinho de rock, claro, não conseguia nem cantarolar o quase-nada que sabia, era cantar ou sorrir, e parece que meus lábios de repente tinham vontade própria, o que geralmente me incomoda, hum, aquele conto do Cortázar em que uma das mãos, ou as duas mãos mesmo, não me lembro, do narrador-protagonista, é, narrador-protagonista, disto tenho quase certeza, então, ele de repente perde o controle sobre ela, ou elas, que seja, e não no sentido de alguma doença como o, bate-na-madeira, Parkinson, por exemplo, coitado do meu vô, agora me deu vontade de reler o conto, mas eu tava falando sobre o show e sobre como ele me fez sorrir, uma coisa meio gradual, no começo não era bem um sorriso, mas no final já era o sorriso, entendem, e se eu estivesse com saco pra isso hoje até me desafiaria com a metáfora-clichê da flor, mas quero falar das risadas, sim, risadas, nem eu acredito, e de como não resisti e aproveitei o aplaudir-de-pé do primeiro bis pra continuar de pé no segundo bis e, discretamente, é verdade, desmaiar, se matar não dava, aquela vontade de dançar que tava me dando

Teleco-teco - Vinicius de Moraes - Sempre que ela passa / Num passinho ligeiro, teleco-teco / Lá vai ela no passinho ligeiro / Todo mundo diz, teleco-teco / Meu Deus, quanta graça! / Mas logo alguém diz, teleco-teco / Que carinha fechada / Que não dá uma bola / Não ri pra piada / Não quer mesmo nada / Sempre que ela passa / Mas eu sei por quê, teleco-teco / Ela só anda assim, teleco-teco / Num passinho brejeiro, tiquinho, trançado / É porque ela sabe que conversa não dá resultado / De modo que guarda muito bem guardado / Aquele teleco-teco todinho pra mim / Porque ela guarda aquele teleco-teco todinho pra mim...

Todo o sentimento - Chico Buarque - Preciso não dormir / Até se consumar / O tempo da gente / Preciso conduzir / Um tempo de te amar / Te amando devagar e urgentemente / Pretendo descobrir / No último momento / Um tempo que refaz o que desfez / Que recolhe todo o sentimento / E bota no corpo uma outra vez / Prometo te querer / Até o amor cair / Doente, doente / Prefiro então partir / A tempo de poder / A gente se desvencilhar da gente / Depois de te perder / Te encontro com certeza / Talvez num tempo da delicadeza / Onde não diremos nada / Nada aconteceu / Apenas seguirei / Como encantado ao lado teu...

Vai levando - Chico Buarque e Caetano Veloso - Mesmo com toda a fama / Com toda a brahma / Com toda a cama / Com toda a lama / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa chama / Mesmo com todo o emblema / Todo o problema / Todo o sistema / Todo Ipanema / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa gema / Mesmo com o nada feito / Com a sala escura / Com um nó no peito / Com a cara dura / Não tem mais jeito / A gente não tem cura / Mesmo com o todavia / Com todo dia / Com todo ia / Todo não ia / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa guia / Mesmo com todo rock / Com todo pop / Com todo estoque / Com todo Ibope / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando esse toque / Mesmo com toda sanha / Toda façanha / Toda picanha / Toda campanha / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa manha / Mesmo com toda estima / Com toda esgrima / Com todo clima / Com tudo em cima / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando / A gente vai levando essa rima / Mesmo com toda cédula / Com toda célula / Com toda súmula / Com toda sílaba / A gente vai levando / A gente vai tocando / A gente vai tomando / A gente vai dourando essa pílula


(regra, teve também o de sempre, dois Conhecidos e outra sandália que eu não devia ter colocado, exceção, teve também o de nunca, um Desconhecido e outra vontade que eu não devia ter ignorado)
(não posso deixar de dar créditos à Miúcha, claro, e mesmo à cantora que dividiu parte do palco e dos aplausos com ela e de cujo nome não me lembro, que horror)

sábado, 4 de março de 2006

É preciso*

Mais um pouco e o Pessoa viraria Fernando. Se ele não fosse tão português*, Fernandinho, Nando, Fer, imaginem. (E o nosso amigo Cesinha, Beto? Português também, tá certo. Gente finíssima!...) Mas vou poupá-los dos detalhes deste nosso último dia juntos. A velha história do foi-bom-enquanto-durou-mas-já-tava-mais-do-que-na-hora-de-acabar.

E estou em processo de desenterrar os meus CDs. É, no mínimo, divertido, e às vezes a gente topa com alguns tesouros, uma Perolazinha aqui, um Diamante acolá... Tem muita bijuteria também, claro. Mas não ligo de usá-las, não – muito pelo contrário: aproveito, já que não sou alérgica a esse tipo de coisa. A (re)descoberta de hoje dedico à minha irmã (lembra?), na falta de alguém melhor* a quem dedicar... ;)

Cruisin’ (Navegar*)
- interpretada por Gwyneth Paltrow e Huey Lewis -

::ele:: Baby, let’s cruise (Meu bem, vamos navegar)
::ela:: Away from here (Para longe daqui)
::ele:: Don’t be confused (Não fique confusa)
::ela:: The way is clear (O caminho está livre*)
::eles:: And if you want it, you got it forever (E, se quiser, você terá isso pra sempre)
::eles:: This is not a one-night stand, baby (Isto não é uma-noite-e-nada-mais, meu bem)
::eles:: Yeah, so, let the music take your mind (Sim, então, deixe a música tomar conta da sua mente)
::eles:: Just release and you will find (Apenas libere-se e você descobrirá [que])
::eles:: You’re gonna fly away (Você vai voar pra longe)
::eles:: Glad you’re goin’ my way (Que bom que vamos pelo mesmo caminho)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::eles:: Music is played for love (A música é tocada para o amor)
::eles:: Cruisin’ is made for love (Navegar foi feito para o amor)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::ele:: Baby, tonight (Meu bem, esta noite)
::ela:: Belongs to us (Pertence a nós)
::ele:: Everything right (Tudo certo)
::ela:: Do what you mind (Faça o que tiver vontade)
::eles:: And inch by inch we get closer and closer (E, centímetro por centímetro, ficamos mais e mais próximos)
::eles:: To every little part of each other (De cada pedacinho um do outro)
::ela:: Ooh, baby, yeah (Oh, meu bem, sim)
::ele:: So, ::eles:: let the music take your mind (Então, deixe a música tomar conta da sua mente)
::eles:: Just release and you will find (Apenas libere-se e você descobrirá [que])
::eles:: You’re gonna fly away (Você vai voar pra longe)
::eles:: Glad you’re goin’ my way (Que bom que vamos pelo mesmo caminho)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::eles:: Music is played for love (A música é tocada para o amor)
::eles:: Cruisin’ is made for love (Navegar foi feito para o amor)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::ela:: Cruise with me, baby (Navegue comigo, meu bem)
::eles:: Ooh, ::ele:: yeah (Oh, sim)
::eles:: Ooh – ooh, ooh
::eles:: Ooh, baby, let’s cruise (Oh, meu bem, vamos navegar)
::ela:: Let’s float, let’s glide (Vamos flutuar, vamos deslizar)
::eles:: Ooh, let’s open up (Oh, vamos nos abrir)
::ela:: And go inside (E entrar)
::eles:: And if you want it, you got it forever (E, se quiser, você terá isso pra sempre)
::eles:: I could just stay here beside you and love you, baby (Eu poderia só ficar aqui ao seu lado e amar você, meu bem)
::eles:: Let the music ::ela:: take your mind (Deixe a música tomar conta da sua mente)
::eles:: Just release and ::ele:: you will find (Apenas libere-se e você descobrirá [que])
::eles:: You’re gonna fly away (Você vai voar pra longe)
::eles:: Glad you’re goin’ my way (Que bom que vamos pelo mesmo caminho)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::eles:: Music is played for love (A música é tocada para o amor)
::eles:: Cruisin’ is made for love (Navegar foi feito para o amor)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::eles:: You’re gonna fly away (Você vai voar pra longe)
::eles:: Glad you’re goin’ my way (Que bom que vamos pelo mesmo caminho)
::eles:: I love it when we’re cruisin’ together (Adoro quando estamos navegando juntos)
::eles:: Music is played for love (A música é tocada para o amor)
::eles:: Cruisin’ is made for love (Navegar foi feito para o amor)
::eles:: I love it when (Adoro quando)
::eles:: I love it (Adoro)
::eles:: I love it (Adoro)
::eles:: I love it (Adoro)
::ela:: Oh
::ele:: Cruise with me, baby (Navegue comigo, meu bem)
::ela:: I love it when we’re cruisin’ together
(Adoro quando estamos navegando juntos)

* a priori, nada contra os portugueses e, a posteriori, não muita coisa contra a minha irmã – quando digo “se ele não fosse tão português”, quero dizer algo como “se ele não fosse assim tão... tão... fechado, acho” e, quando digo “na falta de alguém melhor a quem dedicar”, quero dizer algo como “na falta de alguém, digamos, mais adequado a quem dedicar”

* sei que ficou estranho isso do “navegar” misturado a “voar”, “flutuar”, “deslizar”, mas tenho motivos para preferir a idéia básica do navegar presente em “cruise” ao invés da possibilidade, por exemplo, do “viajar”: 01. já que eles têm o verbo “travel” para a idéia básica do viajar, mas não o utilizaram na letra, muito provavelmente é porque não era bem essa a idéia que queriam passar 02. no caso, “cruise” é muito mais, digamos, poético do que “travel”, e o mesmo acaba valendo para “navegar” e “viajar” 03. ou minha péssima memória muito me engana, ou o navegar é um detalhe literal na história do filme

* “the way is clear”, além de “o caminho está livre”, pode significar também “o caminho é claro”, tanto no sentido de algo como “nítido”, quanto de “óbvio”, por aí


O filme não é lá essas coisas, mas achei a trilha irresistível. Um álbum que rende letra o suficiente pra eu me divertir durante vários dias aqui. Preencher uns vazios, quem sabe? Sem contar que a dupla aí de cima realmente funciona (dá até vontade de brincar com uma velha piadinha cretina, como-atores-eles-são-ótimos-cantores). Não vendo por menos do que semi-jóia.

(a quem – , mãe? – estiver estranhando o tanto de coisa “romantiquinha” neste blog, estrago o filme, então: eles não são um “casal” no sentido restrito do termo, são pai e filha, tá certo que cantam justamente isso juntos porque era o que ele cantava com a mãe dela, mas não se trata de um “e-viveram-felizes-para-sempre”, muito pelo contrário, e não digo mais nada porque, afinal de contas, se quisesse fazer uma sinopse do filme, teria dedicado o post a ele, não à canção, e talvez ainda faça isso um dia se o vir de novo, por que não?)
* ah, Beto, agora me lembrei do “é absolutamente necessário”!... Ou não era bem essa a expressão? Minha memória, de novo. Ou melhor, a falta dela.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Epifania

A beleza é tanta e eu sou tão fraca. Uma oferenda a vocês que eu amo. Não liguem pras lágrimas. É que, como o Marco de Fale com ela diz do Caetano, eu poderia dizer que ese Milton me pone los pelos de punta. Por Ele eu até acreditaria em deus. Me pergunto se a versão original, coincidentemente em espanhol, também funciona. Essa em português eu baixei e também ofereço, não só a quem amo, mas a quem quiser.

guardanapos de papel - interpretada por milton nascimento - na minha cidade tem poetas poetas que chegam sem tambores nem trombetas trombetas e sempre aparecem quando menos aguardados guardados guardados entre livros e sapatos em baús empoeirados saem de recônditos lugares nos ares nos ares onde vivem com seus pares seus pares seus pares e convivem com fantasmas multicores de cores de cores que te pintam as olheiras e te pedem que não chores suas ilusões são repartidas partidas partidas entre mortos e feridas feridas feridas mas resistem com palavras confundidas fundidas fundidas ao seu triste passo lento pelas ruas e avenidas não desejam glórias nem medalhas medalhas medalhas se contentam com migalhas migalhas migalhas de canções e brincadeiras com seus versos dispersos dispersos obcecados pela busca de tesouros submersos fazem quatrocentos mil projetos projetos projetos que jamais são alcançados cansados cansados nada disso importa enquanto eles escrevem escrevem escrevem o que sabem que não sabem e o que dizem que não devem andam pelas ruas os poetas poetas poetas como se fossem cometas cometas cometas num estranho céu de estrelas idiotas e outras e outras cujo brilho sem barulho veste suas caldas tortas na minha cidade tem canetas canetas canetas esvaindo-se em milhares milhares milhares de palavras retorcidas e confusas confusas confusas em delgados guardanapos feito moscas inconclusas andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo o que eles veêm nos vão dizendo dizendo e sendo eles poetas de verdade enquanto espiam e piram e piram não se cansam de falar do que eles juram que não viram olham para o céu esses poetas poetas poetas como se fossem lunetas lunetas lunáticas lançadas ao espaço e ao mundo inteiro inteiro inteiro fossem vendo pra depois voltar pro rio de janeiro

(deondeseráquevemessepiquequefazeumesentirtãobemnofimdodiaquestõesfinanceirasà parte)

By epiphany he meant a sudden spiritual manifestation, whether in the vulgarity of speech or gesture, or in a memorable phrase of the mind itself. He believed that it was for the man of letters to record these epiphanies with extreme care, seeing that they themselves are the most delicate and evanescent of moments.

[Por epifania, ele entendia uma súbita manifestação espiritual, quer na trivialidade da fala ou do gesto, quer numa expressão memorável da mente em si. Acreditava que cabia ao homem de letras registrar tais epifanias com extremo cuidado, visto que elas mesmas são os mais delicados e efêmeros momentos da vida.]

(créditos ainda não creditados: James Joyce)
(mais créditos não creditados: Chico, meu amigo, você, claro)

quinta-feira, 2 de março de 2006

Home, sweet home

Das Mädchen zeichnet viele Häuser. (A menina desenha muitas casas.)
Viele Häuser zeichnet das Mädchen. (Muitas casas desenha a menina.)
Es zählt die Häuser. (Ela conta as casas.)
Wie viele Häuser zeichnet das Mädchen? (Quantas casas a menina desenha?)

Verbos ou locuções verbais como “tinha-me levantado” (segundo parágrafo), “esquecera” (segundo parágrafo), “vestira” (terceiro parágrafo) e “haver chovido” (quarto parágrafo) – ou seja, basicamente as ocorrências do pretérito mais-que-perfeito do indicativo – ainda evocam o encadeamento de ações no correr do tempo, como o faz o pretérito perfeito do indicativo no parágrafo inicial do fragmento; outros, como “é” (terceiro parágrafo), “serve” (terceiro parágrafo), “levam” (quinto parágrafo), “esquecem” (quinto parágrafo), “mancham” (quinto parágrafo) – isto é, as ocorrências do presente do indicativo –, conferem, às afirmações em que se inserem, principalmente um caráter de hábito ou de verdades gerais; outros, ainda – conjugados no modo subjuntivo e no futuro do pretérito do indicativo –, apontam para impossibilidades (“conversas firmes e contínuas que, se fossem, teriam sido”, PESSOA, 1994, p. 67, grifos nossos).

(sorrisos francos e mau-cheiro, suor e aparência de gente trabalhadora e honesta, por mim demoliria tudo, mas sei que a grana e a lei, menos o pé de acerola, coitado do abacateiro, grande demais pra viver e grande demais pra morrer, mas faço questão do suco e dos passarinhos)

refazenda - gilberto gil - abacateiro acataremos teu ato nós também somos do mato como o pato e o leão aguardaremos brincaremos no regato até que nos tragam frutos teu amor teu coração abacateiro teu recolhimento é justamente o significado da palavra temporão enquanto o tempo não trouxer teu abacate amanhecerá tomate e anoitecerá mamão abacateiro sabes ao que estou me referindo porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo cedo antes que o janeiro doce manga venha ser também abacateiro serás meu parceiro solitário nesse itinerário da leveza pelo ar abacateiro saiba que na refazenda tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar refazendo tudo refazenda refazenda toda guariroba
(já ia me esquecendo dos meus próprios créditos, a tal monografia do português)

quarta-feira, 1 de março de 2006

Pedidos II

até parece que adivinharam, algo pra preencher o vazio, passar o dia organizando ficções, ordem alfabética em tensão com exceções, a música, a animação, o musical, a literatura, o sexo, a guerra, o inglês, o pitt, o day-lewis, o depp, o francês, o almodóvar, o espanhol, o alemão, o nacional, um vício que me apontaram, aquelas que ficam felizes por qualquer coisa, agora faltam dez, e sou mesmo muito humana e muito burra se é verdade que errar é humano mas repetir o erro é burrice, pelo menos me preocupo com o meio-ambiente

every night on my knees I pray dear lord hear my plea don't ever let another take his love from me or I will surely die heavenly when your arms enfold me I hear a tender rhapsody but in reality he doesn't even know me

[toda noite de joelhos eu rezo querido deus ouça o meu apelo nunca deixe outra me roubar o amor dele ou eu certamente morrerei é divino quando os seus braços me envolvem eu ouço uma terna rapsódia mas na verdade ele nem me conhece]

(créditos: conheço da trilha sonora de Duets – vem cantar comigo, a ela-é-insossa-e-tem-cara-de-antipática-mas-até-que-canta-bem da Gwyneth Paltrow e Babyface)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Revisiting

É brega, mas é divertido.

Your love (O seu amor)
- The Outfields -

Josie's on a vacation far away (Josie está bem longe, de férias)
Come around and talk it over (Venha cá* e fale sobre isso de novo)
So many things that I wanna say (Tantas coisas que quero dizer)
You know I like my girls a little bit older (Você sabe que gosto de que minhas garotas sejam um pouquinho mais velhas)
I just wanna use your love tonight (Só quero usar o seu amor esta noite)
I don't wanna lose your love tonight (Não quero perder o seu amor esta noite)
I ain't got many friends left to talk to (Não me restam muitos amigos com quem conversar)
No one's around when I'm in trouble (Ninguém está por perto quando estou com problemas)
You know I'd do anything for you (Você sabe que eu faria qualquer coisa por você)
Stay the night but keep it undercover (Passe a noite aqui, mas mantenha isso em segredo)
I just wanna use your love tonight (Só quero usar o seu amor esta noite)
I don't wanna lose your love tonight (Não quero perder o seu amor esta noite)
Trying to stop my hands from shakin' (Tentando fazer as minhas mãos pararem de tremer)
Somethin' in my mind's not makin' sense (Algo em minha mente não está fazendo sentido)
It's been a while since we were all alone (Faz um tempinho desde a última vez em que ficamos a sós)
I can't hide the way I'm feelin' (Não consigo esconder como estou me sentindo)
As you leave me, please, would you close the door? (Ao me deixar, por favor, você fecha a porta?)
And don't forget what I told you (E não se esqueça do que eu lhe disse)
Just 'cause you're right, that don't mean I'm wrong (Só porque você está certa, isso não significa que eu esteja errado)
Another shoulder to cry upon (Outro ombro pra chorar)
I just wanna use your love tonight, yeah (Só quero usar o seu amor esta noite)
I don't wanna lose your love tonight, yeah (Não quero perder o seu amor esta noite)
I just wanna use your love tonight (Só quero usar o seu amor esta noite)
I don't wanna lose your love tonight (Não quero perder o seu amor esta noite)
I just wanna use your love tonight (Só quero usar o seu amor esta noite)
I don't wanna lose your love tonight (Não quero perder o seu amor esta noite)
Lose your love, lose your love...
(Perder o seu amor, perder o seu amor...)

* “come around” pode ser também algo como “mude de idéia”, entre outras coisas, e “revisit” é, obviamente, algo como “revisitar”

Nem adianta querer culpar o quase-jejum.

(a de “The final countdown” fica pra próxima)